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O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

Top 5 dos comentários do marido durante o parto

Agosto 02, 2018

O Triângulo Perfeito

Já está prometido há uns tempos um post mais sério/fofinho sobre a importância do marido durante a gravidez e todo o processo de parto, mas para já e antes de fazer isso, deixo-vos um post mais ligeiro.

 

Ora aqui vão (tchram!!) os comentários mais caricatos proferidos pelo marido durante o meu parto:

 

5º lugar (no carro, a caminho do hospital e já durante as dolorosas contrações): 

 

Comentário dele: "Isto é engraçado: quando vem uma contração ficas com dores e não respondes a nada do que eu digo. Hum... Isso quer dizer que eu nessas alturas posso dizer o que me apetecer, não é?"

 

Meu pensamento: Sim, podes dizer o que te apetecer. Mas não te esqueças que as dores não me tiram a boa memória... e vou registar devidamente todas as informações...

 

4º lugar (no WC do hospital, eu a tomar um chuveiro para acalmar as dores e ele do lado de fora do poliban)

 

Comentário dele: "Está a ficar muito calor aqui... que bafo...não sei como é que aguentas este calor!"

 

Meu pensamento: "Sim, sem dúvida que neste momento o meu maior problema é o calor. Não são as contrações. É o calor..."

 

3º lugar (ao ver as músicas que selecionei para o parto)

 

Comentário dele: "Ui! Abba?? Ui! Pet Shop Boys? Bem, com uma playlist tão deprimente não admira que tenhas dores...."

 

Meu pensamento: Se fosses tu a dar à luz, estava aqui a tocar o David Fonseca, não é? Temos pena... Sou eu que estou toda parida das dores e estas são as músicas que me acalmam :))

 

2º lugar (durante o período expulsivo)

 

Comentário: Puxa! Puxa! Se não puxares, não sai...

 

Meu pensamento: Ora aí está uma verdade absoluta! Mas que grande dedução lógica, eh eh. Melhor que isso só o "estar vivo é o contrário de estar morto"...

 

1º lugar (assim que o bebé saiu)

 

Comentário: Vês? Já está! Não custou assim tanto pois não?

 

Meu pensamento: $%&"@@@@@€€€{{£@@€

 

 

Agora falando a sério... quem lê este post pode pensar que tenho um companheiro insensível. Só que não :)

 

Um dia vou falar mais a sério de como o meu marido foi incansável e uma ajuda preciosa durante o parto.

Abraço!!

 

 

 

A Santíssima Trindade dos Partos

Julho 16, 2018

O Triângulo Perfeito

Costumo dizer, na brincadeira, para o nascimento do Xavier foram necessárias 4 pessoas: um pai e três "mães". 

Sobre o pai e seu importante papel, falarei em breve.

Já as três mães - uma espécie de Santíssima Trindade dos Partos-  foram a mãe de corpo e alma (eu), a mãe técnica (enfermeira parteira) e a mãe suporte (a minha doula).

 

A mãe de corpo e alma

 

IMG_0002.JPG

 Com contrações ainda suportáveis, aproveitei um intervalo para selecionar a primeira roupinha do Xavier.

 

A mãe Ana desejou muito um segundo filho. De preferência, de parto normal.

Há milhares de anos que mulheres de todo o mundo, de várias raças e de vários tribos dão à luz assim. 

Curiosa, a mãe Ana sempre desejou saber o que sentiram essas mulheres durante aquele tipo de parto. E como o fizeram. E como aguentaram.

E que mecanismos fisico-químicos, hormonais, se poem em acção durante o processo. Ou não fosse a mãe Ana bióloga de formação. 

A mãe Ana sempre quis fazer parte do círculo das mulheres que fizeram parto normal.

Sempre quis entender essa espécie de segredo universal que se arrasta desde os primórdios da humanidade.

 

Mas....

 

Para isso, esta mãe teve que ultrapassar vários obstáculos.

