Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

Dom | 07.10.18

Futebol ou Ballet? Escola de Bombeiros!

O Triângulo Perfeito

Hoje foi um dia especial...fomos visitar um quartel dos bombeiros!

Como quase todas as crianças, o Vasco tem uma paixão enorme por estes profissionais e já andava há algum tempo a pedir para "ver os carros por dentro".

Felizmente, existe um quartel perto de nossa casa. Esta semana, conseguimos encontrar algum tempo para ir lá dar uma saltada.

Acreditem, foi uma das atividades mais giras que fizemos nos últimos tempos. Tão simples e tão produtiva!

Fomos super bem recebidos (não podiamos ter sido melhor acolhidos) e tivemos direito a uma visita guiada. 

O Vasco entrou nas ambulâncias, subiu aos carros dos bombeiros, usou um capacete, ligou uma sirene, viu as mangueiras... e ainda fez de conta que estava a falar num Walkie-talkie.

Eu aproveitei a deixa e... experimentei tudo também! É ver as fotos no nosso instagram, dá para perceber o quanto gostámos da peripécia.

Não tinha a noção de que os carros dos bombeiros eram tão altos. Se subir para eles era fácil, já para descer... nem por isso. Concluí que se quisesse ser bombeira, antes do fogo teria que vencer primeiramente o meu pavor das alturas. 

O Vasco estava entusiasmado e fez imensas perguntas. Corria de carro para carro e queria subir para todos (o que acabou, no fim, por ser um pouco extenuante).

Ficámos a saber que as Escolas de Bombeiros acolhem miúdos a partir dos 6 anos e que lhes transmitem formação até aos 18 anos. Só a partir dessa idade é que se pode, oficialmente, ser bombeiro. Até lá, há muita formação para a saúde e para a cidadania.

Uma das bombeiras que nos fez a visita guiada tinha 23 anos. Disse-nos que já estava há uma década naquela instituição. Tinha, portanto, começado aos 13, como infante numa escola de bombeiros.

Os olhos do Vasco brilhavam... e eu pus-me a pensar se a entrada para uma destas escolas não seria uma boa ideia.

Claro que, como mãe, o meu coração treme só de pensar no meu filho a apagar fogos num grande incêndio... Mas penso que a formação que os miúdos recebem poderá ser uma mais valia para o seu futuro.

Entre aprender primeiros socorros e perceber a importância do voluntariado, muitas vantagens resultam da frequência numa destas escolas. 

Deixo-vos aqui um link para conhecerem uma das escolas de bombeiros do nosso país (não foi esta que visitámos).

Nós, pais, temos o hábito de matricular os nossos filhos em atividades muto convencionais (futebol, música, ballet), mas às vezes também é giro pensar um bocado fora da caixa. E os resultados poderão ser excelentes!

https://www.tsf.pt/sociedade/interior/uma-escola-para-pequenos-bombeiros-9249852.html

 

 

 

 

Sex | 05.10.18

É crime não pedir vinho num restaurante "chique"?

O Triângulo Perfeito

Concluí ontem que sim. Que isso é coisa para dar tipo pena de morte.

Fomos a um restaurante todo xpto que adoramos e quando estavamos a escolher a refeição o chefe de mesa perguntou-nos que vinho queríamos escolher. 
Nenhum de nós é particularmente fã de vinho, para além de que tenho reações alérgicas (fico co rosácea e borbulhas na pele quando bebo vinho tinto e com herpes quando bebo vinho branco), por isso dissemos ao senhor que iamos beber outra coisa. 


O senhor ficou com uma cara estranha. Deve ter achado que não tinhamos dinheiro para o vinho ou coisa do género, porque ficou muito sério. 


A partir daí quando nos servia, vinha sempre a olhar de lado. 


Para compensar, e como não gostamos que nos julguem pelintras à custa do vinho... eu pedi 2 vezes a mesma bebida e o meu marido pediu 3 vezes a dele. Perfizemos assim o valor de uma garrafa de tintol., ah ah!

Não nos conseguimos foi livrar de sermos considerados parolos.


Portanto, para a próxima peço vinho e ofereço à mesa do lado... :(

Qui | 04.10.18

Continuo por cá

O Triângulo Perfeito

Aos 4 anos, usava óculos super graduados e era estrábica do olho esquerdo. Andava com uma ventosa no olho durante grande parte do dia e tinha graves problemas de descordenação. Apesar disso, era feliz.

