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O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

Prometo compensar-te!

O Triângulo Perfeito, 22.05.19

Têm sido dias intensos a nível laboral e as 24 horas do dia não chegam para realizar com eficácia todas as tarefas da minha lista.
A minha mesa da sala de jantar está cheia de papelada, o cesto da roupa a transbordar, na escola multiplicam-se as reuniões, há imensa documentação ara preencher. Simultaneamente, meti -me numa ação de formação ao sábado à tarde e já não tenho o sábado de manhã livre há muito tempo porque dou apoio a um primo que está a preparar-se para os exames. 
Ao domingo temos tido sempre festas e aniversáriosa aos quais vamos com muito gosto, mas que impedem a realização de outras atividades de caráter mais livre em família. 
Sou uma pessoa muito exigente e procuro sempre ser a filha ideal, a esposa ideal, a amiga perfeita, a profissional sem mácula. Mas claro que isto nem sempre é possível e depois lá vem a famosa CULPA. 
Sinto que o meu filho mais velho está carente de atenção e não tenho conseguido estar mais que meia hora dedicada a ele nos últimos dias. Mesmo quando estou a brincar com ele, a minha cabeça está noutro sítio, estou a pensar nas mil e uma coisas que tenho para fazer. 
Resultado? O Vasco ressente se e manifesta à maneira dele : portando-se mal e desobedecendo a todos os meus pedidos. 
Posto isto só me resta prometer-lhe uma coisa : vou compensar -te filho! Quando esta fase terminar vou compensar toda a gente.
E um dia, se o tempo me permitir ... hei arranjar um momento para me compensar a mim também. 

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Projeto novo!

O Triângulo Perfeito, 03.06.17

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Pois é! Tinha dito, no final da semana, que ia anunciar o nascimento de um projeto novo e... aqui estou eu! 

É só para dizer que vem aí mais um blog! E esse blog (também dedicado às questões familiares) será tornado público na próxima semana!

Espero que gostem do que vem aí! Mas não se preocupem: o blog "triângulo perfeito" por cá continuará. Aliás, faz todo sentido escrever nos dois sítios ao mesmo tempo. 

Como poderão ver, brevemente, os dois blogs complementam-se :)

Qual deles terá mais sucesso? Não sei. 

Aguardam-se "cenas dos próximos episódios". :))

Top Posts (... e continua a celebração!)

O Triângulo Perfeito, 01.06.17

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Como já o disse aqui, este blogue fez seis meses recentemente. Achei que seria giro fazer alguns posts para celebrar e resolvi dedicar uma semana inteira ao assunto.

 

No post anterior, homenageei alguns dos bloguers que me vão seguindo através deste site. E hoje? De que vou falar?

 

Hoje vou falar dos posts que essas pessoas mais gostaram, ou seja, daqueles que tiveram mais comentários. Aproveitarei para vos sugerir também alguns blogues. 

 

Portanto... tharararara (barulho triunfante de trompetes e pratos metálicos), aqui vai o TOP posts:

 

1- O meu post mais comentado foi  "Planos? Sou mãe! Não me façam rir". 

 

O texto que escrevi fala das principais dificuldades que senti nos primeiros meses de maternidade.

Gostei de fazer esse post... saiu-me da alma!! Acabou por ser uma espécie de desabafo, com o qual muitas pessoas se identificaram

Claro que o facto de o post ter aparecido nos DESTAQUES do SAPO, deu uma grande ajuda... Nesse dia tive milhares de visualizações. Foi uma sensação espetacular! Obrigada equipa do SAPO. 

Foi também a partir dos comentários a esse post que conheci e passei a subscrever dois blogues que adoro.

Um deles é o blogue Vida às fatias; o outro é "Vinil e purpurina".

As autoras destes blogues são mães, profissionais e mulheres que sabem o que querem. E têm sempre peripécias engraçadas para contar sobre o seu dia-a-dia!

Gosto muitoooo!

 

2- O segundo post mais comentado no meu blogue foi "Fico tonta e mal disposta quando faço exercício. Acontece isto a algum de vocês?".

 

Várias pessoas comentaram o post, tentando ajudar-me com o meu problema em exercitar. Uma delas foi a autora do blogue "Belita, a rainha dos couratos".  Olhem... eu ainda não subscrevi muitos blogues de culinária. Mas este foi um dos poucos que fiz questão de ter na minha lista. Receitas simples e eficazes. Espreitem! :) 

 

3- E a medalha de bronze para os posts mais comentados do meu singelo blogue vai para.... "O meu filho nunca fica sentado no restaurante".

 

Ora aqui está um post onde, uma vez mais, desabafei sobre uma questão que me está a preocupar.

Neste momento, o ponto da situação está... igual, eh eh. O meu filho continua sem conseguir estar sentado em espaços públicos :)

Demasiados estímulos para uma criança tão curiosa e ávida de informação, concluo. 

 

Não queria terminar o texto de hoje, sem vos falar do post que eu mais gostei de escrever.