A orientação de alguns médicos ("já não tem idade para esse tipo de parto") a descrença dos que a rodeavam ("Ui, vais tentar um parto normal, depois de uma cesariana?).

Mas sobretudo... a mãe Ana teve que ultrapassar a sua própria insegurança.

 

Durante os 9 meses de gravidez, a mãe Ana investigou muito, analisou estudos e teses, recolheu dados estatísticos sobre VBAC.

E foi ficando mais segura da sua decisão.

Para ter a certeza que, desta vez, tudo seria feito para respeitar o seu sonho, a mãe Ana selecionou o melhor hospital e cercou-se de pessoas que acreditam e valorizam o parto normal humanizado.

Para não vacilar ao longo do caminho, a mãe procurou o apoio da equipa da Gimnográvida.

Aí foi buscar o conforto, a tranquilidade e a certeza das suas opções.

No dia do parto... a mãe Ana dirigiu-se ao hospital na companhia do marido e da sua doula. 

Durante largas horas, suou, sofreu, chorou e... gritou.

Mas sempre de olhos postos no objetivo final, a chegada do seu bebé.

Nunca pensou em desistir (embora tivesse ficado muitoooo feliz quando chegou a bendita epidural, eh eh).

De magradugada, o milagre aconteceu. E foi a sensação mais intensa e espetacular do mundo.

Amor imediato, seguido de uma sensação de tranqulidade imensa.

Ao abraçar aquele ser minúsculo, a mãe Ana esqueceu as dores. E percebeu que tudo estava certo.

A mãe Ana está feliz.

 

 IMG_0013.JPG

 A suar durante uma contração daquelas bem chatinhas... apoiada no CUB (insuflável) as dores melhoravam um pouco.

Nesta fase, ainda estava vestida normalmente: o hospital deixa-nos ficar com a roupa que preferimos até à admnistração da analgesia.

 

IMG_0026 - 2.jpg

Estava na dúvida se punha aqui esta foto ou ñão (a bata não é lá muito sensual). Mas achei que valia a pena verem a minha cara de felicidade depois da aplicação da episural, ah ah. Neste hospital, a epidural é feita de uma forma que nos permite andar e adotar uma posição verticalizada, o que ajuda imenso à dilatação, para além de ser muito mais dvertido.

 

A mãe técnica

 

IMG_20180706_124617.jpg

 

Foi a enfermeira Élia que ficou encarregue do nosso parto, no Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim. Mal a vi entrar na sala de partos, fiquei super contente.

Afinal, enfermeira Élia foi a primeira pessoa com quem falámos quando fomos fazer a visita guiada ao hospital, alguns meses antes. 

Gostei logo dela nessa altura, porque foi muito prestável a responder às nossas dúvidas e inquietações.

Achei engraçado que a mesma enfermeira nos tivesse "calhado" no momento do parto. Como acredito nestas coincidências cósmicas, vi logo que isso só podia ser um bom sinal. 

A enfermeira Élia é uma pessoa com uma boa disposição inesgotável, como aliás todas as enfermeiras do serviço de obstetrícia daquele hospital! E acreditem que isso ajuda muito durante o parto...

Tratou-me sempre com um sorriso no rosto, disse piadas... Sempre que entrava na sala de partos para saber como estavam a correr as coisas, fazia de tudo para tornar o ambiente mais leve. 

Enfim, sei que tentou "fazer conversa" durante as contrações mais fortes para ver se eu me distraía da dor (não conseguiu, mas aprecio a tentativa kkkk)

Comentou a minha playlist musical, perguntou-me pelos alunos...

Lembrava-se de coisas que eu lhe tinha dito naquela curta visita ao hospital, meses antes. Fiquei impressionada!

E basicamente deu-me a melhor notícia que uma mulher poderá receber durante um parto: Dilatação Completa, yeiiii!!!

Foi a enfermeira Élia que, em conjunto com a minha doula, me orientou durante o período expulsivo.

