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O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

Fevereiro 13, 2017

O Triângulo Perfeito

Sinceramente, há notícias que me chocam tanto que antes de começar a escrever sobre elas tenho que contar até 10 muito devarinho para não me deixar levar pela raiva.

 

Depois de ter lido que um casal francês deixou o filho morrer ao relento por este ter feito chichi nas calças, agora deparo-me com esta notícia de um homem em Espanha, que se atirou de um prédio com a filha nos braços. Acabaram ambos por morrer,

 

Choca-me a falta de valores. Choca-me a falta de amor, de respeito, de integridade. Choca-me que os filhos (caso da última notícia que mencionei) sejam usados constantemente como arma para magoar os outros. 

 

"Vais pagar-me com aquilo que mais te doa", disse o homem à sua esposa, momentos antes de se suicidar. Não tenho dúvidas que esta mãe nunca mais vai recuperar do choque. 

 

Pais deste mundo (e mães, porque também as há as que se suicidam levando os filhos com elas), por favor: Se não querem ter filhos, se não se sentem preparados, se não amam as vossas crianças, se não se sentem aptos física ou psicologicamente para as ter... NÃO AS TENHAM!

 

Fico doente com isto. Hoje o post é de revolta. Porque não poderia ser de outro modo. Desculpem. 

Fevereiro 11, 2017

O Triângulo Perfeito

Esta é, pelo menos, a opinião da Academia Norte Americana de Pediatria (AAP).

 

Baseada em estudos científicos, esta entidade recomenda que as crianças durmam no quarto dos pais até atingirem pelo menos 1 ano de idade. A razão invocada é a diminuição do risco do Síndrome de Morte Súbita. 

 

(note-se que a AAP não defende a partilha da cama; apenas recomenda a partilha do quarto)

 

 

Esta posição foi divulgada no mês passado em vários meios de comunicação e desde então tem sido partilhada nas redes sociais, tendo sido encarada por muitos com alguma surpresa.

 

A verdade é que a recomendação da AAP vem contradizer uma teoria muito em voga no nosso país que diz ser benéfico (e até mesmo mais salutar para a dinâmicas das famílias) as crianças dormirem num quarto separado. 

 

Quantas vezes já ouvimos conversas entre casais em que um deles comenta: "O quê? O teu filho ainda dorme no teu quarto/cama? Mas tens que mudar isso rapidamente!" 

 

Esses comentários são o reflexo de uma mentalidade que está enraizada no nosso país e que colhe inclusivamente o apoio de médicos e especialistas. 

 

Mário Cordeiro, conhecido pediatra e autor de vários livros sobre bebés e crianças, contraria a ideia da AAP e é um dos muitos a defender que o bebé deve sair do quarto dos pais logo nos primeiros meses:

 

"Pessoalmente, defendo que as crianças deverão sair do quarto dos pais até aos seis meses; de preferência por volta dos quatro meses, tirando raríssimas exceções”,  refere o especialista (citação retirada deste artigo).

 

Pois então, em que ficamos?

 

Não querendo fazer juízos de valor, devo dizer que esta questão do dormir ou não dormir com os pais me faz lembrar... a história da margarina e da manteiga!

 

Antigamente dizia-se que a manteiga fazia mal e que devíamos todos apostar na margarina. Depois, não sei porquê, começou-se a acreditar no contrário, ou seja, que a margarina era péssima para a saúde. Entretanto, vieram mais 500 000 estudos a dizer que afinal a manteiga é que era saudável. Puxa! Ninguém se entende!

 

Cá em casa comemos manteiga por gosto. Fartos das reviravoltas da ciência, decidimos apostar no alimento cujo sabor apreciamos mais. E em relação ao dormir no quarto dos pais... sinceramente, usámos o mesmo método.

 

O nosso bebé dormiu no nosso quarto até aos 3/4 meses (já não me recordo ao certo). Depois disso, passou para o quarto ao lado. Como eu tenho um sono leve e acordo ao mínimo ruído, quando o Vasco dormia no nosso quarto, eu passava a noite em claro.

 

Ele fazia ruídos e barulhos estranhos e eu passava a noite acordada, sempre a levantar-me para ver se os barulhos eram normais. E como passava a vida a ir ao berço dele e a mexer-lhe para ver se ele estava a respirar (uf!) muitas vezes era eu que, sem querer, o acordava.

