Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

Para que serve uma Doula?

O Triângulo Perfeito, 30.06.18

o-papel-da-doula-no-parto-normal-ou-cesarea-foto-rlarroydcom-0000000000017878.jpg

 

Tem sido um longo (mas agradável) caminho, este que fiz em busca de um parto mais natural, respeitado e fisiológico.

Nessa jornada, algures pelo meio, encontrei algo que me deu mais confiança e tranquilidade: falo dos serviços de uma doula.

Honestamente, nunca pensei entrar nestes campos mais "alternativos", mas já devem ter visto num post anterior que as coisas por aqui... estão a mudar... :)

 

O que é uma doula?

 

A palavra Doula vem do grego e significa “mulher que serve”. O termo é, normalmente, utilizado para referir-se à mulher sem experiência técnica na área da saúde, que orienta e assiste a nova mãe durante o parto e, mais tarde, nos cuidados com bebé.

 

Hoje em dia, contudo, já existem médicos e enfermeiras parteiras que conciliam a sua atividade profissional com a função de doulas.

 

(O que é ótimo, pois para além do apoio psicológico, sabemos que podemos contar com conhecimentos científicos e até mesmo alguma ajuda técnica.)

 

O papel da doula é oferecer conforto, encorajamento, tranqüilidade, suporte emocional, físico e informativo durante o período de intensas transformações que a mulher está a viver.

 

Quando o parto é domiciliário, a doula tem um papel mais ativo, ajudando em todas as fases do processo.

Já quando a mulher dá à luz em contexto hospitalar, as coisas são um bocado diferentes: a doula deverá respeitar e não pode interferir nas decisões da equipa médica.

Neste caso, oferece apenas (e já é tanto!) o seu suporte, tranquilidade e experiência e encorajamento à futura mãe. 

 

Eu imagino as doulas como as claques nos jogos de futebol. Não são elas que marcam os "golos", mas estão ali a dar força e ânimo aos jogadores, eh eh. 

 

Ou então, podemos vê-las como o público de uma maratona. Aquele público que vai gritando pelo seu atleta favorito, que não o deixa desistir mesmo quando ele já está nas últimas. Ou como o apoiante que estende uma garrafa de água ao atleta, para que este mate a sua sede e consiga dar mais um passo em direção à meta.

 

 

Acupuntura na Gravidez... fui experimentar!

O Triângulo Perfeito, 29.06.18

aculpultura-gravidez-1-53-346.jpg

 

Não sou uma pessoa muito dada a práticas e medicinas alternativas, mas... estou naquela fase da vida (e da gravidez) em que já rezo a todos os santinhos!

 

Uma amiga minha fez sessões de acupuntura nos dias que antecederam o parto e diz-me que resultou imenso.

Para além de ter ficado mais relaxada, criou-se uma "onda energética" que, segundo ela diz, fez diminuir as dores durante o parto. 

 

Mas a grande vantagem (disse-me ainda) foi que a acupuntura provocou contrações que fizeram desencadear o próprio parto. Ou seja, através deste método a minha amiga conseguiu induzir o parto de uma forma totalmente natural, evitando assim uma indução hospitalar.

 

Segundo aquilo que fui lendo nos últimos dias, a acupuntura é um método credível que pode e deve ser utilizado durante toda a gravidez. 

 

Entre as suas vantagens podem citar-se:

 

- Ajuda a diminuir a má-disposição, as náuseas, os vómitos e a salivação em excesso;

- Diminuiu a insónia e a ansiedade;

- Controla os níveis hormonais, diminuindo sintomas de depressão e irritabilidade;

-Melhora a circulação sanguínea;

- Pode ajudar o bebé a "virar" naquelas situações em que ele está mal posicionado no ventre.

- Reduz as dores lombares;

- Induz o parto;

- Reduz o tempo e a dor associada ao período de expulsão da placenta.

 

Foi hoje a minha primeira sessão de acupuntura... Fiz em Vila Nova de Gaia, com uma técnica especializada.

Como já não posso conduzir, e também porque não conheço bem essa cidade... fui de comboio... uma aventura, kkk.

 

Dizem que são precisas pelo menos duas sessões para que todos os benefícios que atrás mencionei começem a sentir-se. Talvez tenha que fazer mais um sessão, para além desta...

 

Em breve darei notícias sobre o assunto!

Nunca tive grande paixão por agulhas! Espero que as agulhas tenham paixão por mim. 

Plano de Parto

O Triângulo Perfeito, 11.06.18

Na sexta-feira passada tivemos a nossa "consulta de plano de parto" no Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim e Vila do Conde. 

Estas consultas são uma prática comum neste hospital, que não só aceita bem os planos de parto, como incentiva as futuras mães a fazê-los. 

Iamos um bocado nervosos, nem sei bem porquê.