Nunca perdendo a calma, nem a tranqulidade. Mesmo quando eu fiquei a certa altura em pânico, as outras duas "mães" nunca perderam a postura. 

Foi a enfermeira Élia a primeira pessoa que tocou no Xavier. Foi ela que literalmente o agarrou nas alturas, para não se espalmar no chão, uma vez que dei à luz em pé (abençoado hospital que nos permite estas coisas...).

Para a enfermeira Élia, eu poderei ter sido apenas mais uma parturiente naquele já tão concorrido hospital.

Mas para mim ela será sempre especial. 

Obrigada, enfermeira! 

(obrigada a todas as enfermeiras daquele serviço de obstetrícia, que tão bem nos receberam!)

 

 A mãe suporte (doula)

 

IMG_0168.JPG

 A enfermeira/doula Joana numa consulta pós-parto, em minha casa. Pesou o bebé, fez teste do pezinho, viu o estado dos meus pontos. Um serviço eficaz.

 

Assim que percebi que queria tentar novamente um parto normal (já tinha tentado antes, mas acabei por ter de fazer uma cesariana de emergência), procurei ativamente todos os que me pudessem ajudar. 

Uma amiga com uma situação bastante semelhante à minha, falou-me da equipa da Gimnográvida.

Decidi que não custava nada ir conhecer este centro de preparação e acompanhamento no parto, situado na Boavista.

Na primeira consulta, poucos minutos de começar a falar com a enfermeira Isabel percebi imediatamente que tinha feito uma boa opção.

A enfermeira Isabel encheu-me de confiança, boas vibrações e energias positivas. Falou-me de estudos científicos, e de dados sobre parto normal (alguns desses já conhecia), sugeriu-me a visualização de alguns documentários sobre o assunto, fez-me um questionário abordando a minha história familiar e motivações...

Tudo isto para me conhecer melhor e poder ajudar-me.

Mais tarde, com o avançar das consultas, conheci também a enfermeira Joana (que acabou por ser a minha doula durante o parto) e 

fiquei cada vez mais segura. A enfermeira Joana é meiga, simpática, profissional e prestável. E revelou-se essencial para o sucesso do meu parto.

 

Nota: A gimnográvida também se dedica a apoiar partos domiciliários. No meu caso, e porque tive cesariana anterior, não quis arriscar e optei por fazer em contexto hospitalar com a doula presente. Quem sabe, no próximo parto (se o houver) não arriscarei algo assim?

 

No dia do parto, comecei a sentir contrações ritmadas por volta das 10 da manhã.

Como não queria ir muito cedo para o hospital, liguei de imediato à Joana (parteira/doula) da Gimnográvida, a qual me disse para cronometrar as contrações, ficando atenta a eventuais perdas de líquido. 

Instalei no meu telemóvel uma app da Google Play para controlo das contrações e passei algum tempo a fazê-lo. 

A Joana disponibilizou-se a vir a minha casa para me apoiar naquele momento, mas disse-lhe para não vir, porque as contrações ainda eram suportáveis. 

O tempo foi passando e a dada altura apercebi-me que estava a perder líquido amniótico em pequenas quantidades.

Liguei novamente à Joana que me disse para analisar a eventual presença de mecónio (não tinha) e começar a pensar em dirigir-me ao hospital. 

Tomei um banho relaxante, dei uma varridela à casa e estendi a roupa (sim, o síndrome do ninho arrumado atacou-me forte naquele momento) e decidi que estava na hora de ligar ao marido. 

Por volt das 6 da tarde chegámos ao hospital. A Joana chegou lá pouco depois disso e nunca mais nos abandonou até ao bebé nascer.

Com a sua experiência, deixou-nos mais tranquilos e confiantes. Quando uma contração vinha mais forte, acalmava-me dizendo que era "menos uma a faltar para o bebé nascer". 