 

Conclusão: ninguém dormia naquela casa.

 

No caso do Vasco, a passagem para o quarto ao lado fez-se sem qualquer problema, sem dramas. Mas não sei se no próximo filho vai acontecer o mesmo. Aliás, nem sei se vamos proceder da mesma forma. É que esta recomendação da AAP deixou-me angustiada e a matutar no assunto.

 

Há muitas teorias, muitas recomendações, muitos estudos... E às vezes, quanto mais leio, mais confusa fico.

 

 

E vocês? O que pensam em relação a esta recomendação da AAP? Como procederam em relação aos vossos filhotes?

 

Janeiro 30, 2017

O Triângulo Perfeito

Crescendo entre ecrãs é o nome de um estudo realizado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social que concluiu que os pais utilizam cada vez mais os meios eletrónicos (tablets, computadores, TV e telemóvel) para entreter as crianças. Esses gadjets desempenham o papel de babysitters tecnológicas, ou seja, são usados para ocupar as crianças "enquanto os pais estão ocupados com outras tarefas" (notícia do JN)

 

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  A nossa luta nas últimas semanas: evitar que o V. veja televisão "em cima" do ecrã.

 

Cá em casa, (no início muito timidamente, mas agora em grande força),  também já se começam a usar as novas tecnologias.

 

Tenho que confessar que o tablet é uma ajuda preciosa no momento das refeições, e que a TV se tornou um recurso útil para adormecer o Vasco à noitinha (fica no carrinho a ver desenhos animados e adormece rapidamente).

 

Até o computador ele usa, de vez em quando, para se divertir com os jogos para bebés (podes ler sobre isso neste post). 

 

Tanto eu como o meu marido sabemos que, ao incentivarmos o uso das novas tecnologias, estamos a optar pela "saída mais fácil". Mas os dias de pai e mãe são cansativos e desgastantes e é difícil não cair na tentação de utilizar estes equipamentos tecnológicos:

 

A hora da refeição que era, desde há uns meses, um momento de alguma tensão, passou a ser uma atividade divertida para o Vasco desde que este percebeu que, juntamente com a comida, vai ter música e cantorias.

 

Antigamente, nem a babete queria colocar; agora é ele que pede para subir para a cadeirinha da papa. Tudo graças ao tablet...

 

Adormecer o V. também se tornou mais fácil. O nosso bebé nunca foi um menino que gostasse de colo, portanto, nunca o conseguimos adormecer desse modo. Deita-lo na caminha também só resulta em 10% das vezes ( é um suplício vê-lo a berrar "mama, mama" agarrado às grades).

 

Desde que começou a prestar atenção aos desenhos animados, a tarefa tornou-se simples: quando percebemos que está cheio de sono, pomos o V. no carrinho a ver um programa calminho e... plim!  Passado uns minutos (sem qualquer stress, ou experiência traumática) o nosso menino adormeceu. 

 

Não somos ingénuos. Sabemos que esta dependência poderá vir a ser prejudicial no futuro. Por isso, tentamos que no resto do dia, o V. não tenha contato com meios tecnológicos:

 

À tarde, quando ele chega do infantário, brincamos um bom bocado com a televisão desligada. Tento estimular o interesse dele pelos brinquedos, pelos livros e pelos jogos infantis. Procuro leva-lo ao parque, nos dias de sol, e fomento a interação dele com outras crianças.

 

Não quero criar um "viciado em tablets". Apenas assumo que, neste momento, eles ajudam (e muito) a nossa vida.

 

No nosso tempo, os nossos pais construiam avioezinhos de papel, batiam com os testos das panelas e faziam mímica para nos entreterem à hora das refeições. Os tempos mudaram, mas no fundo, o princípio acaba por ser quase o mesmo: todos os pais tentam arranjar formas para que as crianças comam.

 

Claro que o ideal seria que os nossos filhos adorassem sopa, comessem como "bois famintos" e experimentassem com prazer todo tipo de comida. Mas nem sempre é assim... ! Ou melhor, algumas crianças são naturalmente assim e outras não. Há ainda quem, como o Vasco, tenha dias bons e dias maus. 

 

Sabemos que o tablet , a televisão e o computador podem ser apelidados de recursos fáceis e acabam por constituir uma espécie de "batotice". 