Apesar de não ter recebido muitos comentários, gostei tanto de falar daquele assunto....

Apesar de este ser um "Baby blog", nem sempre me apetece escrever sobre fraldas e biberões. Gosto também de usar este espaço para desabafos, para partilhar as histórias do mundo, e para matar a sede da escrita.

 

"A solidão mora ao lado". Mas às vezes também mora dentro de nós. Cabe-nos encontrar estratégias para preencher os silêncios que as vezes incomodam o coração, antes que eles ocupem o espaço destinado às boas memórias e aos projetos felizes. 

Escrever pode ser uma arma eficaz. E eu escrevo com paixão.   

O tão aguardado post n.º100! E muitas... muitas homenagens...

O Triângulo Perfeito, 27.05.17

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Quando decidi iniciar este blogue, fiquei com receio de que esta fosse mais uma das minhas aventuras temporárias. Daqueles projetos aos quais me agarro com paixão, para largar meia dúzia de dias depois, com desinteresse e cansaço. 

 

Mas os meses foram passando e o blogue foi-se mantendo. Ás vezes, de modo mais contínuo; com paragens, nos períodos de maior trabalho. Mas sempre a bombar!

 

Por que escrevo? Toda a gente que escreve quer ser lida. Todos os bloguers são um bocadinho vaidosos e carentes de atenção. Por isso, estaria a ser hipócrita se não dissesse que sim: gosto que me leiam!

 

Mas acima de tudo (e acho que é este o factor que faz este blogue durar), escrevo porque quero registar as minhas memórias. Quero que as imagens, as experiências, as aventuras, as supresas e as desilusões (sim, porque também as há) desta família triangular, fiquem registadas para a posteridade. 

 

Eu encaro este blogue como um diário. Desejo que um dia o meu filho tenha curiosidade de ler estas páginas virtuais e possa assim recordar toda a sua infância. E perceba que todo o amor e toda a felicidade que a vinda dele ao mundo gerou. 

 

Este blogue é a biografia da minha família. Três pessoas imperfeitas, a viver num triângulo perfeito.

 

Por isso, obrigada a todos os visitantes do mundo virtual, que tiveram a simpatia de me visitarem, de  "likarem",  "favoritarem", comentarem e partilharem os meus posts!

 

E quem são esses visitantes?

 

Começando pelo meu primeiro "Favorito"... Ele veio pela mão da Maribel Maia, autora do blogue "Educar (Com)vida". A Maribel é licenciada em Ciências da Educação e eu prezo muito a opinião dela, nas questões associadas a esse assunto. 

 

Foi tão bom receber esse primeiro favorito! A verdade é que eu já andava há um mês na blogosfera, a escrever basicamente para ninguém, quando este favorito caiu do céu. Obrigada Maribel, foi um impulso para eu não desistir da escrita!

 

E já que falamos em favoritos, aqui fica o TOP 3, dos blogues que mais "favoritaram" os meus posts!

 

1- Duas Mulheres e Meia : Aqui está um blogue bastante popular, com imensos subscritores. Gosto muito de ler as coisas que escrevem! 

 

2- 1simplesdesconhecido: Adoro esta menina! Simpática, atenta e tão perspicaz, apesar dos seus 19 aninhos! Neste momento, a nossa "desconhecida" retirou-se durantes uns dias da blogosfera para estudar para os exames. Espero que os exames corram bem e que regresse depressa! Admiro-a muito. Apesar de o seu blogue ter praticamente a mesma "idade" do meu, ela já tem imensos subscritores. Parabéns!!

 

3- Chic'ana: Quem não conhece a Chic'ana aqui na blogosfera? É um dos blogues mais populares e comentados e eu gosto muito de o ler. A chic'ana foi dos primeiros blogues que subscrevi e não me arrependo. Neste momento, ela está a viver uma grande aventura... ;) Desejo tudo de bom para esta fase tão boa que se avisinha!! :)

 

Também é importante para nós que escrevemos, sabermos o que pensam os nossos leitores. E não há nada como um comentário para nos encher a alma e nos dar força para continuar. 

 

Vamos falar de comentários? :)

 

O primeiro blog a comentar os meus posts foi o Heterodoméstico. E é também a ele que pertence a medalha de ouro, no que toca ao número de comentários!

 

O Heterodoméstico é um blogue bem humorado que nos dá a conhecer as notícias mais bizarras, bem-dispostas, malucas e risonhas que andam a circular no planeta.

 

É sempre bom visitar este blogue para relaxar um pouco e rir um bocado com as coisas que se passando por este mundo. Obrigada HD pelos teus comentários e parabéns pelo blogue.

 

Querem saber quem é que també comentou os meus posts?