Á medida que a dor ia aumentando, foi propondo estratégias para que eu conseguisse relaxar. Conduziu-me ao chuveiro do hospital, onde estive cerca de 40 minutos (please, não me mandem a conta da água). E que bem que souberam aqueles jatos relaxantes. 

Sugeriu-me exercícios na bola de pilates, fez-me massagens nas costas. Foi passear comigo e com o meu marido para as traseiras do hospital, para acelerar a dilatação. Quando vomitei (3 vezes...) descansou-me dizendo que era normal.

Dançou comigo no intervalo das contrações e sorriu sempre, sem mostrar inquietação.

Não me mandou pastar em nenhuma das vezes em que lhe apertei a mão com força, quase a ponto de lhe partir os dedos.

E nem quando entrei na "partolândia" e comecei a dizer coisas estranhas (sim, acontece...) ela se mostrou surpreendida ou chateada.

Assim que atingi a dilatação máxima, a Joana fez equipa com o meu marido e com a enfermeira para me guiarem na saída do bebé. 

Uma vez mais, a sua calma e segurança, transmitiram-me força.

Assim que o bebé nasceu, a minha doula transformou-se numa fotógrafa, registando os primeiros momentos do Xavier. 

Sei que ela teria gostado que eu conseguisse fazer "tudo" sem levar a bendita epidural. 

Mas assim que decidi optar pela analgesia, descansou-me dizendo que eu estava ali para dar à luz. Não era para ganhar nenhuma medalha, era para fazer nascer um bebé.

Já de magrugada, e antes de abandonar a nossa (já silenciosa) sala de parto, despediu-se com um beijinho e disse-me ao ouvido:

"És uma guerreira e saíste vitoriosa desta batalha. Nunca te esqueças disso".

 

Houve muitos guerreiros neste parto (incluindo o próprio Xavier). Mas foi uma guerra que valeu a pena travar.

Obrigada a todos...

A Música do Xavier

Julho 11, 2018

O Triângulo Perfeito

IMG_0009.JPG

 

Faz hoje uma semana que dei à luz o Xavier.

Pouco a pouco, vou arranjando tempo para vir aqui contar-vos alguns momentos-chave do parto.

Vou falar-vos de música.

 

Lembro-me que, no auge do período expulsivo, depois de 14 horas de parto e com a adrelina e a ansiedade a atingirem picos altíssimos, ouvi de repente a minha doula perguntar:

 

- Que música é que os papás querem ouvir no momento do nascimento do bebé?

 

Isto porque, como já disse aqui, tínhamos levado uma playlist numa pen, a qual esteve a tocar durante todo o parto.

 

No momento em que questionaram sobre a música, a cabecita do bebé já estava praticamente de fora (acho que o termo certo é "coroar"), mas eu não sabia.

Por isso fiquei um bocado à toa com a questão:

 

Achei que havia um contraste enorme entre a minha preocupação e a calma/tranquilidade demonstradas quer pela enfermeira parteira, quer pela doula. 

 

Ora ali estava a eu, a puxar e a puxar, esgotada e dorida, enquanto as outras mulheres da sala me questionavam sobre ...músicas :))

 

Isso só podia ser bom sinal.

Foi essa diferença de estados de espírio que me fez relaxar e suspirar de alívio. 

 

Afinal de contas, se as coisas estivessem a correr mal, ninguém me ia falar daquele assunto.

 

Bem... depois de pensarmos um pouco (vá lá, para aí 20 segundos, que a exaltação do momento não dá para grandes reflexões, eh eh) decidimos que iamos deixar a playlist tocar aleatoriamente.

Depois, era só ver qual música "calhava" no momento do nascimento do Xavier. :)

Uma espécie de jogo.

 

Aguns minutos depois, um bebé lindo conheceu o mundo, ao som de....

 

 

Honestamente, não podia ter escolhido melhor banda sonora. 

Esta é a música do nascimento do Xavier, cantada por dois dos melhores músicos do nosso país.

