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O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

Novembro 05, 2018

O Triângulo Perfeito

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O Xavier fez ontem 4 meses. E são 4 meses de amamentação exclusiva. Estou feliz, muito feliz. 

Acima de tudo sinto que o "pior" (dores iniciais, intervalos de amamentação super curtos) já passou. Agora sim: começo, finalmente, a desfrutar dos momentos a dois.

Com o Vasco (1º filho) a "maminha" terminou aos 4 meses... por isso tinha estabelecido para mim própria uma meta pessoal. Tinha como objetivo ultrapassar esse timing no segundo filho.

Dizia muitas vezes ao meu marido que se conseguisse amamentar o Xavier durante 4 meses + 1 DIA... já era uma vitória em relação à experiência anterior, eh eh :)

Com o Vasco a amamentação foi sempre mista (mama + complemento) e acredito que isso, juntamente com a personalidade dele (super ativo, não conseguia ficar mais que 3 minutos no colo) fez com que o aleitamento materno terminasse tão cedo.

Desta vez, parece-me que a "coisa" está para ficar. O Xavier adora mamar (até demais, pois não aceita biberão) e tem-se desenvolvido muito bem. E é uma dupla vitória porque não só consegui chegar aos 4 meses, como o fiz sempre em amamentação exclusiva, ao contrário do que aconteceu com o mano mais velho.

A meu favor, tenho o facto de nunca ter sofrido mastites por isso o processo não me custou muito.

 

Não posso dar receitas milagrosas porque não sou uma expert no assunto, mas no meu caso funcionou bem:

 

- Purelan (doses e doses nos primeiros dias)- empastar bem a auréola logo a seguir a uma mamada e deixar estar assim, meio peganhento até à mamada seguinte;

- Maminhas ao léu;

- Alternar as duas maminhas sempre, para não encaroçar a menos usada.

- Livre demanda (no meu caso foi até aos 3 meses; agora que o bebé já está mais crescido já vou "alargando" um pouco mais os intervalos)

A livre demanda, embora super cansativa, para mim foi muito importante... Primeiro porque estimulou bastante a produção de leite. Segundo, porque me livrou das mastites. Sempre que a maminha começava a ficar mais cheia e a querer "encaroçar", o Xavier mamava e desfazia o caroço.

- Extração de leite nas primeiras semanas: neste momento já não tenho necessidade porque a quantidade de leite que produzo está na medida certa daquilo que o Xavier mama (a ver vamos se assim continua...) Mas no início, houve alturas em que eu produzia mais leite do que aquilo que ele era capaz de mamar. Para evitar "caroços" e dores, em algumas ocasiões extraí leite após a mamada. Confesso que não gosto nada de extrair com a máquina, acho um bocado desagradável. Mas consegui retirar algumas vantagens dela.

 

Este não pretende ser um "bragging post". Estou apenas a relatar esta segunda experiência de amamentação, assim como relatei com detalhes a primeira experiência. Estou satisfeita, reconheço. E quero deixar aqui registado (porque este blog é também o registo das minhas memórias e sentimentos) a felicidade que sinto. Só isso... 

 

 

 

 

 

Setembro 19, 2018

O Triângulo Perfeito

É muito bom ter bebés. Eles são doces, amorosos, pequeninos e têm aquele cheirinho especial...

Mas todos os pais sabem que nem tudo são rosas e há coisas que dispensamos bem. 

O Xavi tem, neste momento, 2 meses e nem todos os "processos" deixaram saudades.

Este é o Top 5 dos pormenores chatos, dos quais já me livrei :)

 

5º lugar: As dores pós-parto

Ainda não se foram todas embora... Ainda sinto os ossos púbicos repisados como se tivesse escorregado sem querer e feito uma espargata à força. Mas fora isso, as coisas estão bem melhores! Nos primeiros dias mal me conseguia sentar e doía-me quando ia ao WC. Passado uma semana já quase não sentia nada e hoje já estou (praticamente) ok.

 

4º lugar: As dores nas maminhas

Sou uma rapariga de sorte porque não padeci de nenhum dos problemas típicos da amamentação. Não me doeu (nem desta, nem da outra vez) na descida do leite, não ganhei febre, nunca tive uma mastite. Mas claro que nos primeiros 4 ou 5 dias, quando o bebé começou a mamar os meus seios doeram. E dei por ela a percorrer mentalmente o meu stock de palavrões :) Entretanto, as dores passaram, ficando apenas o prazer de amamentar.