Eu levava uma folha rabiscada cheia de pormenores e anotações sobre o que queríamos/não queríamos que nos fizessem naquele "dia especial". 

Na hora H (momento da consulta) decidi não colocar imediatamente as minhas notas em cima da mesa e ouvir primeiro as explicações da simpática enfermeira que nos atendeu. 

Ainda bem que o fiz pois percebi que neste hospital já existe um modelo de plano de parto completo, bem feito e simples de entender. 

Como o hospital já segue as diretivas da OMS no que diz respeito à Humanização do Parto, o Plano de Parto deles já era excelente, pelo que não tive necesidade de acrescentar mais nada. 

O bloco de notas que trazia comigo, acabou por não sair da carteira. 

Agora é fazer figas para que corra tudo bem. 

Sabemos que o plano de parto não é garantia que as técnicas e procedimentos sejam feitos tal e como gostaríamos. Há muitos factores, durante, um parto, que podem ocasionar desvios ao mesmo.

Mas pelo menos tenho noção de que existe um carinho enorme, e uma vontade tremenda de respeitar os desejos da nossa família, na medida do possível.

 

 

 

Fomos a um círculo de partilha sobre Parto Natural

O Triângulo Perfeito, 17.05.18

Olá!

Já aqui falei das minhas expetativas para este segundo parto (que espero ser bastante diferente do anterior). Também já expliquei as razões que me levaram à escolha do Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim.

Desta vez, vou falar um pouco do percurso (interior e exterior) que tenho feito na minha busca pelo parto ideal.

Costuma-se dizer que "o caminho faz-se caminhando".

É uma frase redundante e aparentemente tola, mas que tanto significado contém...

Na minha procura pelo parto "adequado", tenho adotado uma postura ativa. Tenho "caminhado", procurado todos os meios/pessoas que me possam dar uma ajuda. 

Enfim, tento dar todos os passos ao meu alcance para atingir o objetivo que tanto almejo: um parto humanizado.

Pessoas a dizer mal do parto normal e a contarem histórias tristes... bem... isso é muito fácil de encontrar. Começa logo no seio familiar, com as histórias dos avós, das nossas mães... sempre recheadas daqueles pormenores macabros que preferíamos não ouvir... Depois, basta irmos à internet para encontrarmos esses (inúmeros) testemunhos.

Nem sempre é fácil encontrar pessoas com histórias bonitas e dispostas a partilha-las. E foi essa a razão que me levou (a mim e ao meu marido) a participar num "círculo de partilha".

 

(este círculo foi dinamizado pela Gimnográvida: um centro de preparação para o parto e maternidade. Se vivem na zona do Porto e procuram alguém que vos apoie fisica e psicologicamente para todos os momentos do parto, então sugiro uma visita a este centro que é es-pe-ta-cu-lar...)

 

Nessa tertúlia tivemos a oportunidade de ouvir os relatos de 3 casais que conseguiram um parto normal, sem traumas e sem sequelas psicológicas. Isso é possível? Claro que sim!

Foi muito bom ouvir, finalmente, alguns relatos com um final feliz.

O primeiro casal teve o filho na água, mas em contexto hospitalar. O segundo casalmteve o filho em casa com apoio de uma parteira especializada. O terceiro casal teve o filho em contexto hospitalar.

Em nenhuma das situações houve recurso a fármacos (epidural, occitocina, etc.).

Se foi tudo perfeito? Claro que não. Em todos os partosexistiram peripécias e desvios ao "plano inicial". Mas aqueles casais conseguiram, aparentemente, o que queriam - respeito, confiança, apoio...

E é por isso que (mesmo apesar de nem tudo ter sido perfeito), vi sorrisos no rosto. Vi todos os casais a falarem com visível orgulho e satisfação. 

Foi muito importante para mim e para o meu marido ouvirmos estas histórias.

É sempre bom ouvir coisas positivas que nos transmitem confiança ou otimismo, não é?

Não sei se terei coragem para optar por um parto completamente fisiológico (sem recurso a fármacos), mas agora JÁ sei que há muitos partos assim que correm bem.

É como as bruxas... Ninguém quer acreditar, mas como dizem os espanhóis "que las ha, las ha"!! 

Eh eh! :))

Novo parto, hospital diferente

O Triângulo Perfeito, 27.03.18

No dia 11 de novembro de 2015, pelas 22:30 entrei no hospital para ter o meu primeiro filho.

Segundo  uma primeira análise, eu não tinha qualquer dilatação, e nem sequer existiam as ditas contracções. Apenas e só me tinham rebentado as águas.

Pediram para tirar a roupa, vestir uma bata branca e deitar numa cama. Foi-me  administrada uma substância por via intravenosa e disseram-me para aguardar deitada na maca.

Colocaram-me uma cinta para monitorizar os batimentos de mãe e bebé. E ali fiquei.

