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O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

Qui | 09.08.18

O meu reino é uma poltrona...

O Triângulo Perfeito

... e um perímetro de cerca de 1 metro à volta desta.

Estou cansada.... Ou melhor... entediada! :)

Dou de mamar mais de 10 vezes ao dia, e cada vez (contando com o tempo do miminho e dos arrotos) dura cerca de 1 hora.

Fiz as contas e concluí que passo mais de metade do meu dia sentada a alimentar o meu filho. 

 

Já não sei quantos quilómetros percorri a balançar na poltrona. Já perdi a conta às vezes em que adormeci sentada, acordando estremunhada sem saber quanto tempo passou.

 

No meio dessas horas todas, já deu para analisar com detalhe todos os pormenores do meu quarto.

Já fiz e refiz (mentalmente) centenas de vezes a decoração do espaço para ocupar o tempo.

 

Não há volta a dar. São mais de 10 horas no raio da poltrona.

10 horas...Dá tempo para tudo.

 

Eu não sou propriamente daquelas pessoas que adoooooora dar de mamar. Também não odeio, mas não digo maravilhas do processo.

Faço-o, porque é o melhor para o meu filho, é mais saudável, tranquilizante, enfim. Tudo o que já sabemos :)

Mas se houvesse uma magia ou uma espécie de comprimido milagroso que me permitisse fazê-lo apenas 2 ou 3 vezes por dia, sem sequelas... para mim era ótimo. E sobrava-me tempo para fazer outra coisas que acho muito mais interessantes e que me preenchem mais.

 

Faço-o, acima de tudo, porque quero. Ninguém me obrigou, nem pressionou. É uma decisão minha. 

Mas isso não quer dizer que não custe. E o processo acarreta alguns efeitos adversos:

 

Durante as 10 horas na poltrona... os meus pensamentos voam e nem sempre os consigo controlar.

Penso nos meus sonhos, no meu futuro, na minha vida e no que quero para mim.

Regresso ao passado, e vou desencarcerar memórias que julgava esquecidas.

Relembro momentos bons da minha infância. Viajo, dou à volta ao mundo...

Mas não consigo ser líder do que se passa na minha cabeça. E por vezes dou de caras com os meus próprios fantasmas, com processos mal curados, com ressentimentos e mágoas. E eu que sou tão boa a ruminar pensamentos autodestrutivos...

 

No lufa lufa de um dia normal não há tempo para divagações e isso é ótimo.

Mas 10 horas na poltrona dão para tudo, pessoal.

Dá para fazer muita autoanálise. Dá para pensar em muita merda.

Dá para chegar a boas conclusões (tipo: vou abrir uma conta e poupar dinheiro) ou conclusões de treta (ninguém gosta de mim, buáaaaaa)

Depende do estado de espírito.

 

É preciso encontrar fontes de distração. É muito giro ver o meu filho mamar, fico embevecida, mas não sou pessoa de passar horas e horas a derreter-se em amor e admiração.

 

Confissão: Já joguei milhares de partidas de candy crush enquanto o miúdo mama. 

Pode não ser muito saudável por causa das radiações e tal e tal. E sei que posso estar a perturbar o tal mítico momento de conexão mãe-filho de que todos falam.  Sei disso...

Mas abençoado instagram, printerest, twitter e afins :)  Enquanto faço scroll pelas vidas dos outros, distraio-me da minha auto-infligida solidão (estou muito poética hoje).

 

É difícil amamentar. Não odeio, mas também não faço parte do rebanho que adora. Estou numa espécie de "purgatório das mamocas" em que ainda não foi decidido se vou para o inferno ou para o céu.

 

Não estou à espera de medalhas; apenas de alguma empatia. 

 

Assim...

(som de cornetas e violinos celestiais porque vem aí um ato de contrição)

 

Peço desculpa à humanidade pelos dias em que não consigo exibir o meu melhor sorriso.

Peço desculpa por refilar, por estar psicologicamente ausente ou, pelo contrário demasiado àvida de atenção.

Peço desculpa por não estar fresca e viçosa no final de um dia, mesmo quando passei o dia todo em casa "sem fazer nada de jeito".

Peço desculpa por não dizer tantas piadas como de costume. Ou por dizer piadas estúpidas e sem graça.

Peço desculpa por estar triste e com ar desaminado, apesar de nada de mal me ter acontecido.

Peço desculpa pelo mau feitio. (ah... já tinha? Então peço desculpa por estar pior kkkk)

 

O meu reino é uma poltrona.

É nessa poltrona que me entrego de corpo e alma, e que tento dar o melhor de mim ao meu filho.

Por vezes, enquanto dou o melhor de mim sinto-me tão cansada que me perco de mim. 

Sei que um dia vou ter saudades disto, mas hoje e só hoje apetecia-me ser só eu e divertir-me lá fora.

 

Quem conseguiu perceber aquilo que eu disse... levante o dedo :))

Quem não conseguiu, também está desculpado. Sei que sou uma miúda complicada. 

 

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