 

3º lugar: As borbulhas do bebé

Há quem lhe chame "medrar", outros chamam-lhe "borboejos". São aquelas borbulhinhas vermelhas que se espalham pela cara e corpo do bebé 2 ou 3 semanas após o nascimento, Não gosto nada... Eles ficam com um aspeto de quem foi picado por abelhas e a gente experimenta tudo para as borbulhas passarem. Não há volta a dar, porque não há creme (pelo menos que eu conheça) que acabe com as borbulhas. E a verdade é que são auto-limitadas. Passado duas semanas desaparece tudo, tão misteriosamente como começou :)

 

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 O Xavi quanto estava na fase do "medranço". Ainda bem que as borbulhas passaram... Mais do que o (mau) aspeto estético, era uma preocupação vê-lo assim. Estava sempre com receio que ele sentisse comichão ou ardência na pele...

 

2ºlugar: O cordão umbilical ao dependuro

Ui! Não tenho saudades nenhumas daqueles primeiros dias em que temos que ter mil cuidados com o cordão umbilical. Não dá jeito nenhum para mudar a fralda e estou sempre com receio de magoar sem querer o bebé. É uma felicidade quando o dito cujo cai de vez.

O cordão do Vasco caiu passado 10 dias. Curiosamente, o do Xavier passado 5 dias já tinha desaparecido. Nunca percebi a razão desta diferença de rapidez pois atuei exatamente da mesma forma nos dois casos.

 

1º Os malditos soluços!

Já é difícil dar de mamar de duas em duas horas. Mas é ainda mais frustrante quando, depois de uma mamada, o bebé em vez de dormir entra numa espiral de soluços que o fazem chorar e ficar irritado. No momento em que devia estar a dormir, o bebé não dorme porque está com soluços. E o pior é que vemos o tempo a passar (assim como as nossas possibilidades de descanso) sem o problema se resolver. O Vasco teve soluços para aí até aos 3 meses. O Xavier só teve no primeiro mês. Ainda bem que desapareceram, uff!

 

 E vocês? O que menos gostaram no 1º mês do vosso bebé? De que coisas NÃO VÃO ter mesmo saudadinhas nenhumas? :))

 

 

Agosto 09, 2018

O Triângulo Perfeito

... e um perímetro de cerca de 1 metro à volta desta.

Estou cansada.... Ou melhor... entediada! :)

Dou de mamar mais de 10 vezes ao dia, e cada vez (contando com o tempo do miminho e dos arrotos) dura cerca de 1 hora.

Fiz as contas e concluí que passo mais de metade do meu dia sentada a alimentar o meu filho. 

 

Já não sei quantos quilómetros percorri a balançar na poltrona. Já perdi a conta às vezes em que adormeci sentada, acordando estremunhada sem saber quanto tempo passou.

 

No meio dessas horas todas, já deu para analisar com detalhe todos os pormenores do meu quarto.

Já fiz e refiz (mentalmente) centenas de vezes a decoração do espaço para ocupar o tempo.

 

Não há volta a dar. São mais de 10 horas no raio da poltrona.

10 horas...Dá tempo para tudo.

 

Eu não sou propriamente daquelas pessoas que adoooooora dar de mamar. Também não odeio, mas não digo maravilhas do processo.

Faço-o, porque é o melhor para o meu filho, é mais saudável, tranquilizante, enfim. Tudo o que já sabemos :)

Mas se houvesse uma magia ou uma espécie de comprimido milagroso que me permitisse fazê-lo apenas 2 ou 3 vezes por dia, sem sequelas... para mim era ótimo. E sobrava-me tempo para fazer outra coisas que acho muito mais interessantes e que me preenchem mais.

 

Faço-o, acima de tudo, porque quero. Ninguém me obrigou, nem pressionou. É uma decisão minha. 

Mas isso não quer dizer que não custe. E o processo acarreta alguns efeitos adversos:

 

Durante as 10 horas na poltrona... os meus pensamentos voam e nem sempre os consigo controlar.

Penso nos meus sonhos, no meu futuro, na minha vida e no que quero para mim.

Regresso ao passado, e vou desencarcerar memórias que julgava esquecidas.

Relembro momentos bons da minha infância. Viajo, dou à volta ao mundo...