Aqui fica o TOP 4 dos comentários:

 

1- Heterodoméstico (já dele falei acima)

2-. Melhoramigaprocura-se: um blogue que adoro; uma escrita muito assertiva e com muita sensibilidade. Gosto também do facto de a irmã da blogger e do marido, também escreverem de vez em quando. Dá uma dinamica gira ao blogue. Gostava de conseguir convencer os "meus" a fazer o mesmo, mas não estou a ter sucesso, para já. :)

3- 1simplesdesconhecido (já deste blogue falei, mais acima neste post)

4- Mamã Silvestre: um blogue sobre a experiência da maternidade, com muita alegria e bom humor à mistura. Gosto da forma leve, simples e por vezes um pouco irónica com que esta blogger vai contando as suas aventuras como mamã. Recomendo! Espreitem! :))

 

Há ainda outros blogues dos quais gostava de falar. Mas este post número 100 já está a ficar gigante!

Aproveito então para vos dizer que vou dedicar toda a próxima semana a falar desta experiência de 6 meses no SAPO BLOGS

 

Vou...

- falar da grande aventura que foi aparecer nos DESTAQUES

- mencionar e dar a conhecer mais alguns blogues que ADOOORO

- homenagear as pessoas que me seguem no instagram e na página do facebook do blogue. 

 

Para o final da semana... reservo uma grande surpresa... PREPAREM-SE!!

 

O meu filho nunca fica sentado no restaurante

O Triângulo Perfeito, 22.05.17

... e isso está a aborrecer-me um bocado.

Tinha prometido aqui há uns tempos (mais concretamente neste post) que ia tirar um tempinho para falar do assunto mais detalhadamente. Pois bem... aqui estou eu! :)

O Vasco não é capaz de ficar sentado numa cadeirinha de um restaurante. Nem 1 minuto fica. Na maior parte das vezes, nem sequer o consigo enfiar na dita cadeira, tal é o berreiro.

Para além disso, fica bastante nervoso e agitado sempre que o levo a qualquer sítio que seja fechado e relativamente barulhento. São tantos estímulos a desafia-lo (novidades, cores, sons) que ele simplesmente não consegue estar quieto no seu lugar. Tem que ir ver, tocar e experimentar.

A verdade é problema já vem de longe...

Desde muito pequenino que o Vasco tem dificuldade em manter-se calmo em locais como shoppings, cafés e restaurantes. 

Lembro-me de ele ter 2 ou 3 mesitos e berrar como um desalmado sempre que eu ia (tentar) lanchar num café que fica mesmo ao pé de minha casa. 

E ficava piursa... Em casa estava relativamente calmo, na rua também.

Mas chegando ao dito café (que até nem era nada barulhento), começava a refilar na sua língua: buááá!!! 

Conclusão. Para tranquilidade dos restante clientes, eu acabava por me levantar e ir embora. Muitas vezes nem sequer chegava a degustar o lanche. Pedia à empregada para colocar o pão numa saca e comia em casa...

Escusado será dizer que esta dificuldade em levar o Vasco a sítios públicos tornou a minha licença de maternidade um experiência um pouco frustrante. 

Vamos lá recapitular. O V. nasceu no inverno, quando o tempo está frio e chuvoso.Não podia andar com ele a passear na rua. A alternativa, quando queria fazer um programa um pouco diferente, era irmos ao café ou a um sítio fechado como a um shopping. 

Sempre que tentava fazê-lo, chegava a casa frustrada e com vontade de chorar. 

Lembro-me concretamente de uma outra experiência "traumatizante". Tinha o V. cerca de 7 meses, "tentei" ir com ele ao um shopping que tinha aberto recentemente perto de minha casa. Combinei com uma amiga que também tem um filhote da mesma idade e lá fomos as duas, cada uma no seu carro.

Alimentei convenientemente o Vasco antes de ir, deixei que este dormisse uma boa sesta... enfim, calculei todos os pormenores para ver se desta vez a coisa corria bem.

Nada feito! Chegando ao shopoing o meu filho ficou nervoso, agitado, fartou-se de chorar... A certa altura, com os nervos ele até transpirava :)

Nem uma hora estive no shopping. Regressei a casa com o "rabinho entre as pernas". 

Hoje em dia, felizmente, o V. já está mais calmo no que respeita a shopping. Já no que concerne a restaurantes, é para esquecer. 

Fico um bocado triste quando vejo outras crianças da idade dele, muito bem comportadas na sua cadeirinha. E fico também cansada de andar a correr atrás dele pelo restaurante todo. 

Em casa o V. porta-se bem e aguenta às vezes quase um hora na cadeirinha da papa. E até já aprendeu a comer com a colher.

No restaurante é para esquecer. A minha esperança é que isto seja uma fase (assim como a fase em que ele não gostava de andar de carro, que entretanto passou) e que tudo mude. :)

Dicas? Sugestões?

Como se portam os vossos filhotes nos restaurantes? :)

 

Para todas as Marias deste país

O Triângulo Perfeito, 07.05.17

Depois de ter lido que o ministério da saúde é contra a existência de apelos no facebook para doação de sangue e medula... fiquei irritada. Apeteceu-me ir lá a Lisboa dar-lhes nas fuças.