Vivia numa aldeia de casas baixinhas e com apenas dois prédios. A minha casa era no 2ºandar de um desses prédios. A minha mãe organizava grandes festas no dia do meu aniversário e nessas festas aparecia um número infinito de crianças.

Amigos da rua, alunos dela e até miúdos que eu não conhecia. O meu dia de anos era sempre um dia mágico, com muitos bolos, prendas e alegria.

 

Aos 10 anos eu era uma menina tímida e introvertida. O meu pai trabalhava longe e a minha mãe, a braços com dois filhos pequenos já não tinha grande tempo para organizar festas. Mesmo assim, organizou-me a festa de aniversário mais feliz que eu tive até hoje. 

Nessa festa, havia apenas duas crianças. Eu, e a minha melhor amiga (que ainda o é, hoje). A minha mãe enfeitou a mesa como se se tratasse de uma festa gigante, fez sumo de laranja natural que eu bebi pela palhinha e prendou-me com a minha comida favorita: bifinhos com cogumelos. Não fiquei triste por ter pouca gente nesse jantar. Porque quase tudo o que era importante estava lá: a minha mãe, e a minha melhor amiga.

 

Aos 13 anos saí da aldeia e fomos todos morar para a cidade. Não me adaptei, foram anos difíceis e durante esse tempo não me lembro de ter feito nenhuma festa ou jantar no meu dia de anos. Por certo, terá sido feita alguma coisa, mas... não me lembro. E isso diz muito sobre esses anos, aos quais gosto de chamar "a idade das trevas", kkkk.

 

Com 18 anos fui estudar para a Universidade dos Açores, onde passei dos melhores momentos da minha vida. Tive aniversários divertidos, dançantes, com muita música, alegria, amigos e alguns copos à mistura. 

 

Aos 23 anos terminei a licenciatura e fui dar aulas, pela primeira vez, numa escola a 400km de casa. Nesse ano, passei o aniversário sozinha. Foi um bocado estranho, mas fez-se bem. Os colegas da escola organizaram um jantar e senti-me bastante feliz, apesar de estar longe da família e amigos.

 

Com 26 anos, era aventureira e gostava de arriscar. Tinha sonhos e vontade de lutar por eles. Era nova e um bocado inconsequente. Acreditava muito nas pessoas. Acreditava em mim. Achava que eram todos tão dados e honestos como eu.

Como resultado da minha inocência... sofri muito.

Nesse ano, fiquei desempregada, chateei-me com os meus pais e fui morar para um quarto alugado durante alguns meses. Entretanto, arranjei uma casa decente, e fiz as pazes com a família. Mas as memórias daquele quarto sem janela e partilhado com algumas baratas... ficarão para sempre. 

Uma semana antes do meu aniversário entrei, por opção minha, num hospital e pedi para me internarem. Estava com um esgotamento nervoso. Estive 5 dias isolada do mundo. Foi uma mudança de paradigma. Quando saí... era uma pessoa diferente. Não me lembro do que fiz nesse ano, no meu aniversário. Psicologicamente, eu não estava "cá".

 

Com 31 anos, achava que a vida já não tinha mais nada para me oferecer. E estava ok com isso.

Tinha emprego fixo, tinha superado uma depressão, tinha dinheiro, tinha o apoio da família e tinha amigos. Estava feliz e achava que isso era o máximo que a vida me podia dar.

Mas o mundo dá muitas voltas. O tempo veio a mostrar-me que vida ainda podia ser melhor. Reencontrei um amor antigo, fundei um lar e uma família e hoje temos dois filho maravilhosos.

Reativei um sonho perdido: fui tirar a licenciatura em Ciências da Comunicação. Fui aprender a dançar Jazz, tornei-me mais confiante.

 

Hoje faço 39 anos, e já tenho imensos cabelos brancos :) O meu corpo está cansado e já não responde às situações como devia. Estou mais ou menos a meio da esperança de vida nacional e isso faz-me confusão. Já não aguento as noitadas com os amigos e opto por jantares mais intimistas com aqueles que mais amo. Ainda não fiz as pazes com tudo o que me aconteceu no passado, mas sinto que está tudo muito "arrumadinho". Estou funcional e estou serena. 

Faço anos hoje e o mais importante de tudo é que continuo por cá.

Olho para trás e não me arrependo de nada. Há momentos que gostaria de ter evitado, mas tudo bem. Porque foram eles que me levaram até aqui. E eu gosto de ser quem sou. 

Ainda tenho muitos sonhos e, guess what? Ainda acredito nas pessoas. Mas acima de tudo... continuo a acreditar em mim. 