Mas não consigo ser líder do que se passa na minha cabeça. E por vezes dou de caras com os meus próprios fantasmas, com processos mal curados, com ressentimentos e mágoas. E eu que sou tão boa a ruminar pensamentos autodestrutivos...

 

No lufa lufa de um dia normal não há tempo para divagações e isso é ótimo.

Mas 10 horas na poltrona dão para tudo, pessoal.

Dá para fazer muita autoanálise. Dá para pensar em muita merda.

Dá para chegar a boas conclusões (tipo: vou abrir uma conta e poupar dinheiro) ou conclusões de treta (ninguém gosta de mim, buáaaaaa)

Depende do estado de espírito.

 

É preciso encontrar fontes de distração. É muito giro ver o meu filho mamar, fico embevecida, mas não sou pessoa de passar horas e horas a derreter-se em amor e admiração.

 

Confissão: Já joguei milhares de partidas de candy crush enquanto o miúdo mama. 

Pode não ser muito saudável por causa das radiações e tal e tal. E sei que posso estar a perturbar o tal mítico momento de conexão mãe-filho de que todos falam.  Sei disso...

Mas abençoado instagram, printerest, twitter e afins :)  Enquanto faço scroll pelas vidas dos outros, distraio-me da minha auto-infligida solidão (estou muito poética hoje).

 

É difícil amamentar. Não odeio, mas também não faço parte do rebanho que adora. Estou numa espécie de "purgatório das mamocas" em que ainda não foi decidido se vou para o inferno ou para o céu.

 

Não estou à espera de medalhas; apenas de alguma empatia. 

 

Assim...

(som de cornetas e violinos celestiais porque vem aí um ato de contrição)

 

Peço desculpa à humanidade pelos dias em que não consigo exibir o meu melhor sorriso.

Peço desculpa por refilar, por estar psicologicamente ausente ou, pelo contrário demasiado àvida de atenção.

Peço desculpa por não estar fresca e viçosa no final de um dia, mesmo quando passei o dia todo em casa "sem fazer nada de jeito".

Peço desculpa por não dizer tantas piadas como de costume. Ou por dizer piadas estúpidas e sem graça.

Peço desculpa por estar triste e com ar desaminado, apesar de nada de mal me ter acontecido.

Peço desculpa pelo mau feitio. (ah... já tinha? Então peço desculpa por estar pior kkkk)

 

O meu reino é uma poltrona.

É nessa poltrona que me entrego de corpo e alma, e que tento dar o melhor de mim ao meu filho.

Por vezes, enquanto dou o melhor de mim sinto-me tão cansada que me perco de mim. 

Sei que um dia vou ter saudades disto, mas hoje e só hoje apetecia-me ser só eu e divertir-me lá fora.

 

Quem conseguiu perceber aquilo que eu disse... levante o dedo :))

Quem não conseguiu, também está desculpado. Sei que sou uma miúda complicada. 

 

Julho 27, 2018

O Triângulo Perfeito

... devo ter sido a primeira pessoa a amamentar o filhote nos calabouços de um banco.

Não vou dizer qual é o banco para não arranjar problemas a ninguém, até porque foram super gentis comigo, ok?

Basicamente, eu tinha ido com o Xavier dar um passeio na cidade.

Ele estava a dormir profundamente e estava tudo a correr bem. Depois do passeio e como ele estava com um ar tranquilo lembrei-me tinha que fazer um depósito ao meu banco. Já andava a adiar aquilo há uns dias, e aquela pareceu-me uma boa oportunidade.

A certa altura, já estava eu em frente à caixa com uma série de notas para depositar na mão... quando o miúdo acorda e arma o berreiro (mas um berreiro ao nível dos porcos no matadouro).

Ficou tudo a olhar para mim e eu cada vez mais envergonhada.

O choro sempre a piorar e eu cada vez mais atrapalhada, sem saber se havia de meter as notas na ranhura dos depósitos, ou pegar no bebé. 

Acabei por concluir a operação, acompanhada de berros altíssimos e logo ali percebi que nem valia a pena sair para a rua. 

O puto tinha fome. E o puto queria comer já. Percebi isso pela minha experiência enciclopédica de choros de bebé. O choro dele era tipo "Meh Meh!" e um dia li não sei onde que chorar tipo ovelha é sinal de fome. 

Portanto, olhei à volta e não vejo nenhum sítio onde me sentar (nessa altura já me estava a marimbar para os meus pudores de ter as mamas à mostra, só queria mesmo era sentar-me e alimentar o miúdo). 