 

Segundo o mesmo ministério (e passo a citar a notícia que li no jornal Público):

 

 “O número de dadores que se deslocam aos serviços a reboque destas campanhas é impossível de controlar. Face à pressão que exercem, aumenta o risco de não lhes ser fornecida toda a informação necessária. Nem todos percebem o que ser dador implica. A decisão de inscrição pode ser uma resposta emocional, não ponderada, ao apelo e até partir “da noção falsa de que uma pessoa pode inscrever-se para ser dadora de um determinado doente”. E quem assim age “mais facilmente pode desistir”.

 

Meus amigos do ministério, vocês acham que sabem do que falam. Mas não sabem! Algum de vocês teve ou tem neste momento, um familiar doente e a precisar de sangue ou de medula?!

 

Pois... É que se tivessem seriam os primeiros a tentar encontrar ajuda... No facebook, no twitter, no hi5, no orkut, no polo norte... Até contactos extraterrestres vocês fariam, para ajudar os vossos entes queridos.

 

“O número de dadores que se deslocam a reboque dessas campanhas é impossível de controlar”. Esta não percebi. É impossível de controlar porquê? Porque não há capacidade logística, espaço, recursos humanos, seringas para usar tanta gente a querer doar??

 

Se não há capacidade para a avalanche de gente que quer doar… então, meus amigos do ministério da saúde... arranjem capacidade! Para isso servem também os nossos impostos, acho eu...

 

Aumentem os vossos recursos materiais e humanos. Agora o que não pode acontecer é haver pessoas com vontade de doar sangue ou medula e não o poderem fazer só porque o sistema não tem capacidade para absorver tantos beneméritos.

 

Outra… “face à pressão que exercem, aumenta o risco de não lhes ser fornecida toda a infomação necessária”.

 

Ok… concordo. Então vamos lá fazer umas campanhas (como dantes ainda se via na televisão pública) a explicar tudo direitinho sobre este assunto. Isto seria serviço público na TV. Os portugueses iam agradecer..

 

Blá, blá… “a decisão da inscrição pode ser uma resposta emocional, não poderada”. Mas claro que é uma resposta emocional! E ainda bem que o é.

 

É sinal que ainda existem pessoas com bom coração neste mundo. Pessoas que se interessam pelo próximo.

 

“…e quem assim age, mais facilmente pode desistir”. Tudo bem, também concordo.

 

Mas se forem muitos a querer doar... mesmo que metade dessas pessoas desista a meio do percurso, ainda haverão 50% a completar todo o processo até ao fim!!

 

Não gostei desta opinião do Ministério da Saúde. Soou-me a dor de cotovelo, pelo sucesso que muitas campanhas para doação de sangue/medula feitas no facebook estão a ter, face à insignificância das campanhas institucionais dos últimos tempos.

 

Basta ver o impacto da página “Salvar a vida da Maria”, para percebermos a força destas campanhas. E quem está a ajudar a Maria, pode ajudar outros meninos e meninas deste mundo.

 

As redes sociais também têm coisas boas. E esta força, este poder de mobilizar as pessoas para grandes causas é algo a incentivar e não a desencorajar.

 

By the way. A Maria já encontrou um dador de medula compatível. :) Soube esta semana,

Não foi o Ministério de Saúde que me disse. Foi o facebook... E que contente que eu estou por esta feliz noticia!

Há uma linha que separa...

O Triângulo Perfeito, 13.04.17

... as pessoas que têm filhos daquelas que não os tem. E essa linha, essa barreira, chama-se muitas vezes "incompreensão". 

 

Já não é nova aquela história de que há um afastamento entre os amigos, quando um deles decide ter filhos. Se durante a gravidez esse fenómeno pode passar despercebido, há medida que o tempo vai passando... os  cafés e os convívios começam a ficar mais espaçados.

 

No último trimestre de gravidez, por exemplo, há sempre pormenores a ultimar e por muito que tentemos tirar o assunto "bebé" da mente, a verdade é que damos por nós a falar do assunto por dá cá aquela palha. Isto pode ser muito, mas mesmo muito irritante para os amigos que ainda não passaram pela experiência da maternidade... 

 

A coisa fica ainda mais complicada depois de o bebé nascer. Os três primeiros meses são tão absorventes! Se a isto adicionarmos as cólicas do bebé, as noites mal dormidas, o cansaço e a necessidade de amamentar de 3 em 3 horas, não sobra muito tempo para convívios, convenhamos.

 

Por outro lado, é nesta altura que começamos a sentir-nos bem melhor a conversar com pessoas que já têm filhos. Pessoas que compreendem os nossos dilemas, que percebem e aceitam sem dramas quando nos atrasamos para um jantar por causa das crias, pessoas que também estão a passar pelo mesmo e com quem podemos desabafar. Pessoas que nos podem dar conselhos, partilhar experiências... tudo isto sem nos acharem aborrecidos.

 

Neste momento, estou a falar do lado dos pais. E do lado dos amigos que não têm filhos, como é que a coisa fica?