Um cover de uma música que eu já adorava na minha infância. Uma música que canto várias vezes em casa e que me faz recordar o tempo em que o pessoal ainda se colava à TV para ver a novela...

 

Foi um momento... lindo. Nunca mais irei esquecer. 

Para que serve uma Doula?

Junho 30, 2018

O Triângulo Perfeito

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Tem sido um longo (mas agradável) caminho, este que fiz em busca de um parto mais natural, respeitado e fisiológico.

Nessa jornada, algures pelo meio, encontrei algo que me deu mais confiança e tranquilidade: falo dos serviços de uma doula.

Honestamente, nunca pensei entrar nestes campos mais "alternativos", mas já devem ter visto num post anterior que as coisas por aqui... estão a mudar... :)

 

O que é uma doula?

 

A palavra Doula vem do grego e significa “mulher que serve”. O termo é, normalmente, utilizado para referir-se à mulher sem experiência técnica na área da saúde, que orienta e assiste a nova mãe durante o parto e, mais tarde, nos cuidados com bebé.

 

Hoje em dia, contudo, já existem médicos e enfermeiras parteiras que conciliam a sua atividade profissional com a função de doulas.

 

(O que é ótimo, pois para além do apoio psicológico, sabemos que podemos contar com conhecimentos científicos e até mesmo alguma ajuda técnica.)

 

O papel da doula é oferecer conforto, encorajamento, tranqüilidade, suporte emocional, físico e informativo durante o período de intensas transformações que a mulher está a viver.

 

Quando o parto é domiciliário, a doula tem um papel mais ativo, ajudando em todas as fases do processo.

Já quando a mulher dá à luz em contexto hospitalar, as coisas são um bocado diferentes: a doula deverá respeitar e não pode interferir nas decisões da equipa médica.

Neste caso, oferece apenas (e já é tanto!) o seu suporte, tranquilidade e experiência e encorajamento à futura mãe. 

 

Eu imagino as doulas como as claques nos jogos de futebol. Não são elas que marcam os "golos", mas estão ali a dar força e ânimo aos jogadores, eh eh. 

 

Ou então, podemos vê-las como o público de uma maratona. Aquele público que vai gritando pelo seu atleta favorito, que não o deixa desistir mesmo quando ele já está nas últimas. Ou como o apoiante que estende uma garrafa de água ao atleta, para que este mate a sua sede e consiga dar mais um passo em direção à meta.

 

 

Novo parto, hospital diferente

Março 27, 2018

O Triângulo Perfeito

No dia 11 de novembro de 2015, pelas 22:30 entrei no hospital para ter o meu primeiro filho.

Segundo  uma primeira análise, eu não tinha qualquer dilatação, e nem sequer existiam as ditas contracções. Apenas e só me tinham rebentado as águas.

Pediram para tirar a roupa, vestir uma bata branca e deitar numa cama. Foi-me  administrada uma substância por via intravenosa e disseram-me para aguardar deitada na maca.

Colocaram-me uma cinta para monitorizar os batimentos de mãe e bebé. E ali fiquei.

Algum tempo depois, o monitor indicou braquicardia fetal e fui imediatamente levada para o bloco operatório para uma cesariana de urgência.

Se a cesariana foi necessária? Penso que sim. Afinal de contas, havia "sofrimento fetal".

Mas será que o bebé teria entrado em sofrimento se o parto tivesse ocorrido de forma mais natural?

Passo a explicar. Sinto que foi tudo muito rápido, frio, e asséptico. 

Os estudos demonstram que a administração precoce de algumas substâncias para induzir o parto, aumenta as probabilidades de braquicardia. Sendo assim, porque não esperar um pouco, já que o processo ainda estava no início?

Sinto que não tive liberdade de movimentos pois mal cheguei disseram para deitar numa maca. Isto quando todos sabemos que caminhar ajuda à dilatação e ao desenvolvimento do parto.

Sinto que não foi dado o devido tempo para que as contrações começassem espontaneamente.

