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O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

Só vim aqui dizer que... #1

Julho 18, 2018

O Triângulo Perfeito

... passámos a noite em claro por causa dos dois filhos, que resolveram acordar alternadamente (e às vezes em simultâneo, tipo mínimo multiplo comum da matemática).

 

Estamos exaustos, agitados e de muito mau humor. 

 

Este post serve de aviso a todos aqueles seres humanos que tiverem o azar de se cruzarem hoje connosco.

Informo que essas pessoas (e animais também) vão levar forte com a nossa má disposição, bastando para isso que:

 

- Falem

- Gesticulem

- Sorriam

- Não sorriam

- Simplesmente respirem. 

 

Depois deste aviso à navegação, vou tomar o pequeno-almoço. 

Até logo.

 

A melhor prenda

Março 09, 2018

O Triângulo Perfeito

O meu dia da Mulher? Foi ótimo... E não estou a ser irónica.

Como à quinta-feira a vovó Ló vai buscar o Vasco ao infantário, cheguei a casa e deitei-me. 

E depois? Depois... foi só isto. Deitei-me a descansar na cama.

Dormi das 17:30 às 19:00 e soube-me tãoooooo bem!

Nunca imaginei que dormir fosse uma dádiva tão preciosa.

Se há dois anos (antes de ser mãe) me "oferecessem" como prenda uma sesta, certamente ficaria para lá de aborrecida.

Mas desta vez não. Estou esfomeada de sono. 

Grávida de 5 meses, continuo a trabalhar, a levantar-me às sete (ou menos), a levar o miúdo ao infantário, a dar aulas, e a fazer as lides cá de casa. 

Por isso... Sim. 

Se me oferecerem a possibilidade de uma sesta... oferecem-me o mundo.

Obrigada Vovó Ló e Vô Pi, por esta dávida

(Ah, e já agora obrigada ao vértice masculino pelos bonbons rafaelo que tinha na minha cabeceira da cama, quando acordei...).

O legado dos professores

Março 06, 2017

O Triângulo Perfeito

Na semana passada, estive num jantar-convívio com colegas de trabalho e a noite ficou gravada no meu arquivo das memórias felizes.

Não foi só a comida (que era ótima!) ou a boa disposição... Foi também a mensagem, lida no final da noite, por um dos meus colegas.

O texto não era dele. Mas o sentimento, sim. E cada palavra lida pelo meu colega em tom solene, reverberou no coração de todos nós. E era assim:

 

"O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.

O material que é trabalhado pelos professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva. O trabalho dos professores é a generosidade."

(José Luís Peixoto)

 

É isso. O trabalho dos professores é a generosidade. Adorei o texto (podes ler o resto aqui) e não podia concordar mais.

Não somos a classe mais adorada, mas sabemos que somos importantes. Somos os "guardiões da esperança" (mesmo autor).

 

Concordam?

Hoje vou tirar a máscara

Fevereiro 28, 2017

O Triângulo Perfeito

Até porque o Carnaval são três dias. E este - o Carnaval de 2017-  já terminou.

 

Vou tirar a máscara para falar um pouco sobre mim. Vou falar dos meus sentimentos (ui!!!). E quero ainda desabafar sobre esta história dos baby blogs, blogues de maternidade, enfim, o que lhes quiserem chamar.

 

Há muita gente por aí a criticar este tipo de blogues. Podia dar-se o caso de esta ser uma daquelas situações de "ou se ama, ou se odeia", mas nem é disso que se trata...

 

Na verdade, muitos dos que tecem comentários irónicos em relação a baby blogs são pessoas que... seguem esses mesmos blogues secretamente.

 

Só pode! Gosto de acreditar nisso. Caso contrário (e não consigo concebê-lo de outra maneira) como poderiam essas pessoas argumentar de modo tão corrosivo contra os autores desses blogues?