 

Bem... inicialmente esses amigos sentem-se um pouco abandonados. Caramba! Visitaram o bebé, ligaram aos pais, mas... parece que os lanches e os jantares em comum deixaram simplesmente de existir!

 

Já passei por isto quando as minhas amigas tiveram as suas crias. Subitamente, tornaram-se muito pouco disponíveis para mim. De certo modo, senti-me traída, e um pouco magoada...

 

De repente as minhas amigas tinham sumido do mapa. Senti-me muito abandonada pelas minhas amigas-mães. Ainda por cima, fui mãe muito tarde, por isso tive esta sensação repetidas vezes, à medida que as minhas amigas foram "emprenhando" :)

 

Agora percebo que não era de propósito... Que o afastamento nada tinha a ver comigo, mas sim com a desgastante e super ocupada experiência da maternidade. 

 

Há outra coisa que entristece as pessoas que ainda não tiveram filhos. É o facto de os temas de conversa da amiga-mãe, a partir de determinada altura, parecerem andar sempre à volta da puericultura. 

 

Lembro-me de estar grávida e de prometer a mim mesma que nunca, MAS NUNCA aborreceria as minhas amigas "não mães" com temas ligados ao bebé.

 

I was so wrong!

 

É tão, mas tão impossível falarmos de outro tema qualquer (sobretudo nos primeiros meses) quando a maior parte do nosso dia é passada com o filhote. 

 

Perdoem-me amigas do coração, quando vos aborreço de morte, comentando as gracinhas e desenvolvimentos do meu filhote! Sei que sorriem com o coração, porque me adoram, mas também sei que estão desertas para mudar para um tema mais interessante, eh eh!

 

Anyway...ultimamente, tenho tentado aproximar-me de algumas amizades que, no último ano fui deixando (sem querer) para trás. 

 

Durante o dia é difícil, pois o V. está a recuperar da pneumonia e estou quase sempre em casa com ele, mas tento marcar uns jantarinhos.

 

Claro, que às onze da noite e sem que nenhuma das amigas-não-mães consiga perceber já estou a bocejar de morte e a sonhar com uma cama, mas tenho adorado estes momentos de convívio.

 

Não poderia deixar de salientar que é também nesses momentos que a linha que nos separa, às vezes fica mais evidente...

 

Recordo-me de num desses jantares ter desabafado um pouco sobre a minha experiência destes dias em que o Vasco esteve doente. Como ele não tem ido ao infantário, temos estado quase sempre só um com o outro (ultimamente a coisa a melhorar, pois ele já vai à rua de vez em quando). 

 

Não é fácil estar desde as sete da manhã às oito da noite em casa com uma criança que é super, mas super reguila e mexida. Mas é difícil explicar isso a quem não tem filhos.

 

Quando comentei, num desses jantares de "desanuviação" (é assim que eu lhes chamo) que quando o Zé chega a casa a primeira coisa que faço é entregar-lhe o Vasco para os braços (para poder ter pelo menos uma meia hora de descanso), responderam-me:

 

- Coitado do teu marido, chega a casa estafado de trabalhar e tem que pegar logo na criança?

 

Não sei o que responder a isto. Há coisas que só quem é mãe é que percebe. Ainda pensei começar a desfiar o rosário do tédio, da solidão, do cansaço que é estar dias e dias seguidos sozinha com um bebé, mas senti que não valia a pena. Seria importante eu dizer que fico mais cansada em casa do que no meu trabalho?

 

 

Mais... seria importante eu dizer que MATERNIDADE TAMBÉM É TRABALHO?

 

Não sei... fiz um sorriso amarelo e já não sei o que disse a seguir. Mas foi certamente algo de trivial e sem interesse.

 

Não há dúvida. Há uma linha que separa as mães das pessoas que ainda não tiveram filhos.

 

Senti essa barreira quando ainda não tinha filhos e achava super estranhas as minhas amigas mães (sempre tão cansadas, sempre a correr, sempre sem tempo para mim). Sinto agora que sou mãe, a barreira da incompreensão que vem do outro lado.

 

Por muito amigas que sejamos (e sei que elas estarão lá para mim, sempre que eu precisar) há coisas que elas ainda não percebem e não adiantar sequer fazer um esquema. 

 

Resta-me esperar que mais algumas passem para este lado da linha. Até lá, continuo a adora-las e elas a mim.

Mesmo assim, tão diferentes não duvido nunca que seremos sempre amigas!

 

 

Lisboa, a Foz... e o resto de nós

O Triângulo Perfeito, 17.03.17

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As conversas que temos uns cons os outros nos parques infantis podem ser bem-dispostas, triviais ou até mesmo a base para reflexão.

Numa tarde solarenga do mês de março, estava num desses espaços de brincadeira e acabei por entrar num diálogo que me fez matutar.

Um senhora e o seu neto, brincavam alegremente no parque. Como sempre acontece, dado que sou tagarela, não foi preciso muito para que começássemos a falar.

Partilhámos peripécias, recordações e, como é óbvio, falámos das gracinhas dos nossos pequenos (filho/neto). 