 

Mas que essa batotice dá jeito quando chegamos a casa com mil coisas para fazer (preparar jantar, pôr a mesa, estender roupa, dar banho, etc)... lá isso dá!

 

Também há que reconhecer que, para os nossos filhos "nativos digitais", esses objetos não são vistos como fonte de vício. Para eles, os gadjets tecnológicos não passam de brinquedos apelativos.

 

Há qualquer coisa nesses objetos que cativa as crianças, que lhes prende a atenção. Quer os críticos queiram, quer não, na maioria das vezes os meios tecnológicos são, para os miúdos, fonte de prazer e felicidade. 

 

Não há como contrariar a evolução dos tempos e dos hábitos. Não podemos fazer finca pé, entrar numa redoma de teimosia e virar as costas ao desenvolvimento. Temos o dever de avançar juntamente com os nossos filhos, de acompanhar os avanços do seu tempo, mesmo não compreendendo (ou dominando) muitos desses avanços. Se eles perceberem que existe esse esforço da nossa parte, também ficarão felizes.

 

A investigação "Crescendo entre ecrãs"  concluiu que apesar de fornecerem esses meios tecnológicos às crianças, os pais preocupam-se verdadeiramente com os conteúdos visionados por eleas, tentando evitar que elas consumam programas violentos, de cariz sexual ou com linguagem inapropriada.

 

Não obstante, em cerca de 2/3 dos lares, as crianças usam o tablet "sem qualquer vigilância dos pais e em 63% dos casos, o tablet pertence-lhes" (notícia do JN).

 

Como mãe, não me parece boa política impedir que o meu filho utilize tablets ou pesquise na internet. O que eu vou tentar, acima de tudo e com todas as minhas forças, é ensina-lo a utilizar esses recursos com prudência e sentido de responsabilidade. Como? Essencialmente dialogando, dialogando, dialogando...

 

A Educação para os Média (um assunto do qual falarei mais profundamente em tempos próximos) deve começar desde tenra idade. E é isso que pretendo fazer. 

 

O mundo está sempre a mudar. E muda rapidamente, à margem do nosso apoio, das nossos hábitos e das nossas opiniões.

 

O tablet, o computador e o telemóvel, estão aqui para ficar. Não há como dizer isto de outro modo: fizeram sucesso. Ponto. E não vão ser substituídos tão cedo, a não ser... por outros gadjets, mais ou menos semelhantes.

 

Não vou negar ao meu filho o contato com os meios tecnológicos. O que vou tentar fazer é ensina-lo a tirar o melhor partido possível desses objetos. Sei que a tarefa que me espera é árdua, mas não tenciono desistir, 

Janeiro 23, 2017

O Triângulo Perfeito

São um bem necessário? Sem dúvida. Mas até quando a rotina de uma criança deverá ser seguida à risca? Devemos aplicar a rotina sem qualquer exceção? Caso contrário, quando devemos ser flexíveis?

 

Desde que fui mãe que ando à volta desta questão. Porque é um assunto que realmente me preocupa. 

 

Dizem que as rotinas são essenciais para os bebés. Os avós dizem isso, os amigos com filhos dizem isso, os livros dizem isso e várias teses de investigação o demonstram. 

 

Nada contra. Concordo absolutamente com a teoria de que "as rotinas transmitem segurança e conforto à criança". Em minha casa, tento estabelecer alguns rituais e gosto que no infantário do meu filho façam o mesmo. 

 

Vou dar um exemplo simples:

 

Todas as manhãs, na altura de calçar os sapatos, eu sento o Vasco na mesma cadeira. Ele já "sabe" que essa é a cadeira destinada a calçar os sapatos. Essa rotina facilitou-me muito a vida e a ele também. Para já, esse é o único sítio onde o consigo calçar calmamente. Se mudar de cadeira, ele mexe-se, remexe-se, salta fora, vai-se embora... e nada de sapatos. 

 

Sei muito bem que as rotinas tornam o mundo da criança "mais previsível" e portanto, mais seguro, do ponto de vista delas. À falta de experiência, tenho lido muito e sei que as rotinas podem ajudar um bebé a adormecer mais facilmente. Sei que as rotinas me ajudam a vestir e a calçar o Vasco logo pela manhã e que o ajudam a ele a organizar o mundo.

 

O que me incomoda é ver alguns pais ou até mesmo infantários a passarem por cima dos interesses reais das crianças em nome da rotina. 