 

Não consigo admitir que se critique algo, ou alguém, sem um profundo conhecimento de causa, o que só poderá acontecer se estivermos bastante a par do seu dia-a-dia... ou seja, lendo todos os posts com bastaannnnnte atenção...

 

Não estou a falar do meu blogue. Nada disso. Sou tão pouco conhecida na blogosfera, que ninguém se dá ao trabalho de me criticar. Se o meu blogue fosse um elemento químico da tabela periódica... era o hidrogénio, ah ah, de tão pequena que sou.

 

 

(o que me deixa triste, mas ao mesmo tempo confortável. É interessante andar aqui a mandar as minhas postas de pescada sem ninguém ver-  dá-me uma certa impunidade)

 

Nah... Quando falo em críticas, estou lembrar-me de baby blogs famosos. Daqueles que são seguidos por milhares de pessoas na blogosfera, ou nas redes sociais.

 

Normalmente, os posts escritos por essas mães e pais babados são inundados de likes e de comentários simpáticos. Mas de vez em quando lá vem um comentário mais maldoso, daqueles tão agressivos que até arrepiam.

 

Li um desses comentários num blogue que ando a seguir e não gostei nada do "tom". Basicamente, o autor do comentário acusava os/as bloguistas de serem fúteis e superficiais, de não terem um trabalho a sério, de não fazerem nada na vida, de sobreviverem à custa do patrocínio das marcas, de andarem sempre em férias e a tirar fotografias... and on, and on, and on...

 

Bem, quando isto quero dizer o seguinte:

 

Tal como ninguém que marca umas férias de sonho, escolhe um destino sujo e aborrecido... também ninguém vai visitar um blogue com o intuito de ler coisas aborrecidas ou ver imagens feias.

 

Tal como ninguém vai ao cinema com o propósito de ver um filme deprimente... na mesma lógica... ninguém subscreve um blogue que vive na base da depressão, das energias negativas, ou de relatos de histórias tristes! Como diz uma tia minha: para triste, já basta a vida, carago!  (Tia Necas, citada por triângulo perfeito, 2017)

 

Os bloguistas dão às pessoas, o que elas procuram. E a maior parte das pessoas procura o quê? Algo que as anime, que as entretenha, que traga conhecimentos e novas aprendizagens, acho eu.

 

Algo que lhes dê informação útil, mesmo que essa informação seja algo simples e corriqueiro como "encontrei um novo método para o meu bebé não atirar coisas dentro da sanita".  Acreditem que para nós, mães, todas as informações são valiosas.

 

As pessoas querem aprender. E querem ser felizes. E se um blogue lhes der isso tudo... então, tudo bem!

 

Não caiam na ingenuidade de pensar que a vida dos autores dos blogues é linda e simples. Eles também têm os seus problemas, os seus dramas pessoais. Também ficam doentes e também dão puns malcheirosos como o resto de nós 

 

Mas eles dão-se ao trabalho de fazer posts frescos, leves e divertidos, quase todos os dias. Em alguns casos, várias vezes ao dia.

E quando alguém faz do blogue uma profissão, a responsabilidade é muita. Ele vive daquilo. No fim do mês, ele tem que pagar as suas contas com aquele blogue. É um pouco assustador.

 

Se são patrocinados pelas marcas? Parabéns. É porque o mereceram. É porque as marcas repararam que esses blogues agradam aos leitores e decidiram investir neles. 

 

Se são convidados para ir a sítios giros e a passar férias em bons hotéis? Parece interessante!

 

Mas... também deve ser cansativo andar de um lado para o outro com filhos (às vezes super pequenos) às costas, cheios de tralha e ainda por cima com a obrigação de se estar giro e limpinho para fazer boa figura nas fotos.

 

Olhem eu, que sou um bocado desleixada e ultimamente ando super preguiçosa com o meu estilo pessoal! Não sei se gostava de ter que andar sempre "nos trinques" a ter que correr para a cabeleireira dia sim, dia sim para ficar com um ar chique e giro.