Acabo por pedir a uma das funcionárias da caixa para ir à casa de banho, ao que ela me respondeu que o WC estava destinado à gerência. Claro que eu já sabia isso, mas tinha que arriscar, não é?

Entretanto, e como o bebé já berrava a pontos de se ouvir em França, a senhora lá deve ter pesado os prós e os contras e deixou-me entrar para uma sala tipo arquivo, onde estive durante 20 minutos a amamentar, rodeada por livros e papelada.

Mandou, como é óbvio uma funcionária atrás de mim por questões de segurança e estivemos ali a fazer conversa de treta durante toda a mamadela.

Depois deste episódio percebi que é URGENTE comprar um sling, porque se tivesse o dito cujo não precisava de mais nada: o miúdo mamava logo dentro do sling e pronto.

Vi no facebook que vai haver brevemente um workshop de babywearing aqui perto da minha e desta vez, acho que não vou deixar passar. Torna-se tudo muito mais prático, incluindo a própria amamentação. 

 

Julho 22, 2018

O Triângulo Perfeito

Sempre tive como objetivo amamentar exclusivamente.

Com o primeiro filho, não o fiz. Não consegui...

 

Nessa primeira experiência de maternidade (há dois anos) optámos por uma amamentação mista: leite materno, seguido de uma pequena dose de suplemento.

Não se tratava propriamente de falta de informação...  Eu já sabia, na altura, que o leite da mãe é o mais saudável. 

 

Contudo, havia uma grande dose de insegurança da minha parte.

Na verdade, não confiava inteiramente no meu corpo. Tinha medo de não produzir leite suficiente. Tinha medo que o meu leite fosse de má qualidade... Estava cheia de medos e inseguranças!!

 

No hospital onde tivemos o primeiro bebé, as enfermeiras ofereceram logo o leite em fórmula como complemento à mamada. Com a nossa inexperiência achámos que esse procedimento era o mais correto e normal. Nem questionámos. Mais alguém assim?

 

Entretanto, engravidei de novo.

Durante todo o processo de busca por um parto diferente, fui ganhando confiança no meu corpo e nas suas potencialidades.

Uma das frases que mais ouvi nas aulas de preparação para o parto foi "a natureza sabe o que faz". A minha doula também me convenceu a acreditar mais em mim.

 

A minha auto-confiança aumentou ainda mais, quando há duas semanas consegui o parto que sonhei

O facto de ter deixado a natureza seguir o seu caminho (indução natural do parto através da acupuntura, dilação sem occitocina, etc) contribuiu para o meu empoderamento.

 

A palavra é mesmo essa: sinto-me poderosa. Passei a acreditar mais em mim e nas minhas capacidades. 

 

Percebi, por exemplo, que não existe essa coisa de "leite bom e leite mau".

Interiorizei que todas nós produzimos leite em quantidade suficiente, desde que estimulemos devidamente (e frequentemente) o mamilo. Assimilei que, quanto mais vezes o bebé mamar, mais leite temos.

 

Assim...

 

Desta vez, resolvi tentar a amamentação exclusiva.

Se não conseguisse, não haveria crise. Regressaríamos ao esquema antigo do complemento, ou até mesmo do biberon exclusivo, caso fosse necessário. 

 

Mas aparentemente, o meu corpo fez o seu papel e estou muito feliz por isso.

 

Nos primeiros dias (como só tinha colostro) o Xavier emagreceu 5,7% do seu peso inicial.

 

Graças ao apoio das enfermeiras do hospital (e até mesmo de mamãs aqui da blogosfera que me deram muito apoio), não entrei em pânico pois todos me disseram que isso era normal (é comumo bebé diminuir até 10% do peso nos primeiros 5 dias).

 

Entretanto, ao 5º dia deu-se a descida do leite (ou subida... nunca percebi se é subir ou descer eh eh) e o Xavier começou a engordar. 

 

Na consulta dos 15 dias, o Xavier não só tinha recuperado o peso que perdeu, como já tinha engordado 500 gramas para além disso. 

Ou seja, o Xavier começou com 3, 275Kg e com 15 dias já tinha 3, 775Kg. 

 

A enfermeira do centro de saúde deu-nos os parabéns e disse-nos que não se podia pedir melhor. 