 

Incomoda-me ver casais nos restaurantes a quererem adormecer os seus filhotes à força, apenas com base no critério "está na hora de ele dormir".

 

Incomoda-me ver miúdos que estavam felizes, nitidamente animados e com "zero sono", a serem metidos à força dentro de um carrinho para tirarem um cochilo forçado.

 

Estou errada? Talvez esteja. Sou mãe de primeira viagem e, neste blogue, entre muitas coisas interessantes, também poderá sair asneira. Perdoem-me os erros. 

 

Desculpem-me se não tiver razão. Mas incomoda-me que ainda haja quem dê de mamar (ou dê leite suplemento) de quatro em quatro horas, ignorando os choros de fome de um bebé. Em nome de um horário e de uma rotina.  

 

Incomoda-me que, em alguns infantários, se a criança acordar e ainda for hora da sesta, continue a ser mantida às escuras na mesma sala que os outros e impedida de ir brincar. 

 

As rotinas são boas. Mas... o que estamos indiretamente a ensinar aos nossos filhos quando lhes aplicamos uma rotina fixa e estereotipada? Quando não damos margem para pequenas e pontuais alterações?

 

Eu digo-vos. Estamos a dizer-lhes que eles são iguais aos outros. Que têm que fazer o mesmo que os outros, dormir quando os outros, sentir como os outros. Estamos a dizer-lhes que, na vida deles, não vai haver espaço para a liberdade e para a improvisação.

 

A obrigarmos uma criança a viver dia após dia, numa rotina fixa e inalterável (atenção, que é só contra estas que eu sou contra) estavamos a diminuir a sua criatividade. 

 

Um dia, vamos querer que a criança dê ideias, sugestões, que crie, invente estratégias e improvise. E só vamos ter um "repetidor de informação". 

 

Os miúdos, tal como nós, aprendem pelo exemplo. Se nós não dermos margem para pequenas alterações na rotina (quando estas forem necessárias), um dia eles poderão vir a sofrer muito com as mudanças de planos. Quem sabe não se tornarão eles próprios pessoas rígidas e inflexíveis. 

 

É isso que queremos? Eu quero que o meu filho tenho um futuro risonho. Mas quero também que ele perceba que, por vezes, os planos podem mudar. Sem stress. Sem dramas...

Janeiro 19, 2017

O Triângulo Perfeito

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Há uma razão muito forte para não ter escrito nada neste blogue ultimamente. É que ontem estava tão cansada que decidi trocar o computador pelos lençóis. 

 

Na terça-feira, o Vasco dormiu mal a noite toda. Acordou à uma da manhã, acordou às duas... E a partir de uma certa altura decidiu que não queria estar mais na cama.

 

Resultado: passei a noite toda em branco e acabei por ir trabalhar de "direta". Zero horas de sono. Zero...!

 

De manhã, ainda aguentei bem o impacto. Estava a dar aulas no laboratório, e a fazer experiências com os alunos. Como as atividades eram muito práticas, não davam a mínima margem para sono.

 

À tarde, o cansaço começou a dar sinal, acompanhado de uma enxaqueca tremenda. Se tivesse uma almofada comigo acho que ainda tirava um cochilo na sala dos professores, num dos intervalos.

 

Tomei um café duplo e decidi que não me ia deixar vencer pelo cansaço. Já tinha percebido, de manhã, que a única forma de vencer o sono era estar sempre em atividade, por isso tentei ser o mais enérgica possível nas aulas da tarde. 

 

Se calhar exagerei...

 

A professora hoje está com a pica toda! - comentou um aluno. 

Vê-se bem que gosta mais desta matéria! - disse outro, bastante animado.

 

Pronto. Parece que os alunos gostaram deste "novo eu". Apesar do cansaço, acho que consegui enviar vibrações positivas

 

No regresso à casa, vieram-me à memória aqueles versos do Fernando Pessoa (O poeta é um fingidor....) e mais uma vez concluí que essa teoria também se aplica ao ensino.

 

Sim. O professor também é um fingidor. 

Posso estar triste, cansada, ou doente, mas sempre que os alunos me vejam de boa cara e se sintam motivados. Nos dias em que estou mais em baixo de forma, vou buscar energia às entranhas. 

 

Quantas máscaras já usei?