A dada altura, a senhora começou a falar dos seus muitos filhos. Ao que parece, "dois vivem em Lisboa, outro vive na Foz e os outros estão todos por cá". 

Como sou muito sensível às pequens variações de tom de voz, não pude deixar de sentir a diferença de entoação- na primeira parte da frase percebi orgulho insuflado, ao passo que a informação "os outros estão todos por cá", foi atirada para o ar com indiferença.

 

Portanto, pelo que percebi: 

 

  • Ser de Lisboa é motivo de orgulho (não interessa de que zona de Lisboa, nem de que bairro). Lisboa é como o Soares ou como o Panda. Lisboa é Fixe. 

 

  •  Tão fixe como ser de Lisboa, pelos vistos, é ser da Foz (do Porto). Confesso que achei piada ao modo como a senhora falou. Não disse que um dos filhos morava no Porto. Não! Ele morava na Foz. Como se a Foz fosse uma outra cidade, bem distante, e completamente distinta. 

 

  • Fora da capital e da zona in do Porto, moravam os outros filhotes. Mas ao contrário dos primeiros, estes não tiveram direito a uma precisa geolocalização.

 

 

Tanto quanto sei, podiam ser de Trás-os Montes, de uma aldeia do nosso concelho ou até mesmo... da cidade do Porto. Sim, da cidade do Porto! Alguns filhos até podiam morar na Avenida da Boavista. Mas não interessa... porque não eram da Foz. E a Foz foi o único sítio a merecer identificação.

 

Adorei conversar com aquela senhora e achei-a super simpática. E esta análise não pretende ser sarcástica... Falo apenas porque achei curiosa a forma como descreveu a morada dos filhos. 

 

A tarde ficou fria e decidi abandonar o parque com o meu pequeno V. Mas antes, ainda fiquei a saber que, no Dia do Pai, ia haver um almoço de família. Todos os filhos se iriam reunir na mesma mesa.

Imaginei "os de Lisboa" com os dedos molhados a afiambrar uma coxa de perú. Vi uma imagem do "filho da Foz" às voltas com a churrasqueira do jardim. Visualisei "os de cá" a pôr a mesa e atacar umas costoletas. Sorridentes e tagarelas, juntos em família. 

E pus-me a pensar: todos misturados com as suas esposas e crianças...seriam assim tão diferentes? Conseguiria eu, distingui-los?!

Penso que não. 

Hoje vou tirar a máscara

O Triângulo Perfeito, 28.02.17

Até porque o Carnaval são três dias. E este - o Carnaval de 2017-  já terminou.

 

Vou tirar a máscara para falar um pouco sobre mim. Vou falar dos meus sentimentos (ui!!!). E quero ainda desabafar sobre esta história dos baby blogs, blogues de maternidade, enfim, o que lhes quiserem chamar.

 

Há muita gente por aí a criticar este tipo de blogues. Podia dar-se o caso de esta ser uma daquelas situações de "ou se ama, ou se odeia", mas nem é disso que se trata...

 

Na verdade, muitos dos que tecem comentários irónicos em relação a baby blogs são pessoas que... seguem esses mesmos blogues secretamente.

 

Só pode! Gosto de acreditar nisso. Caso contrário (e não consigo concebê-lo de outra maneira) como poderiam essas pessoas argumentar de modo tão corrosivo contra os autores desses blogues?

 

Não consigo admitir que se critique algo, ou alguém, sem um profundo conhecimento de causa, o que só poderá acontecer se estivermos bastante a par do seu dia-a-dia... ou seja, lendo todos os posts com bastaannnnnte atenção...

 

Não estou a falar do meu blogue. Nada disso. Sou tão pouco conhecida na blogosfera, que ninguém se dá ao trabalho de me criticar. Se o meu blogue fosse um elemento químico da tabela periódica... era o hidrogénio, ah ah, de tão pequena que sou.

 

 

(o que me deixa triste, mas ao mesmo tempo confortável. É interessante andar aqui a mandar as minhas postas de pescada sem ninguém ver-  dá-me uma certa impunidade)

 

Nah... Quando falo em críticas, estou lembrar-me de baby blogs famosos. Daqueles que são seguidos por milhares de pessoas na blogosfera, ou nas redes sociais.

 

Normalmente, os posts escritos por essas mães e pais babados são inundados de likes e de comentários simpáticos. Mas de vez em quando lá vem um comentário mais maldoso, daqueles tão agressivos que até arrepiam.

 

Li um desses comentários num blogue que ando a seguir e não gostei nada do "tom". Basicamente, o autor do comentário acusava os/as bloguistas de serem fúteis e superficiais, de não terem um trabalho a sério, de não fazerem nada na vida, de sobreviverem à custa do patrocínio das marcas, de andarem sempre em férias e a tirar fotografias... and on, and on, and on...

 

Bem, quando isto quero dizer o seguinte:

 

Tal como ninguém que marca umas férias de sonho, escolhe um destino sujo e aborrecido... também ninguém vai visitar um blogue com o intuito de ler coisas aborrecidas ou ver imagens feias.