 

E não sei se gostava de ter uma agenda preenchida com sítios pré-definidos para visitar. Gosto tanto da minha liberdade!

 

Mas há outra coisa: os baby blogues também vivem da realidade. Não contam apenas a parte cor de rosa da vida. Só quem está desatento é que acha isso. Eles também relatam as histórias do dia-a-dia. E, com isso, arrecadam a simpatia da outra parte do público. Aquela parte que não quer saber dos cremes, das estâncias de luxo, nem das roupinhas giras dos bebés. Daquela parte que se quer sentir compreendida na sua alegria e na sua dor. Penso que o grande trunfo de um bom bloguista é saber equilibrar estas duas vertentes: o mundo de sonho e a realidade.

 

Se eu me estiver a sentir uma mãe imperfeita, cheia de medos e receios, com vontade de atirar pratos pelo ar... e se vir escrito num blogue que há mas alguém com esse mesmo estado de espírito... SIM, eu vou ler o post até ao fim! Sim, eu vou prestar atenção!

 

Porque a culpa que me invade, a sensação de ser uma PÉSSIMA mãe , poderá ser atenuada se eu souber que algures, mesmo que seja no outro lado do mundo, há uma alma-blogo-gémea que também se sente EXATAMENTE assim.

 

E é por isso que os autores dos blogues sacrificam muitas vezes a sua privacidade. E nos contam alguns dramas, medos e inseguranças relacionados com a sua vida familiar. Acredito que custe imenso essa sobreexposição (sobretudo, quando se trata de abordar conflitos e dramas), mas tudo faz parte do ato de se escrever (verdadeiramente) um blogue.

 

Bem...mas eu disse que hoje ia tirar a máscara e ainda não tirei.

 

A verdade é que também vim aqui para dizer que estou em "modo depressão", esperando um pouco de apoio e empatia virtual da minha querida blogosfera. 

 

 

Tive um Carnaval DE MERDA, estou cansada, esgotada e a precisar de férias. Sinto que não gozei metade do que devia ter gozado nesta terça feira feriado. E ontem, embora não tenha ido trabalhar, passei grande parte do dia nos hospital com o V. a fazer nebulizações.

 

Hoje choveu PA CARAÇAS, fez um frio que me ENTRANHOU NOS OSSOS, e eu estou com uma NEURA tão grande que se fosse fumadora já tinham açapado, sem exagero, para aí uns cinco maços de tabaco. O meu marido diz que eu estou com TPM, mas já fui à agenda e confirmei que não - é mesmo neura e exaustão.

 

Passei o dia todo a ouvir o meu filho chorar, berrar e fazer birras por isto e por aquilo. Só não chorei porque acho que já nem lágrimas tenho (devo ter gasto todas naqueles quatro primeiro meses das cólicas). Mas estou super em baixo, e não estou a brincar quando digo isto. 

 

Penso que o ventilan (que agora colocamos na câmara expansora ) o está a por nervoso. Seguindo as indicações da médica das urgência, aumentamos a frequência dos puffs e do tempo de exposição ao medicamento. Mas a reação está a ser uma loucura. Tudo isto juntamente com dúvidas sobre se o estarei a educar como deve ser, porque as vezes parece-me que estou a criar "um pequeno tirano".

 

Ando tão triste, tão desiludida com a minha vida e com o pouco tempo que tenho para mim própria que esta semana comentei com uma amiga:

 

"Sabes, os filhos deviam ser como as TV. Devia haver um comando para a gente os desligar um bocadinho naquelas fases em que estamos mesmo de rastos com o cansaço."

 

Resposta da L.: Oh, mas isso que tu queres já existe! São os tamagoshi! Queres que eu te compre um?

 

Não... só queria mesmo descansar. Domir e descansar. 