 

Não interessa. Eles merecem. Não, não é um cliché. Acho mesmo que eles merecem ter o melhor de nós. 

 

À noite, depois do jantar, cedi finalmente ao João Pestana. E o Vasco, depois de uma semana inteira a dormir pouco, parece que também nos decidiu dar tréguas. Só acordou uma vez esta noite, yeiii!

 

A última vez que fui de direta para o trabalho tinha 21 anos e estava no final do meu ano de estágio (estágio integrado).

 

Tinha passado a noite num bar de karaoke, a celebrar o final do curso e mesmo assim cheguei ao trabalho fresquinha, como se nada fosse!

 

Era jovem, e não senti muito o impacto da noite mal dormida. No dia seguinte, se fosse preciso, já estava pronta para outra.

 

Hoje, com 37 anos, sinto que as noites em branco já deixam marcas. Cansado de dormir uma média de 5 horas por dia, o meu corpo está a ressentir-se e a pedir desesperadamente um pouco de descanso

 

Começo a pensar que devia ter tido filhos mais cedo. Será que já estou velhota para isto? :)

Janeiro 15, 2017

O Triângulo Perfeito

EPISÓDIO 1

 

O sono de um bebé é como um leão feroz.

 

Quando o domador de leões começa a achar que a fera está domesticada... o leão ruge, afia as garras e mostra que é o rei da selva. Ninguém manda no leão.

(...)  

 

Quando o V. nasceu pareceu-nos um bebé calmo e dorminhoco. Pelo menos, assim o julgávamos quando ainda estava no hospital. Contudo, no segundo dia após chegar a casa, chorou desalmadamente durante cinco horas seguidas.

 

Ainda hoje não sabemos o que lhe deu. Talvez fosse a fome, a mudança de ambiente, o frio, o calor... Não conseguimos perceber.

 

O que é certo é que demorou bastante tempo a adormecer.

 

Tentei de tudo para que ele ficasse mais confortável. Dei-lhe de mamar, dei-lhe (porque todos insistiam ser fome) leite de suplemento, aqueci a casa, esfriei a casa, embalei-o devagar, embalei-o depressa... nada. O pai, o avô, a avó vieram sucessivamente e, cada um a seu modo, tentaram dar-lhe conforto. Nada. Cada vez berrava mais.

 

Depois do almoço começaram a chegar primos e tios a nossa casa para ver o bebé. E eu ainda com ele no quarto a tentar que se acalmasse.

 

Às três da tarde, esgotada, cansada, desesperada, olhei-o nos olhos e fiz-lhe um ultimato. Pedi-lhe a ele e a todos os santinhos um pouco de paz. Enrolei-o num cobertor fofo (que ainda hoje é o seu preferido) e o V., como que por magia... adormeceu. 

 

Coloquei-o na alcofa com jeitinho e deixei que o meu marido o levasse para a sala, onde tios, primos e amigos queriam ver o novo membro da família.

 

Dizem que ele dormiu como um anjo durante o resto da tarde. Não vi.

Dizem que chegaram amigos a minha casa e que eu não fui à porta para os receber. Não me lembro.

 

No meu quarto, depois do V. adormecer, passei o resto da tarde da chorar. Tinha estado durante 5 horas a conter o choro, tentando ser forte. Mas assim que o meu bebé adormeceu, todo o nervosismo que tinha acumulado durante aquelas horas... libertou-se!! Foi como se uma torneira se abrisse e eu não conseguia mais fecha-la.

 

Foi nesse dia que eu senti, pela primeira vez, o desespero de uma mãe.

 

Senti-me mal por não ter recebido as meus convidados convenientemente, senti-me fraca por deixado para o meu marido essa tarefa. Mas naquele dia, eu chorei tantas lágrimas que dava para encher uma Piscina Olímpica.

 

De vez em quando ainda pensava: vou à sala falar com as pessoas. Eu tenho que ir lá. Mas mal via a minha cara vermelha e os meus olhos inchados ao espelho... desistia.

 

No meio do desespero só uma coisa me dava consolo: 

Eu tinha finalmente descoberto como fazer o meu filho dormir. Bastava enrola-lo num cobertor fofinho! 

Ou não.

EPISÓDIO 2

 

O sono de um bebé é como o totobola. 

Podemos achar que percebemos muito de futebol. Podemos acreditar que os resultados são previsíveis e que é possível colocar as cruzinhas no sítio certo. Podemos pensar que a vitória é certa.