Agora é continuar a amamentar, esperando que o Xavier evolua sempre bem.

 

Eu nunca tinha tido antes a experiência de amamentar em exclusivo e o que noto mais é a falta de tempo para o resto das coisas. 

Perco cerca de 40 minutos a amamentar, mais 10 para a mudar fralda e por bebé a arrotar... enfim... perco quase uma hora em cada mamada! 

 

Se tivermos em conta que o Xavier mama de 2 em 2 horas (em média) já estão a ver a minha vida neste momento!

Não faço mais nada senão dar de mamar :))

 

Amamentar em exclusivo é uma experiência bonita e saudável, mas muito exigente para a mãe do ponto de vista físico. É o que eu concluo.

Ficamos com pouco tempo para dormir entre as mamadas, muito mais cansados e a própria rotina do dia-a-dia torna-se desgastante.

No meu caso, acrescido a tudo isso... farto-me de transpirar. Derreto-me em água quando estou a dar de mamar.

 

Por isso, quero dizer uma vez mais que compreendo perfeitamente a opção daqueles que, mesmo tendo possibilidde, escolheram não amamentar exclusivamente. 

Há altura em que isto é mesmo uma grande seca, ah ah!

Por falar em seca imaginem o que vou fazer agora?

Sim... dar de mamar...

 

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Assim que nasceu, o Xavier foi colocado no meu peito, onde esteve cerca de 2 horas. Só depois foi pesado, medido e vestido. Acredito que o contacto direto pele-a-pele, ajudou no processo de amamentação

 

Nota: 

Quem lê o meu blogue com atenção sabe que não sou nada fundamentalista em relação a este assunto da amamentação. Até já fiz um post aqui há tempos, expondo as minhas dúvidas e anseios. 

Sou super a favor de respeitarmos as opções de cada um e de não cairmos em extremismos loucos.

Tal como nas questão do parto cabe a cada mulher decidir o que é melhor para si (depois de devidamente informada...) penso que também deve ser respeitada a decisão de amamentar em exclusivo ou não.  

Apesar dos benefícios da amamentação estarem mais que comprovados, estamos a falar de uma decisão muito pessoal que envolve vários factores, não só físicos como psicológicos.

E tão importante como a saúde do bebé, é que a mãe esteja equilibrada e bem consigo própria. Se o equilíbrio da mãe ficar em suspenso por causa da amamentação, então acho que mais vale ela abandonar o conceito. Opinião minha, claro.

Como diz a minha enfermeira do centro de saúde, "amamentar é como dançar o tango: são precisos dois". Se a mãe ou o bebé não estão satisfeitos, é hora de mudar. :)

 

Junho 18, 2018

O Triângulo Perfeito

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No último parto, logo na primeira mamada foi-me oferecido leite de fórmula, tendo eu aceite sem hesitar, um pouco por inexperiência.


Aconselharam-me a oferecer sempre a mama em primeiro lugar e, só depois o leite de fórmula.

Fiz sempre assim e resultou bem, muito honestamente. O Vasco engordou 500 g nas duas primeiras semanas, enquanto outros bebés emagreceram. 


Procedi da mesma forma até ao fim da amamentação: primeiro dava mama, depois leite de fórmula. Sempre assim. 


No meu caso a amamentação terminou por volta dos 4 meses. Fiquei com pena, mas a verdade é que o Vasco não queria mamar mais. Só queria o biberon...

 

THoje penso nisto...

Terá abandonado tão cedo por causa deste método? Deveria ter deixado o leite de fórmula mais cedo?

Ou... eu não deveria ter dado esse leite sequer??

 


Entretanto, vou mudar de hospital (para um público) e percebi que lá não oferecem o leite em pó, a não ser que a mãe peça ou em casos excecionais, pois defendem que o leite da mãe é suficiente.


Eu concordo com a ideia, mas fico na dúvida... é que sejamos realistas, nas primeiras mamadas não sai quase nada!

Como podem ser suficientes aquelas pequenas gotas?


Conheço amigas que acabaram por ter que dar o leite de fórmula porque o bebé já estava a ficar desidratado...

Os bebés a berrarem com fome e as técnicas sempre a insistirem e a dizerem que o leite da mama era suficiente...

Um desses bebés teve que regressar ao hospital, dois dias depois de sair, num quadro enorme de desidratação... A coisa esteve má, e afinal era fome/sede.