 

Tal como ninguém vai ao cinema com o propósito de ver um filme deprimente... na mesma lógica... ninguém subscreve um blogue que vive na base da depressão, das energias negativas, ou de relatos de histórias tristes! Como diz uma tia minha: para triste, já basta a vida, carago!  (Tia Necas, citada por triângulo perfeito, 2017)

 

Os bloguistas dão às pessoas, o que elas procuram. E a maior parte das pessoas procura o quê? Algo que as anime, que as entretenha, que traga conhecimentos e novas aprendizagens, acho eu.

 

Algo que lhes dê informação útil, mesmo que essa informação seja algo simples e corriqueiro como "encontrei um novo método para o meu bebé não atirar coisas dentro da sanita".  Acreditem que para nós, mães, todas as informações são valiosas.

 

As pessoas querem aprender. E querem ser felizes. E se um blogue lhes der isso tudo... então, tudo bem!

 

Não caiam na ingenuidade de pensar que a vida dos autores dos blogues é linda e simples. Eles também têm os seus problemas, os seus dramas pessoais. Também ficam doentes e também dão puns malcheirosos como o resto de nós 

 

Mas eles dão-se ao trabalho de fazer posts frescos, leves e divertidos, quase todos os dias. Em alguns casos, várias vezes ao dia.

E quando alguém faz do blogue uma profissão, a responsabilidade é muita. Ele vive daquilo. No fim do mês, ele tem que pagar as suas contas com aquele blogue. É um pouco assustador.

 

Se são patrocinados pelas marcas? Parabéns. É porque o mereceram. É porque as marcas repararam que esses blogues agradam aos leitores e decidiram investir neles. 

 

Se são convidados para ir a sítios giros e a passar férias em bons hotéis? Parece interessante!

 

Mas... também deve ser cansativo andar de um lado para o outro com filhos (às vezes super pequenos) às costas, cheios de tralha e ainda por cima com a obrigação de se estar giro e limpinho para fazer boa figura nas fotos.

 

Olhem eu, que sou um bocado desleixada e ultimamente ando super preguiçosa com o meu estilo pessoal! Não sei se gostava de ter que andar sempre "nos trinques" a ter que correr para a cabeleireira dia sim, dia sim para ficar com um ar chique e giro.

 

E não sei se gostava de ter uma agenda preenchida com sítios pré-definidos para visitar. Gosto tanto da minha liberdade!

 

Mas há outra coisa: os baby blogues também vivem da realidade. Não contam apenas a parte cor de rosa da vida. Só quem está desatento é que acha isso. Eles também relatam as histórias do dia-a-dia. E, com isso, arrecadam a simpatia da outra parte do público. Aquela parte que não quer saber dos cremes, das estâncias de luxo, nem das roupinhas giras dos bebés. Daquela parte que se quer sentir compreendida na sua alegria e na sua dor. Penso que o grande trunfo de um bom bloguista é saber equilibrar estas duas vertentes: o mundo de sonho e a realidade.

 

Se eu me estiver a sentir uma mãe imperfeita, cheia de medos e receios, com vontade de atirar pratos pelo ar... e se vir escrito num blogue que há mas alguém com esse mesmo estado de espírito... SIM, eu vou ler o post até ao fim! Sim, eu vou prestar atenção!

 

Porque a culpa que me invade, a sensação de ser uma PÉSSIMA mãe , poderá ser atenuada se eu souber que algures, mesmo que seja no outro lado do mundo, há uma alma-blogo-gémea que também se sente EXATAMENTE assim.

 

E é por isso que os autores dos blogues sacrificam muitas vezes a sua privacidade. E nos contam alguns dramas, medos e inseguranças relacionados com a sua vida familiar. Acredito que custe imenso essa sobreexposição (sobretudo, quando se trata de abordar conflitos e dramas), mas tudo faz parte do ato de se escrever (verdadeiramente) um blogue.

 

Bem...mas eu disse que hoje ia tirar a máscara e ainda não tirei.

 

A verdade é que também vim aqui para dizer que estou em "modo depressão", esperando um pouco de apoio e empatia virtual da minha querida blogosfera. 

 

 

Tive um Carnaval DE MERDA, estou cansada, esgotada e a precisar de férias. Sinto que não gozei metade do que devia ter gozado nesta terça feira feriado. E ontem, embora não tenha ido trabalhar, passei grande parte do dia nos hospital com o V. a fazer nebulizações.

 

Hoje choveu PA CARAÇAS, fez um frio que me ENTRANHOU NOS OSSOS, e eu estou com uma NEURA tão grande que se fosse fumadora já tinham açapado, sem exagero, para aí uns cinco maços de tabaco. O meu marido diz que eu estou com TPM, mas já fui à agenda e confirmei que não - é mesmo neura e exaustão.