Mas nunca ganhamos...

 

(...) 

 

Nas primeiras semanas de vida do Vasco, adotei religiosamente a estratégia de o enrolar bem apertadinho num cobertor fofo.

 

 

Depois do episódio das "5 horas de choro" acreditava ter descoberto a poção mágica que me ia livrar do suplício vivido por amigas minhas no que toca a adormecer bebés. 

 

A medida resultou bem, inicialmente, mas depois o V. deixou de querer dormir. Passava todo o dia acordado, muitas vezes chorando. Fazia sestas minúsculas e, por volta das 19 horas... adormecia de exaustão. 

 

O meu marido chegava a casa no fim do dia e encontrava, invariavelmente o V. a dormir.

 "Então, de que te queixas? Está a dormir como um anjo"- comentava.

E eu sem saber como lhe explicar que durante todo o dia o cenário tinha sido muuuiiiito diferente. 

 

Nos meses seguintes fui passando por várias estratégias que a seguir passo a enumerar (não as usei por esta ordem e às vezes usava mais do que uma ao mesmo tempo).

 

1- Suplementar sempre a mamada com fórmula (porque todos me chateavam dizendo que podia ser fome)

2- Embalar no carrinho/cock

3- Embalar ao colo

4- Deixar na caminha às escuras

5- Deixar na caminha em ambiente semi-escurecido

6- Deixar na caminha com luminosidade (!)

7- Levar para a caminha e falar com ele

8- Arranjar-lhe uma "naninha" de estimação. 

9- Deixa-lo chorar (sim, fiz isso uma vez, e senti-me a pior mãe do mundo)

10- Pô-lo a ouvir os "sons do útero", música clássica, Rádio Xl Romântica, Smooth FM, Antena 2...

 

A conclusão a que cheguei é que as estratégias umas vezes resultavam e outras não. E quando eu me estava já a afeiçoar a uma estratégia... ela deixava de resultar e tinha que mudar para a outra. 

 

Não consegui vencer o "jogo do sono". Aliás, creio que no jogo do sono nunca há vencedores. Temos por vezes a ilusão da vitória, mas é apenas isso. Uma ilusão. 

 

EPISÓDIO 3

 

O sono de um bebé é como os feriados.

Desejamos arduamente que cheguem, mas  depois não sabemos o que fazer com eles!

 

(...)

 

Tinham-me dito para a aproveitar bem os momentos em que o meu baby estava a dormir. Aproveitar para descansar, para fazer eu própria uma sesta.

 

Não sei porquê, mas nunca consegui cumprir com a recomendação. Talvez porque nunca fui pessoa de dormir de dia, sempre que o Vasco adormecia ( e começou a fazer sestas maiores com o tempo), em vez de me ir deitar... punha-me a lavar a loiça, a estender roupa, a cozinhar...

 

Conclusão: cheguei a um ponto em que já estava extremamente cansada. E tudo por culpa minha. 

 

Hoje em dia, ainda é mais engraçado. Como o Vasco está naquela fase giríssima em que faz imensas gracinhas, quando ele está a dormir... sentimos a falta dele!

 

Se o Vasco dormir uma hora, achamos pouco. Se dormir uma hora e meia, achamos bem. A partir de duas horas começamos a ficar ansiosos. 

 

Então... e ele não acorda?- diz um.

Já está a dormir há muito tempo...- diz outro.

Vai lá vê-lo. Vê se está a respirar bem- diz o primeiro.

 

Parecemos o burro do Shrek na versão "Já acordou? Já acordou?", em vez do célebre "Já chegámos? Já chegámos".

Tanto tempo à espera do soninho do Vasco. E depois, parecemos baratas tontas à espera que ele venha de novo para os nossos braços.

 

O sono de um bebé é algo de imprevisível, desafiante e complexo.

Mas mais complexos ainda somos nós, os pais. 

Não acham? :)

Janeiro 03, 2017

O Triângulo Perfeito

Perceber que não se podem fazer planos com muita antecedência. Aceitar que, a qualquer momento, os planos podem mudar. E não ficar muito desgostoso se o dia não correr como planeado. Estes foram alguns dos ensinamentos que o ano de 2016 me trouxe.

