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O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

Meghan anda à procura de uma doula. E vocês?

Ao ler esta notícia que fala da busca de Meghan Markle por uma doula lembrei-me da importância que essa figura (doula) teve na minha segunda experiência de parto.

Nos meses que antecederam o parto, tive algumas dúvidas se seria necessária ou não uma doula. "Será que vai fazer diferença?", "Vale a pena gastar o dinheiro?", pensei. 

Mas na hora H, quando as dores apertaram... percebi que sim. Eu QUERIA ter mais aquele apoio (para além do marido e das enfermeiras do hospital) ao meu lado. 

Mesmo quando o parto ocorre em contexto hospitalar, como foi o meu caso, a doula é uma ajuda preciosa.

A doula massaja, a doula dá carinho, a doula transmite tranquilidade.

A doula assegura que está tudo a correr bem, mesmo quando o casal está mais nervoso e preocupado.

A doula faz companhia e impede que o casal se sinta perdido nos momentos em que as enfermeiras não estão no quarto (sim, não pensem que as enfermeiras estão sempre ali ao vosso lado, elas têm mais partos para acompanhar)

Se vão ter um parto em breve, considerem recorrer aos serviços de uma doula.

 

 

Deixo aqui um excerto de um post maior que fiz há alguns meses. Transcrevo aqui apenas a parte que diz respeito à doula:

 

Assim que percebi que queria tentar novamente um parto normal (já tinha tentado antes, mas acabei por ter de fazer uma cesariana de emergência), procurei ativamente todos os que me pudessem ajudar. 

Uma amiga com uma situação bastante semelhante à minha, falou-me da equipa da Gimnográvida.

Decidi que não custava nada ir conhecer este centro de preparação e acompanhamento no parto, situado na Boavista.

Na primeira consulta, poucos minutos de começar a falar com a enfermeira Isabel percebi imediatamente que tinha feito uma boa opção.

A enfermeira Isabel encheu-me de confiança, boas vibrações e energias positivas. Falou-me de estudos científicos, e de dados sobre parto normal (alguns desses já conhecia), sugeriu-me a visualização de alguns documentários sobre o assunto, fez-me um questionário abordando a minha história familiar e motivações...

Tudo isto para me conhecer melhor e poder ajudar-me.

Mais tarde, com o avançar das consultas, conheci também a enfermeira Joana (que acabou por ser a minha doula durante o parto) e fiquei cada vez mais segura. A enfermeira Joana é meiga, simpática, profissional e prestável. E revelou-se essencial para o sucesso do meu parto.

No dia do parto, comecei a sentir contrações ritmadas por volta das 10 da manhã.

Como não queria ir muito cedo para o hospital, liguei de imediato à Joana (parteira/doula) da Gimnográvida, a qual me disse para cronometrar as contrações, ficando atenta a eventuais perdas de líquido. 

Instalei no meu telemóvel uma app da Google Play para controlo das contrações e passei algum tempo a fazê-lo. 

A Joana disponibilizou-se a vir a minha casa para me apoiar naquele momento, mas disse-lhe para não vir, porque as contrações ainda eram suportáveis. 

O tempo foi passando e a dada altura apercebi-me que estava a perder líquido amniótico em pequenas quantidades.

Liguei novamente à Joana que me disse para analisar a eventual presença de mecónio (não tinha) e começar a pensar em dirigir-me ao hospital. 

Tomei um banho relaxante, dei uma varridela à casa e estendi a roupa (sim, o síndrome do ninho arrumado atacou-me forte naquele momento) e decidi que estava na hora de ligar ao marido. 

Por volt das 6 da tarde chegámos ao hospital. A Joana chegou lá pouco depois disso e nunca mais nos abandonou até ao bebé nascer.

Com a sua experiência, deixou-nos mais tranquilos e confiantes. Quando uma contração vinha mais forte, acalmava-me dizendo que era "menos uma a faltar para o bebé nascer". 

Á medida que a dor ia aumentando, foi propondo estratégias para que eu conseguisse relaxar. Conduziu-me ao chuveiro do hospital, onde estive cerca de 40 minutos (please, não me mandem a conta da água). E que bem que souberam aqueles jatos relaxantes. 

Sugeriu-me exercícios na bola de pilates, fez-me massagens nas costas. Foi passear comigo e com o meu marido para as traseiras do hospital, para acelerar a dilatação. Quando vomitei (3 vezes...) descansou-me dizendo que era normal.

Dançou comigo no intervalo das contrações e sorriu sempre, sem mostrar inquietação.

Não me mandou pastar em nenhuma das vezes em que lhe apertei a mão com força, quase a ponto de lhe partir os dedos.

E nem quando entrei na "partolândia" e comecei a dizer coisas estranhas (sim, acontece...) ela se mostrou surpreendida ou chateada.

Assim que atingi a dilatação máxima, a Joana fez equipa com o meu marido e com a enfermeira para me guiarem na saída do bebé. 

Uma vez mais, a sua calma e segurança, transmitiram-me força.

Assim que o bebé nasceu, a minha doula transformou-se numa fotógrafa, registando os primeiros momentos do Xavier. 

Sei que ela teria gostado que eu conseguisse fazer "tudo" sem levar a bendita epidural. 

Mas assim que decidi optar pela analgesia, descansou-me dizendo que eu estava ali para dar à luz. Não era para ganhar nenhuma medalha, era para fazer nascer um bebé.

Já de magrugada, e antes de abandonar a nossa (já silenciosa) sala de parto, despediu-se com um beijinho e disse-me ao ouvido:

"És uma guerreira e saíste vitoriosa desta batalha. Nunca te esqueças disso".

Houve muitos guerreiros neste parto (incluindo o próprio Xavier). Mas foi uma guerra que valeu a pena travar.

Obrigada Joana!"

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