 

Sou defensora da amamentação. Dei mama e quero voltar a dar. O máximo de tempo possível!

Mas pergunto... Não se estará a cair no exagero, ao pressionar as mães para amamentarem a qualquer custo? Não seria melhor avaliar-se caso a caso...?

 

Será assim tão errado dar leite de fórmula como complemento para a amamentação materna, pelo menos até ao leite da mãe ser em quantidade suficiente?

Será errado complementar nem que seja nas primeiras vezes (e ir abandonando pouco a pouco) até pelo menos à descida do leite?

 

Eu vejo mães desesperadas, com filhotes aos berros, e elas a queixar-se que eles não dormem (como poderão dormir, se têm fome?) e... não lhes dão leite de fórmula porque estão completamente "formatadas" pela ideia da amamentação materna.

 

E como tudo na maternidade é uma "competição", dar leite de fórmula é daquelas coisas que ninguém quer fazer ou admitir que faz.

 

Tenho medo do que me vai acontecer no novo hospital

Serei capaz de amamentar em exclusivo? Será que o meu filho vai ter fome? 

E se tiver fome durante a noite? Terei acesso fácil ao leite em pó?

Prometo que desta vez, não vou usa-lo até aos 4 meses.

(Sim, acredito cada vez mais que essa terá sido a causa do desmame precoce; quem é que quer maminha quando o biberon é tão mais fácil))

Mas completar menos até à descida do leite... será errado?

 

O que pensam sobre isto, as mamãs da blogosfera?

Dezembro 31, 2016

O Triângulo Perfeito

(bebé de 10 semanas pais cansados, diálogo sobre a teoria da "livre demanda")

 

Ela - Olha, ele já dorme! Está com um ar tão fofo. Adormeceu a mamar no peito, devia ter mesmo fome...

Ele - Pois devia... há quanto tempo não lhe davas de mamar?

Ela: Tinha-lhe dado de mamar há três quartos de hora.... E antes disso tinha dado de mamar uma hora antes. De manhã até lhe dei de mamar com intervalos de meia hora. Vou-te contar!! Esta história da "livre demanda" está a pôr-me louca!

Ele: Como assim?

Ela: Então não te lembras do que disse o pediatra? Agora temos que dar de mamar sempre que o bebé pede. Aquela coisa de amamentar de 3 em 3 horas, hoje em dia já não se usa... Os especialistas chegaram à conclusão que o bebé se desenvolve melhor se beber leite à hora que quiser. 

Ele: Será verdade?

Ela: Não sei. Só sei que estou tão cansada... Houve um dia desta semana que estava tão farta de andar sempre a vestir e despir a camisola que... sabes o que é que eu fiz? Desisti!

Ele: Desististe de dar de mamar??

Ela: Não... desisti de vestir a camisola. Andei a tarde toda despida do tronco para cima. Poupei esse trabalho, pelo menos...

Ele: A sério?? Em que dia é que isso foi? Andaste despida? E eu a trabalhar todo o dia como um escravo... Não acredito que não estava em casa para ver esse espetáculo...

Ela: Foi na terça-feira... E eu não acredito que passe os meus dias a amamentar, Sinto-me uma vaca leiteira.

Ele: Espera, espera... não estás a ouvir um barulho? Acho que é ele... Ahhhh.... Acordou!...

Ela: Se calhar tem frio.

Ele: Se calhar tem calor.

Ela: Se calhar está desconfortável, pareceu-me que tinha a cabecinha torta.

Ele: Se calhar... não te zangues, mas... não terá ele fome? Será que mamou bem nesta última vez? Não era melhor ires dar de mamar outra vez?

Ela: Outra vez??  Mas eu não faço mais nada na vida...

Ele: Vai lá. É bom para o miúdo... Olha, e já agora, depois de ele mamar, deixa-te ficar "ao natural".

Ela: Como assim?

Ele: Olha, assim como estavas na terça feira... É como tu dizes, daqui a bocado ele vai querer mamar outra vez e assim poupas o trabalho. É isso, faz de conta que é terça-feira...

 

Nota da autora- A livre demanda é uma perspetiva que a nossa família apoia e que continuaremos a utilizar no futuro, sobretudo nos primeiros meses de vida no bebé. O diálogo que acima recordei, não pretende dissuadir ninguém: serve apenas para ilustrar algumas das dificuldades/desafios que encontrei durante a utilização deste método :)

 

dia e noite.jpg

 

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