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O Triângulo Perfeito

Um blogue de pessoas imperfeitas. A viver num triângulo perfeito.

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Novo parto, hospital diferente

Já aqui falei num post antigo, da desilusão que foi o meu primeiro parto.

Também já referi que, desta vez, vou fazer tudo ao meu alcance para tornar as coisas um pouco diferentes.

Falando em termos concretos, senti que o meu parto anterior foi frio, demasiado rápido, asséptico e pouco humanizado. 

Entrei pelo meu pé no hospital às 22:30, com "rebentamente das águas".

Segundo os que me assistiram, eu não tinha qualquer dilatação, e nem sequer existiam as ditas contracções. 

Pediram para tirar a roupa, vestir a bata branca (tão sexy, eh eh) e deitar numa cama. Foi-me  administrada occitocina e aí... começam as minhas dúvidas.

Primeiro... para quê occitocina, se eu ainda não tinha entrado verdadeiramente em trabalho de parto?

Não seria mais simples, saudável e natural deixar que as contracções começassem espontaneamente, sem interferir no processo?

Não seria também uma opção viável deixarem-me circular pelo quarto, fazer ginástica numa bola de pilates, caminhar um pouco... enfim... deixar que o parto realmente começasse, antes de tentarem induzi-lo à força?

 

E aqui vai a segunda questão:

 

Quem disse que eu queria que me induzissem o parto? Nunca pedi tal coisa...

Mas confesso que estava tão atordoada e com tanta adrenalina naquela altura, que nem refilei. Acho que acontece um pouco com todas as mamãs que estão perto de dar à luz. Ficamos um bocado tontinhas e sem conseguir raciocinar... :)

 

Agora, à distância dos acontecimentos, pergunto:

 

 

Sendo eu uma pessoa saudável, com uma gravidez normal e ainda dentro do tempo limite para dar à luz, não seria mais correto perguntarem a minha opinião?

(Olhe, como é que quer fazer? quer induzir, ou esperar mais um pouco?- qualquer coisa assim...)

Estas dúvidas vão ficar para sempre na minha memória.

Até porque, a partir da administração da occitocina, o processo começou a correr mal. 

 Poucos minutos depois da injeção, o bebé entrou em braquicardia.

Resultado? Fui imediatamente levada para o bloco, para uma cesariana de urgência. 

E poucos minutos depois, sem qualquer sequela em termos de saúde (felizmente)... nasceu o meu filho.

Se a cesariana foi necessária? Penso que sim. Afinal de contas, havia "sofrimento fetal".

Mas será que o bebé teria entrado em sofrimento se o parto tivesse ocorrido espontaneamente, sem atuação dos medicamentos para indução?

Sem querer colocar em causa a atuação da equipa médica, que fez o que acreditou ser melhor... ficaram no meu íntimo várias dúvidas sobre o processo.

 

Desta vez...

Pesquisei, pesquisei, pesquisei... 

Procurei por todo o país, médicos que trabalhassem em hospitais privados, mas que mesmo assim fossem "amigos do parto normal".

Acabei por perceber que sim, que eles existiam, mas eram raros...

Por isso se a minha opção era um parto normal, mas valia ir para um hospital público e borrifar-me para as "comodidades" do privado.

Passei então para a fase seguinte.

 

Que hospital público escolher?

Voltei novamente à pesquisa, às conversas com colegas, aos fóruns de mães e de grávidas...

Até que, finalmente, encontrei aquele que PODERÁ SER O HOSPITAL CERTO PARA MIM.

Refiro-me ao Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim. Um local que reune consenso em termos de qualidade, e onde já se pratica há alguns anos aquilo que todas as muheres sonham- um parto humanizado.

Escolhido o hospital, fui ver com os meus próprios olhos a dinâmica do local.

Quis tentar saber se todas as coisas boas que tinha ouvido e lido eram mesmo verdade.

Seria este um hospital amigo das mulheres?

Um local onde as vontades da mãe seriam respeitadas?

Seria este um local onde eu teria carinho, cuidados permanentes e uma atenção constante ao desenrolar do parto?

 

Fui confirmar.

Certo dia, meti-me a caminho com o meu marido e estacionamos em frente ao hospital.

Visto de fora, a fachada pouco prometia: um edifício velhinho a necessitar de obras de restauração urgentes!

Mas não desanimámos. 

Já tínhamos marcado pelo telefone a visita às instalações e logo que entrámos no bloco de obstetrícia fomos carinhosamente recebidos pela enfermeira Élia. 

A empatia foi imediata. E o nosso sentimento de segurança foi crescendo à medida que a enfermeira nos fazia o "tour" pelo bloco de partos e instalações. 

A primeira coisa que nos disse, depois de saber que vínhamos de um Hospital Privado, foi:

- Atenção, que isto aqui não é nenhum hotel! Mas podem ter a certeza que estão em boas mãos.

Respondemos que, depois da primeira experiência de parto, não estavamos interessados num "hotel". Só pretendíamos carinho e respeito.

- Então, fiquem descansados, pois vão encontrar tudo isso aqui.

Durante mais de uma hora, percorremos as cinco salas de parto (modernas e restauradas) onde é possível ser acompanhada por duas pessoas ( e não uma, como noutros hospitais), onde temos bolas de pilates, banco de parto, chuveiro, televisão, possibilidade de ouvir música escolhida por nós. Numa das salas, a "famosa" banheira escolhida por algumas mães para o parto na água. 

Gostei tanto, tanto, tanto!

E a parte de que gostei mais, foi saber que não só é permitido mas também fomentada a ideia de a grávida fazer um "plano de parto".

Sei que brevemente, terei uma reunião no hospital com a equipa de enfermagem, para decidirmos em conjunto o plano de parto. E isto é uma prática corrente neste hospital.

Saí de lá com o coração cheio e com todas as minhas dúvidas dissipadas. 

Sei que o meu parto poderá correr bem, mal ou mais ou menos, mas tenho a certeza de que vão fazer tudo para que este seja "o dia mais feliz". 

Aguardo com alguma ansiedade o dia da chegada do novo bebé. Mas estou cada vez mais confiante e segura da minha escolha.

Entretanto, começarão as aulas de preparação para o parto (algumas na piscina da Póvoa de Varzim - mais uma inovação do hospital).

Mal posso esperar! :)

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