 

Passei o dia todo a ouvir o meu filho chorar, berrar e fazer birras por isto e por aquilo. Só não chorei porque acho que já nem lágrimas tenho (devo ter gasto todas naqueles quatro primeiro meses das cólicas). Mas estou super em baixo, e não estou a brincar quando digo isto. 

 

Penso que o ventilan (que agora colocamos na câmara expansora ) o está a por nervoso. Seguindo as indicações da médica das urgência, aumentamos a frequência dos puffs e do tempo de exposição ao medicamento. Mas a reação está a ser uma loucura. Tudo isto juntamente com dúvidas sobre se o estarei a educar como deve ser, porque as vezes parece-me que estou a criar "um pequeno tirano".

 

Ando tão triste, tão desiludida com a minha vida e com o pouco tempo que tenho para mim própria que esta semana comentei com uma amiga:

 

"Sabes, os filhos deviam ser como as TV. Devia haver um comando para a gente os desligar um bocadinho naquelas fases em que estamos mesmo de rastos com o cansaço."

 

Resposta da L.: Oh, mas isso que tu queres já existe! São os tamagoshi! Queres que eu te compre um?

 

Não... só queria mesmo descansar. Domir e descansar. 

 

Este foi o post possível. Uma mixórdia de temáticas a fazer juz à minha confusão mental. Parece que esta autora quando tira a máscara é uma pessoa um bocado estranha.

 

Mas então, e este não é um baby blog? Onde é que estão as imagens fofinhas? As roupinhas da miudagem? As receitas de culinária com ingredientes bonitos mas que ninguém conhece e são super difíceis de arranjar no supermercado? Os relatos das peripécias do pikeno??

 

Bem pessoal: todas essas coisas estão AQUI, aqui e aqui neste blogue. Ora vão lá espreitar!

 

Desculpem-me, mas hoje o dia foi de opiniões e confidências. Hoje, foi para isto que me deu. E preparem-se que neste baby blog, às vezes, também se vai falar de coisas sérias. Ou deverei mudar de categoria?

A solidão mora ao lado

O Triângulo Perfeito, 17.02.17

Esta semana, estava na fila de uma caixa de hipermercado à espera para pagar as minhas compras quando a senhora que estava à minha frente (e que, até ali, tinha estada serenamente calada) começou a falar:

 

- Sabe - disse a senhora virada para a menina da caixa - levo comida para mim e para o meu touro. É um touro amarelo, lindo de morrer. Ai que lindo que ele é! O meu touro...

 

A menina da caixa continuou a passar os itens no leitor de códigos de barras. Na sua juventude despreocupada, ignorou a conversa da mulher.

 

Eu tambem estava com ganas de ignorar. Mas como estava mesmo à minha frente pude reparar bem. A senhora que encetou a conversa devia ter para aí uns 65 anos. Já com cabelos brancos, pele enrugada, mas com um ar distinto e bem cuidado. Parecendo não reparar na impaciência das pessoas à sua volta, continuou a falar com um vigor estranho:

 

- Bem... na realidade eu não moro com um touro. É um gato amarelo! Mas come tanto, tanto, tanto, que parece um touro. Ai, os sacos de comida que eu tenho que levar para ele. Estoura-me o ordenado. Ai, o maroto. Ai!

 

A menina da caixa olhou para mim rebolando os olhos. As pessoas da fila trocaram olhares de desprezo cúmplice. E eu só pensava: pronto, mais uma louca que fala sozinha...

 

A mulher continuou falando, agora virada para as pessoas da fila, parecendo contente por ter uma plateia:

 

- Sabem que no outro dia umas pessoas conhecidas perguntaram-me se eu não tinha medo de viver sozinha... Eu respondi-lhes: eu não vivo sozinha. Vivo com um gato e com um canário. Já somos três! 

 

Segura nos sacos de compras e vira costas, mas antes ainda atira:

 

- E sabem que mais? Que bem que estamos os três! E que rico concerto fazemos. O canário canta, o gato mia... e eu choro. É mesmo assim. Um a cantar para um lado, outro a miar como um touro e eu a chorar pela minha vida. Olhem, sabem que mais? Adeus!

 

A solidão está em toda e parte. Não podemos ignora-la. E quando queremos fazer de conta que não existe é ela própria que se manifesta e que vem ter connosco. Na rua, no trabalho, na caixa de um hipermercado. Não interessa. 

 

Podemos fazer de conta que não a vemos. Podemos passar para o outro lado da rua quando reparamos nela.

Como se distância conseguisse evitar o contágio. Como se a indiferença fingida conseguisse elimina-la do mapa. 

Podemos tentar tudo. Ou não tentar nada. É igual.

 

Senti-me triste pela solidão da mulher. Pensei redimir-me do meu anterior desprezo e ir atrás dela para a ajudar com os sacos. 

 

Dei um passo na direção do corredor, mas não fui a tempo. Tão depressa como tinha chegado, a solidão personificada atravessou a porta do supermercado e saiu para o frio. Adeus!

 

Adeus solidão. Ou até já.

Que a vida é curta. E eu nem sequer tenho um canário.