Só agora que fui mãe, é que percebo como tudo antigamente era tão simples e tão definido! Até aqui, toda a minha vida era clara e estruturada. Habituar-me à inconstância dos dias (e dos planos) não foi uma experiência fácil. Paciência foi uma qualidade que adquiri (à força), assim como a capacidade de lidar com a frustração.

 

Antes da maternidade, os planos não eram planos. Eram quase certezas:

 

Se combinava com uma amiga ir ao shopping no fim de semana, em 90% dos casos a promessa concretizava-se.

Se comprava um bilhete para um espetáculo... pois só se chovessem canivetes é que eu faltava!

Se acordava num sábado de manhã com uma especial vontade de ir almoçar fora... quem é que me impedia de ir?

E depois fui mãe. E depois a vida mudou. 

Ser mãe é combinar ir ao shopping no fim de semana, mas acabar a fazer compras na internet por falta de tempo. É marcar um café com as amigas, mas ter que ir embora a meio porque o V. está com cólicas e não pára de chorar. 

Ser mãe é combinar um almoço no Porto e acabar por ficar em casa porque mesmo antes de sairmos o bebé (1) vomitou  (2) bolsou (3) defecou  (4) sujou o body, ou as quatro opções ao mesmo tempo. E para além disso, caiu vómito na nossa saia nova, aquela que tínhamos comprado especialmente para a ocasião. 

 

(com o tempo, estes problemas diluem-se... acabamos por ir almoçar ao Porto na mesma, com a saia toda borrada. Chega a um ponto que estes detalhes deixam de importar)

 

Ser mãe é substituir o "sábado vou ao parque dar uma corrida" pelo "sábado, eu GOSTAVA TANTO de ir ao parque dar uma corrida". 

Ser mãe é marcar um jantar romântico e acabar a degustar os snacks da vending-machine da urgência pediátrica. 

 

No primeiro ano de vida de um bebé, andamos a "toque de caixa" daquele ser fofo, ternurento e indefeso. Ele é o big boss, não há dúvida alguma. É o "pequeno tirano" que sem sequer se aperceber, mexe com toda a nossa estrutura, altera todas as nosss rotinas. 

O maior conselho que posso dar às futuras mães é tentarem encarar esta nova forma de vida sem grandes dramas, sem oferecer grande resistência... 

Vão ter dias de grande stresse, de grande frustração interior, mas com o tempo vão acabar por perceber que o amor que sentem pelo vosso filho é superior a tudo. Acima de tudo, é importante encarar as mudanças de planos (vão haver muitas, preparem-se) com otimismo e sentido de humor. 

 

Posto isto... a minha resolução para o novo ano é...  relaxar um bocadinho e ir na maré. 

Sou mãe. Decidi que não vou fazer grandes planos.  

Mas tu 2017, conta lá... que planos tens guardados para mim?

Dezembro 26, 2016

O Triângulo Perfeito

Este Natal, decidimos criar uma "caixa de sonhos"... Cada elemento da família escreveu num papel o seu maior sonho/desejo para 2018 e colocou o mesmo dentro de uns frasquinhos muito giros que eu comprei há duas semanas, já a pensar nesta atividade. Ou seja, basicamente, enfrascámos os sonhos. 

 

Mas... esperem... sonhos para 2018? Não deviam ser para 2017?!  

 

Há uma explicação lógica para isto. O Natal é passado em minha casa apenas de dois em dois anos (para o ano será em casa de outro elemento da família) e achámos, por isso, que seria giro alargar o lapso temporal.

 

Os frascos foram inseridos numa caixinha azul e esta, a pedido de todos, foi lacrada. A minha ideia era enterrar a caixa no parque da cidade, mas está um frio medonho e ninguém achou piada à perspetiva de escavar terreno com uma temperatura de 6 graus. O nosso tesouro vai, portanto, ficar guardad0 num armário até 2018. 

 

Daqui a dois anos quando o Natal for passado novamente em nossa casa, vamos abrir a caixa dos sonhos e passar um bom momento de convívio (espero eu...). Mesmo que nada se realize, continuaremos a sonhar.

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Dezembro 17, 2016

O Triângulo Perfeito

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...ninguém me avisou que eu teria que dormir aos solavancos, por entre as mamadas, as trocas de fraldas e as cólicas do bebé. Ninguém me contou que, se conseguisse dormir três horas seguidas, isso seria um feito extraordinário. E ninguém me explicou que, no princípio, ia sentir muitas dores a amamentar.

