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O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

O "menino no poço" não foi um filme de terror

Janeiro 26, 2019

O Triângulo Perfeito

Eu gosto de filmes de terror. Faço um chá com bolachinhas, enrosco-me numa manta no sofá e, com a luz apagada, preparo-me para duas horas de adrenalina.

Vou seguindo a história com a respiração ofegante. Com um olho aberto e outro fechado. E às vezes mudo de canal quando percebo que vem aí uma cena sangrenta.

Fico sempre à espera que o drama acabe bem, mas depois lembro me que é um filme de terror. É suposto o herói morrer no fim.

Acordei hoje para saber que Julen, o menino de Málaga, tinha sido encontrado sem vida.
Julen morreu como nos filmes. Com a diferença que a vida não é um filme.

Não há chá nem bolachinhas que consigam apaziguar a dor dos que ficam.

Não há manta alguma que nos possa aquecer o coração partido. Nenhum sofá conseguirá alguma vez servir de sustento para acomodar o sofrimento daqueles pais.

Não há pipocas que nos façam distrair do momento.

Não nos podemos levantar e ir embora, deixando o final infeliz para outro dia.

Não há um comando com botão de retroceder, para recuar até à parte da história em que Julen ainda não tinha caído num poço.

A morte de julen é real. Os fantasmas existem mesmo. A dor é infinitamente verdadeira.

É tudo triste e sombrio nesta história. Não é um filme. Está mesmo a acontecer. 
E não adianta mudar de canal.

#Mimanoajulen

Janeiro 18, 2019

O Triângulo Perfeito

As pessoas dizem coisas para nos acalmar, para nos sentirmos melhor.

Sempre que passamos por uma provação ou perda, as pessoas dizem que "são lições para a vida", que tudo aconteceu "com uma finalidade" ou que "temos que retirar o bom dentro do mau que aconteceu".

Quando tive o parto do Xavier, a minha doula segurava-me a mão e repetia várias vezes esse mantra. Que eram dores infinitas, sim. Mas que tinham um sentido, uma finalidade. Que era o nascimento do meu bebé.

E eu percebo essas dores. Percebo que sejam dores mágicas, com algum sentido. E sei que o sofrimento apaziguou-se no momento em que o vi. E tudo terminou bem. Não guardo mágoas dessa dor.

Mas não consigo encontrar o sentido na perda de um filho.

Qual é a finalidade?! O que de bom podemos retirar daí? Qual é o objetivo dessa dor?

Julen é um menino de dois anos que caiu há cinco dias num poço, em Málaga.

Nada se sabe acerca do estado de saúde desta criança. Ninguém sabe se algum dia conseguirão efetivamente retira-lo de lá. Ou quando.

Os pais de Julen perderam outro filho há dois anos.

E estão na eminência de perder outro.

Como mãe (e só de imaginar perder um dos meus filhos fico com lágrimas nos olhos) não posso deixar de acompanhar atentamente as notícias sobre o caso de Julen.

Acho que todas as mães e pais deste mundo estão assim, expetantes, agarrando-se à televisão e às notícias, com uma réstia de esperança.

 

Porque Julen é filho de outros, mas podia ser filho de qualquer um de nós.

 

Por isso... sim... num mundo em que as redes sociais dominam a nossa vida... acho bem existir um hashtag em nome desta causa. Se há hashtags para tudo, que haja também para isto.

 

#Mimanoajulen 

 

Todos nós estamos com Julen. Com as mãos metaforicamente sobre ele, a abraça-lo e a consola-lo ainda que seja em pensamento.

Mi mano a Julen. Mi mano a seus pais... E mi mano a todos os pais que um dia tiveram que lidar com a dor de perder um filho. Ninguém merece.

 

Que Julen regresse em breve. Que Julen regresse para junto de seus pais.

 

Não me digam que todas as perdas têm um sentido.  Há perdas que não têm sentido algum. 

Não me digam que todas as dores têm uma finalidade. Há dores que só servem para isso. Para nos partirem o coração em estilhaços tão pequenos que uma vida inteira não vai conseguir colar.

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