Algum tempo depois, o monitor indicou braquicardia fetal e fui imediatamente levada para o bloco operatório para uma cesariana de urgência.

Se a cesariana foi necessária? Penso que sim. Afinal de contas, havia "sofrimento fetal".

Mas será que o bebé teria entrado em sofrimento se o parto tivesse ocorrido de forma mais natural?

Passo a explicar. Sinto que foi tudo muito rápido, frio, e asséptico. 

Os estudos demonstram que a administração precoce de algumas substâncias para induzir o parto, aumenta as probabilidades de braquicardia. Sendo assim, porque não esperar um pouco, já que o processo ainda estava no início?

Sinto que não tive liberdade de movimentos pois mal cheguei disseram para deitar numa maca. Isto quando todos sabemos que caminhar ajuda à dilatação e ao desenvolvimento do parto.

Sinto que não foi dado o devido tempo para que as contrações começassem espontaneamente.

Sinto... enfim... sinto que era muito tarde, que todos estavam cansados... não consigo deixar de pensar (desculpem-me se estiver enganada) que ninguém quis "esperar" por mim. Ninguém quis dar hipótese para que o meu corpo começasse efetivamente o seu trabalho.

 

Apesar de estar feliz pelo nascimento do meu filho, ficaram no meu íntimo várias dúvidas sobre o processo e muita mágoa acumulada que acabou por condicionar o meu estado de espírito nas primeiras semanas pós-parto. Não tive uma depressão pós-parto, mas sofri imenso com o baby blues.

Por isso, prometi a mim mesma que iria pesquisar mais, e procurar as respostas que me faltavam. Passei meses e meses a ler e a consultar dados, estatísticas e teses de mestrado.

Até que engravidei pela segunda vez.

Já na posse de muita informação decidi que iria enverdar por outros caminhos.

Voltei novamente à pesquisa, às conversas com colegas, aos fóruns de mães e de grávidas...

Até que, finalmente, encontrei o local certo para mim. O local certo para ter o meu segundo parto.

Refiro-me ao Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim. Um local que reune consenso em termos de qualidade, e onde já se pratica há alguns anos aquilo que todas as muheres sonham- um parto humanizado.

Escolhido o hospital, fui ver com os meus próprios olhos a dinâmica do local.

Quis tentar saber se todas as coisas boas que tinha ouvido e lido eram mesmo verdade.

Seria este um hospital amigo das mulheres?

Um local onde as vontades da mãe seriam respeitadas?

Seria este um local onde eu teria carinho, cuidados permanentes e uma atenção constante ao desenrolar do parto?

Fui confirmar.

Certo dia, meti-me a caminho com o meu marido e estacionamos em frente ao hospital.

Visto de fora, a fachada pouco prometia: um edifício velhinho a necessitar de obras de restauração urgentes!

Mas não desanimámos. 

Já tínhamos marcado pelo telefone a visita às instalações e logo que entrámos no bloco de obstetrícia fomos carinhosamente recebidos pela enfermeira Élia. 

A empatia foi imediata. E o nosso sentimento de segurança foi crescendo à medida que a enfermeira nos fazia o "tour" pelo bloco de partos e instalações. 

A primeira coisa que nos disse, depois de saber que vínhamos de um Hospital Privado, foi:

- Atenção, que isto aqui não é nenhum hotel! Mas podem ter a certeza que estão em boas mãos.

Respondemos que não estavamos interessados num "hotel". Só pretendíamos carinho e respeito.

- Então, fiquem descansados, pois vão encontrar tudo isso aqui.

Durante mais de uma hora, percorremos as cinco salas de parto (modernas e restauradas) onde é possível ser acompanhada por duas pessoas ( e não uma, como noutros hospitais), onde temos bolas de pilates, banco de parto, chuveiro, televisão, possibilidade de ouvir música escolhida por nós. Numa das salas, a "famosa" banheira escolhida por algumas mães para o parto na água. 

Gostei tanto, tanto, tanto!

E a parte de que gostei mais, foi saber que não só é permitido mas também fomentada a ideia de a grávida fazer um "plano de parto".

Sei que brevemente, terei uma reunião no hospital com a equipa de enfermagem, para decidirmos em conjunto o plano de parto. E isto é uma prática corrente neste hospital.

Saí de lá com o coração cheio e com todas as minhas dúvidas dissipadas. 

Sei que o meu parto poderá correr bem, mal ou mais ou menos, mas tenho a certeza de que vão fazer tudo para que este seja "o dia mais feliz". 

Aguardo com alguma ansiedade o dia da chegada do novo bebé. Mas estou cada vez mais confiante e segura da minha escolha.

Entretanto, começarão as aulas de preparação para o parto (algumas na piscina da Póvoa de Varzim - mais uma inovação do hospital).

Mal posso esperar! :)