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O Triângulo Perfeito

Um blogue de pessoas imperfeitas. A viver num triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

Um blogue de pessoas imperfeitas. A viver num triângulo perfeito.

A rádio cidade, o oceano pacífico e as memórias de uma adolescência que já lá vai

Não podia deixar passar em branco o Dia Mundial da Rádio. O meu media favorito! O meu companheiro de tantas aventuras... O testemunho e confidente do meu percurso de vida. 

 

Recordo, na adolescência, as noite passadas a ouvir a extinta Rádio Cidade (atual Cidade FM).  Tantos sonhos desfiei tendo por companhia as músicas românticas da "Cidade By Night"! 

 

Lembro-me de ter 14, 15 anos e de ir para a cama mais cedo, só para ligar o pequenino e velhinho rádio portátil. De estar debaixo dos lençóis, com o rádio em cima da almofada, a ouvir até às tantas aquelas músicas que eu adorava!

 

No dia seguinte acordava com um soooonooooo....

 

Lá em casa nunca ninguém percebeu por que razão eu me deitava mais cedo. O meu mano (que sempre me achou um bocado nerd) costumava gozar com o facto de eu me fechar no quarto enquanto o resto da malta ficava na sala a ver TV. 

 

És uma antissocial- dizia-me ele a rir, mas ao mesmo tempo chateado.

 

Mano adorado, a tua mana não tinha sono! E não... eu não ia para o quarto para estudar às escondidas. 

 

Eu ia... ouvir música!!!

 

Nunca gostei muito de telenovelas. Preferia construir as minhas, com imaginação e com a banda sonora adequada. Hoje sei que talvez tenha falhado alguns momentos giros de convívio familiar, mas o apelo da música sempre foi mais forte. 

 

E aqui vai mais uma recordação! As músicas do Oceano Pacífico, da RFM!

 

Felizmente, ainda hoje podemos ouvir esse programa. Era mais uma rubrica que me mantinha acordada até às tantas quando tinha metade da idade que tenho hoje.

 

Lembro-me ainda de outra rubrica um pouco mais mexida. Era a "Eletricidade", da Rádio Cidade. Ainda tenho na memória os sons do gingle a anunciar o programa. 

 

Hoje em dia, não dispenso as manhãs da Comercial. Dou um saltinho à RFM e ouço muito, mas muito mesmo a Rádio Renascença. 

 

Não consigo ouvir coisas barulhentas e alternativas. É que... não fiz mal a ninguém, não cometi nenhum crime, logo... não preciso que me estoirem os tímpanos, com guitarras ensurdecedoras, berraria, letras que ninguém percebe (à conta do barulho) e baixos maldispostos.

 

Eu sei... percebo népias de músicas, sou uma parola assumida, mas não faz mal :)

 

A rádio faz parte da minha vida. Providenciou-me a banda sonora para amores, desamores, aventuras, viagens e aprendizagens.

 

Fez-me companhia nas muitas horas que estudei no 12º ano para os Exames Nacionais (aí sim, senhor mano, eu estava mesmo a marrar...).

 

Esteve ao meu lado quando eu me senti mais só. Falou comigo quando não me apetecia falar com ninguém. 

 

Interrompeu-me os silêncios. Reverberou pela casa toda quando ainda não havia móveis, nem poltronas, nem tapetes para encher as divisões. No vazio de uma casa cheia de ecos cruzados, a rádio fez-me sentir confortável. 

 

Esteve comigo nos momentos maus. Sempre gostei de músicas depressivas, para fazer pan-dan com o baixo astral. 

 

Dancei ao som da rádio nos momentos felizes. A rádio FEZ os meus momentos mais felizes! A rádio não tem imagens, mas encheu os meus momentos de luz e cor. As minhas lembranças são (também) fotografias musicais.

 

A minha vida está cheia de recordações e a cada um delas podia atribuir uma banda sonora. 

 

Tudo isto para concluir que... não haverá nunca solidão onde houver um rádio a tocar.

 

Uma imagem vale mais que mil palavras? Hum... pode ser. Mas um som pode valer mais que mil imagens!  E a rádio é uma maternidade de sons. 

 

Rádio é alegria, sonhos e paixão. Por isso, caros amigos, façam como eu: sintonizem a vossa vida.

Vale a pena. É só encontrar a frequência certa.