Sinto... enfim... sinto que era muito tarde, que todos estavam cansados... não consigo deixar de pensar (desculpem-me se estiver enganada) que ninguém quis "esperar" por mim. Ninguém quis dar hipótese para que o meu corpo começasse efetivamente o seu trabalho.

 

Apesar de estar feliz pelo nascimento do meu filho, ficaram no meu íntimo várias dúvidas sobre o processo e muita mágoa acumulada que acabou por condicionar o meu estado de espírito nas primeiras semanas pós-parto. Não tive uma depressão pós-parto, mas sofri imenso com o baby blues.

Por isso, prometi a mim mesma que iria pesquisar mais, e procurar as respostas que me faltavam. Passei meses e meses a ler e a consultar dados, estatísticas e teses de mestrado.

Até que engravidei pela segunda vez.

Já na posse de muita informação decidi que iria enverdar por outros caminhos.

Voltei novamente à pesquisa, às conversas com colegas, aos fóruns de mães e de grávidas...

Até que, finalmente, encontrei o local certo para mim. O local certo para ter o meu segundo parto.

Refiro-me ao Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim. Um local que reune consenso em termos de qualidade, e onde já se pratica há alguns anos aquilo que todas as muheres sonham- um parto humanizado.

Escolhido o hospital, fui ver com os meus próprios olhos a dinâmica do local.

Quis tentar saber se todas as coisas boas que tinha ouvido e lido eram mesmo verdade.

Seria este um hospital amigo das mulheres?

Um local onde as vontades da mãe seriam respeitadas?

Seria este um local onde eu teria carinho, cuidados permanentes e uma atenção constante ao desenrolar do parto?

Fui confirmar.

Certo dia, meti-me a caminho com o meu marido e estacionamos em frente ao hospital.

Visto de fora, a fachada pouco prometia: um edifício velhinho a necessitar de obras de restauração urgentes!

Mas não desanimámos. 

Já tínhamos marcado pelo telefone a visita às instalações e logo que entrámos no bloco de obstetrícia fomos carinhosamente recebidos pela enfermeira Élia. 

A empatia foi imediata. E o nosso sentimento de segurança foi crescendo à medida que a enfermeira nos fazia o "tour" pelo bloco de partos e instalações. 

A primeira coisa que nos disse, depois de saber que vínhamos de um Hospital Privado, foi:

- Atenção, que isto aqui não é nenhum hotel! Mas podem ter a certeza que estão em boas mãos.

Respondemos que não estavamos interessados num "hotel". Só pretendíamos carinho e respeito.

- Então, fiquem descansados, pois vão encontrar tudo isso aqui.

Durante mais de uma hora, percorremos as cinco salas de parto (modernas e restauradas) onde é possível ser acompanhada por duas pessoas ( e não uma, como noutros hospitais), onde temos bolas de pilates, banco de parto, chuveiro, televisão, possibilidade de ouvir música escolhida por nós. Numa das salas, a "famosa" banheira escolhida por algumas mães para o parto na água. 

Gostei tanto, tanto, tanto!

E a parte de que gostei mais, foi saber que não só é permitido mas também fomentada a ideia de a grávida fazer um "plano de parto".

Sei que brevemente, terei uma reunião no hospital com a equipa de enfermagem, para decidirmos em conjunto o plano de parto. E isto é uma prática corrente neste hospital.

Saí de lá com o coração cheio e com todas as minhas dúvidas dissipadas. 

Sei que o meu parto poderá correr bem, mal ou mais ou menos, mas tenho a certeza de que vão fazer tudo para que este seja "o dia mais feliz". 

Aguardo com alguma ansiedade o dia da chegada do novo bebé. Mas estou cada vez mais confiante e segura da minha escolha.

Entretanto, começarão as aulas de preparação para o parto (algumas na piscina da Póvoa de Varzim - mais uma inovação do hospital).

Mal posso esperar! :)

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