 

Este foi o post possível. Uma mixórdia de temáticas a fazer juz à minha confusão mental. Parece que esta autora quando tira a máscara é uma pessoa um bocado estranha.

 

Mas então, e este não é um baby blog? Onde é que estão as imagens fofinhas? As roupinhas da miudagem? As receitas de culinária com ingredientes bonitos mas que ninguém conhece e são super difíceis de arranjar no supermercado? Os relatos das peripécias do pikeno??

 

Bem pessoal: todas essas coisas estão AQUI, aqui e aqui neste blogue. Ora vão lá espreitar!

 

Desculpem-me, mas hoje o dia foi de opiniões e confidências. Hoje, foi para isto que me deu. E preparem-se que neste baby blog, às vezes, também se vai falar de coisas sérias. Ou deverei mudar de categoria?

A solidão mora ao lado

Fevereiro 17, 2017

O Triângulo Perfeito

Esta semana, estava na fila de uma caixa de hipermercado à espera para pagar as minhas compras quando a senhora que estava à minha frente (e que, até ali, tinha estada serenamente calada) começou a falar:

 

- Sabe - disse a senhora virada para a menina da caixa - levo comida para mim e para o meu touro. É um touro amarelo, lindo de morrer. Ai que lindo que ele é! O meu touro...

 

A menina da caixa continuou a passar os itens no leitor de códigos de barras. Na sua juventude despreocupada, ignorou a conversa da mulher.

 

Eu tambem estava com ganas de ignorar. Mas como estava mesmo à minha frente pude reparar bem. A senhora que encetou a conversa devia ter para aí uns 65 anos. Já com cabelos brancos, pele enrugada, mas com um ar distinto e bem cuidado. Parecendo não reparar na impaciência das pessoas à sua volta, continuou a falar com um vigor estranho:

 

- Bem... na realidade eu não moro com um touro. É um gato amarelo! Mas come tanto, tanto, tanto, que parece um touro. Ai, os sacos de comida que eu tenho que levar para ele. Estoura-me o ordenado. Ai, o maroto. Ai!

 

A menina da caixa olhou para mim rebolando os olhos. As pessoas da fila trocaram olhares de desprezo cúmplice. E eu só pensava: pronto, mais uma louca que fala sozinha...

 

A mulher continuou falando, agora virada para as pessoas da fila, parecendo contente por ter uma plateia:

 

- Sabem que no outro dia umas pessoas conhecidas perguntaram-me se eu não tinha medo de viver sozinha... Eu respondi-lhes: eu não vivo sozinha. Vivo com um gato e com um canário. Já somos três! 

 

Segura nos sacos de compras e vira costas, mas antes ainda atira:

 

- E sabem que mais? Que bem que estamos os três! E que rico concerto fazemos. O canário canta, o gato mia... e eu choro. É mesmo assim. Um a cantar para um lado, outro a miar como um touro e eu a chorar pela minha vida. Olhem, sabem que mais? Adeus!

 

A solidão está em toda e parte. Não podemos ignora-la. E quando queremos fazer de conta que não existe é ela própria que se manifesta e que vem ter connosco. Na rua, no trabalho, na caixa de um hipermercado. Não interessa. 

 

Podemos fazer de conta que não a vemos. Podemos passar para o outro lado da rua quando reparamos nela.

Como se distância conseguisse evitar o contágio. Como se a indiferença fingida conseguisse elimina-la do mapa. 

Podemos tentar tudo. Ou não tentar nada. É igual.

 

Senti-me triste pela solidão da mulher. Pensei redimir-me do meu anterior desprezo e ir atrás dela para a ajudar com os sacos. 

 

Dei um passo na direção do corredor, mas não fui a tempo. Tão depressa como tinha chegado, a solidão personificada atravessou a porta do supermercado e saiu para o frio. Adeus!

 

Adeus solidão. Ou até já.

Que a vida é curta. E eu nem sequer tenho um canário. 

 

 

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