 

Ninguém me disse que devia aproveitar as sestas do bebé para dormir também. E que talvez fosse preciso "fechar os olhos" à desarrumação da casa, porque o ato de descansar passaria a ser mais crucial.

 

É certo.... disseram-me que o meu mundo se ia virar ao contrário... Mas ninguém avisou que nunca mais teria tempo para almoçar, jantar ou até mesmo lanchar em sossego. Que  o café do pequeno-almoço iria ficar esquecido na chávena. Que o "prato completo" seria substituído por uma sandes de atum devorada à pressa "antes que o bebé acorde". 

 

Não há nada como o sorriso deles. Não há maior aconchego para o coração que vê-los a crescer felizes. Mas ninguém me disse que nunca mais ia ter privacidade para ir ao WC. Que muitas vezes teria que aguentar a bexiga até eles adormecerem. Que teria que aprender a fazer chici de pé (uma mão na sanita e outra a segurar o bebé para evitar que ele mexa no piaçaba) e a  fechar as portas com golpes de ombro. Que teria que cozinhar só com um braço. Para nunca lhe faltar colo. 

 

Disseram-me para aproveitar bem os meses de gravidez. Não há dúvida que me disseram para ir ao cinema, sair com as amigas e namorar bastante com o meu marido. Pena não terem insistido mais! Nada me preparou para o que aí vinha.

 

Ninguém me avisou que o cinema seria substiuído por canais cabo, que os jantares de amigos seriam adiados "porque o bebé está doente". E que as conversas animadas do casal, muitas vezes, seriam substituídas pelo silêncio do cansaço.

 

Olho-me ao espelho  e o que vejo? Vejo um boneco desgrenhado, com os cabelos cheios de sopa seca, a camisola cheia de nódoas de banana, os sapatos há várias semanas por engraxar. Vejo uma mancha negra no sítio em que tentei colocar o rímel à pressa. Vejo que, sem querer, coloquei duas lentes de contato no mesmo olho. Quem é esta? Não sei. Ninguém me avisou que eu me ia perder de mim. 

 

Disseram-me que os cinco meses de licença iam fortalecer os nossos laços . Mas ninguém me falou da solidão. E da lentidão com que as horas passam quando se está um dia inteiro sozinho. Ninguém me avisou que, por mais que amasse o meu filho, ia sentir saudades de conversar com uma pessoa adulta, sobre temas adultos, num local adulto. Em vez de um tapete cheio de brinquedos.

 

Passou pouco mais de um ano desde que o meu tesouro nasceu. E hoje foi mais um dia da minha vida de mãe. Não há dúvidas que é uma vida dura, cansativa, stressante, mas sabem que mais? Vale tanto a pena!

 

Adoro o meu filho. Ele é o meu maior bem, o meu maior tesouro. Todos os dias me faz sorrir. Todos os dias dá-me força para viver. Todos sacrifícios valem a pena, para o fazer feliz. E no final do dia, todas as dificuldades são relativizadas pelo aconchego de um abraço. Pela visão ternurenta de um bebé tranquilo agarrado ao seu ursinho, a dormir. 

 

Se é difícil ser mãe? Sim. Mas não me arrependo nada de o ter sido. 

Ninguém me avisou que podia haver um amor tão grande. Ninguém avisou para não estragar a surpresa.

É que os segredos mais doces... são para guardar.

Dezembro 16, 2016

O Triângulo Perfeito

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Os outros dois vértices estão doentes e o dia foi um bocado (muito) stressante... Sinceramente, a única coisa que salvou esta sexta-feira alucinante, foi o facto de ter conseguido levar a minha prenda solidária aos correios.

A encomenda já seguiu e eu sei que há uma criança em Portugal que vai ficar muito, muito feliz!

A senhora que me atendeu nos correios, quando olhou para o monitor, ficou com a lagriminha no olho e disse-me:

- Menina, você hoje nem imagina a boa ação que fez!!!

Por questões de anonimato, não nos podem dizer para que instituição foi a prenda. Mas não faz mal. Eu sei que alguém vai ter um Natal mais bonito.

Já decidi que, para o ano, vou aderir novamente à campanha "Pai Natal Solidário" dos CTT. E quero que um dia o Vasco perceba que, quanto mais (nos) damos aos outros, mais nos preenchemos por dentro.

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