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O Triângulo Perfeito

A vida de uma família perfeitamente normal

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Qui | 24.02.22

Como falar da guerra às crianças?

Ana

Hoje de manhã, liguei um pouco a televisão enquanto os meus filhos tomavam pequeno almoço e, ao fazer zapping para chegar ao canal dos desenhos animados, apareceram-me imagens da guerra na Ucrânia. 

Aproveitei para dizer ao Vasco que havia dois países em conflito e que naquele momento "se estavam a portar muito mal", a dar tiros e a provocar explosões. 

A reação do Vasco foi um encolher de ombros, seguido de um "Ok, mas deixa-me ver o Mickey!"

Se por um lado fico feliz pelo facto de os desenhos animados continuarem a encabeçar as preferências do meus filhos em comparação com um noticiário de guerra, por outro lado... pus-me a pensar na indiferença senti por parte deles.

Sendo certo que noticiários de guerra não são propriamente algo divertido para mostrar  aos miúdos, pergunto-me se estarei a fazer bem a minha parte ao omitir constantemente o que se passa no mundo real. 

Acaba por ser um pouco como as dúvidas relativamente ao tema da "droga" que temos frequentemente nas escolas. Se uns são a favor de se falar de "droga", no sentido de alertar para os seus efeitos e perigos, já outros defendem que só o facto de trazermos o tema à baila "vai despertar a curiosidade das crianças", levando-as a querer experimentar. (como professora, reconheço que ambas as opiniões são válidas e as duas realidades coexistem).

Voltando ao assunto da guerra... não deveríamos falar um pouco disso com as nossas crianças? Tentar sensibilizar para questões como a empatia perante o sofrimento dos outros, a solidariedade e o diálogo?

Não tenho grandes respostas, confesso, para estas dúvidas. Sei que há pais que preferem "não mostrar os males do mundo" aos filhos, porque a vida é longa e eles terão muito tempo para ver e sentir o sofrimento. E há pais que gostam de ver e falar de tudo em profundidade.

Talvez a resposta esteja, como é hábito, no meio termo. 

Não vou bombardear os meus filhos com notícias sobre a guerra da Ucrânia. Mas hoje à noite, vou falar-lhes no assunto, falar da importância da vida humana e... trocar ideias. Porque não quero de todo que sejam "indiferentes" ao sofrimento alheio. Nem agora, nem nunca. 

 

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