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O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

Agora safa-te desta, mãe

Março 29, 2019

O Triângulo Perfeito

Como Vasco ainda não tem grande noção da duração dos meses e das estações do ano, costumo usar a árvore em frente a nossa casa para o ajudar nesse processo. Acho que já tinha falado disso, aqui. 

Na semana passada, e como ele me estava sempre a perguntar quando é que começavamos a ir para a praia, repeti o método usado no Natal. Disse-lhe:

- Olha, está a ver aquela árvore que está ali em frente e que não tem folhas nenhumas? 

- Sim...

- Pronto. Quando essa árvore se encher de folhas, é porque chegou o verão. 

- Ai é?

- Sim! E nessa altura.... serão horas de irmos para a praia, yeiii!!

- E como é que a árvore sabe que são horas? Onde está o relógio?

- Qual relógio?

- O relógio da árvore que diz as horas.

- A árvore não diz as horas. Nós é que vamos olhar para a árvore e perceber que chegou o verão, logo... está na hora de irmos para a praia. Porque ela nessa altura a árvore vai estar cheia de folhas. Ao contrário de agora que não tem folhas nenhumas.

- Mas se vai estar cheia de folhas, não se vai ver o relógio!... (cara preocupada)

- As árvores não têm um relógio, Vasco... é uma maneira de dizer...

- Hum... 

 

É de mim, ou desta vez o "método da árvore" saiu-me ao lado? :)

Quando a última árvore perder as folhas...

Dezembro 22, 2018

O Triângulo Perfeito

IMG_1001.JPG

 

Crianças com menos de 3 anos têm muita dificuldade em interiorizar o tempo. Para elas, existe apenas o "agora" e essa é uma das razões por que são tão impacientes e com dificuldade em esperar.

 

Então... como falar do tempo nessas idades?

Como transmitir a ideia de sequencialidade e duração do tempo?

 

Com o meu filho Vasco utilizo uma estratégia que tem dado resultado.

Por exemplo, há uns tempos ele perguntou-me quanto tempo faltava para o natal. 

Respondi-lhe que faltava cerca de um mês. Ao ver a cara dele percebi imediatamente que ele não fazia a mínima ideia qual a duração do mês.

- É amanhã? - perguntou-me.

- Não... têm que passar muitos dias. 30 dias...

E logo a seguir lembrei-me que ele ainda nem sequer sabe contar ate 20, portanto, não iria compreender o que eu estava a dizer.

Solução? Ser imaginativo!

Em frente à nossa casa existe uma fila de árvores de folha caduca. À medida que o outono foi avançando, as folhas começaram a cair.

Então... expliquei ao meu filho que o Natal chegaria apenas quando todas as folhas mudassem da cor verde para a cor amarela ou vermelha. E para além disso, as folhas tinham que cair na totalidade.

(e rezei a todos os santinhos para que as árvores não ficassem sem folhas mais cedo do que o previsto eh eh)

Todas as semanas, há uma árvore que vai ficando despida. E eu vou dizendo ao Vasco:

- Olha! Já cairam as folhas da terceira árvore. Estamos mais perto do Natal!

E ele fica todo entusiasmado.

Neste momento, das cinco árvores da nossa rua há apenas uma que ainda retém 3 ou 4 folhitas.

O Vasco comentou comigo que deve faltar mesmo muito pouco tempo para o Natal porque as árvores "agora já estão quase todas nuas, não têm folhas para se vestirem".

Assim, de uma forma simples e até divertida fomos vendo o tempo a passar devagarinho. Observando e registando verbalmente o "progresso das árvores".

O Vasco percebeu através deste pequeno jogo que "um mês ainda são muitos dias".  Com o bónus de ter compreendido melhor as transformações da natureza durante o outono/inverno.

Acho que foi uma forma poética de lhe mostrar o quanto faltava para o Natal.

Gosto de acreditar que no momento em que a última árvore do parque deixar cair a sua última folhinha... o pai natal vai bater à porta e a MAGIA vai continuar.

Feliz Natal!!

 

Nota da autora:

Aos 4 anos, uma criança é capaz de interiorizar que existem diferentes dias da semana, mas a capacidade de identificar esses mesmos dias consolida-se apenas aos 6. 

Aos 5 anos, a criança distingue muito bem manhã, tarde e noite, utilizando corretamente esses conceitos na sua linguagem. Aos 7 anos, indica o mês em que se encontra, e aos 8 anos.. indica o ano.

Só por volta dos 12 anos é que as crianças conseguem avaliar corretamente a duração de uma conversa.

Estes dados refletem a média da população e, como é natural, poderão existir variações individuais. A ideia a reter é que a noção do tempo é um processo evolutivo que ocorre em simultâneo com o desenvolvimento da linguagem e da memória. 

 

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