A vida é uma viagem e eu gosto de acreditar que ainda estou a meio do percurso. E estou curiosa para saber onde é que este comboio me vai levar...

 

 

Qui | 04.10.18

Parabéns a nós!

O Triângulo Perfeito

Hoje estamos de "parabéns"! A mãe faz 39 anos (ui, que isto doi!) e o pequeno Xavi, 3 meses.

Nesta data especial, o meu sentimento dominante é a gratidão.

Agradeço ao universo a possibilidade de estar cá mais um ano. Agradeço a todas a entidades divinas o facto de continuar a viver neste paraíso a que chamam Terra.

Agradeço pela grande dádiva que foi o nascimento do meu segundo filho. Agradeço pelos momentos que tenho vivido em família e pelo amor que aqui circula no ar.

Nem tudo foram rosas, este ano. Mas agradeço também pelos momentos menos bons, que me ensinaram coisas. Que me tornaram mais resistente. Que me fizeram dar ainda mais valor aos momentos felizes. 

Parabéns a nós! E que estejamos cá novamente para o ano. A sorrir.

 IMG_0938 (2).JPG

 

Qua | 03.10.18

Durante quanto tempo vou achar piada a isto?

O Triângulo Perfeito

Com 2 anos de idade (quase a fazer 3) o Vasco já tem um domínio quase perfeito da língua portuguesa. Mas de vez em quando, como qualquer miúdo da sua idade, vai dando os seus "pontapés na gramática". 

Há certas expressões/palavras que não saem como devem sair... E eu acho imensa graça a esses enganos! Aqui vão alguns exemplos:

 

"Eu fazi (fiz) chichi no pote"

"Aquele peixe não se mexe por está morrido (morto)"

"A Joana é mais pequena que mim (eu)"

"Emprocuras-me (encontras-me) o carro?"

"Procurei! Procurei! (encontrei)"

"Da-me esse carinho de curroque (reboque)"

"Curroca!, Curroca! (reboca)"

"Quero pissaaaaaaa! (pizza... esta deixa-me em apuros, eh eh)

"Vimos muitos murros (burros) na quinta"

" Eu quero um chouriço-cacheiro!"

"O camarão (tubarão) tem dentes muito grandes!"

 

E pronto! Deve haver mais, mas estas são as pérolas de que me lembro neste momento.

Sei que esta é uma daquelas coisas a que só os pais da própria cria acham piada.

Mas como este é, também, um blogue de memórias, achei por bem deixar registado.

A minha pergunta é... até quando vou achar piada a isto? :)

Não quero que ele venha da escola primária a dizer que já "fazeu" os trabalhos de casa... Por isso sinto que o hiato temporal de "engraçadisse" da coisa é muitoooo curto...

Ter | 02.10.18

Pum, pum, pum!

O Triângulo Perfeito

- Vasco, que fizeste hoje na escola?

- Brinquei.

- A quê?

- Aos tiros. O João (nome fictício) deu-me muitos tiros e eu morri. Pum, pum, pum!! (e faz o gesto dobrando os dedos em forma de pistola)

- Morreste? A sério?! E depois?

- Depois... fui eu a dar-lhe tiros. Muitos tiros.

- Mas não estavas morto, já? 

- Sim, mas depois fiquei vivo de novo. E foi a minha vez de lhe dar tiros. 

- E então brincaram a isso durante muito tempo? Hum...

- Um bocado. Mas depois fomos andar de escorrega.

 

 

Mesmo sabendo que é tudo a fingir, esta brincadeira faz-me um bocado de confusão...

E agora que tenho dois meninos, já estou a imaginar o pior cenário: a minha sala de jantar transformada em palco de guerra daqui a 1 ou 2 anitos!

Cá em casa nunca houve pistolas, nem fisgas, nem armas de qualquer espécie (nem de brincar, nem verdadeiras).  Mas não sou ingenua: já sabia que, mais tarde ou mais cedo, estas brincadeiras meias parvocas iam surgir. 

Para além da brincadeira ser meio violenta, estranho sobretudo a ligeireza com que a morte é encarada...

Ah e tal, eu estava morto, mas depois voltei à vida e ... pás, acertei-lhe nas fuças. E depois? Ah, depois fomos comer um gelado.

 

Como em tudo na vida, podemos ver o copo meio cheio ou meio vazio.

Posso analisar esta brincadeira como algo problemático se pensar apenas na parte dos tiros. E na parte de eles, miúdos, acharem que os mesmos são praticamente inócuos (já que morrem vezes sem conta e regressam novamente à vida).

Quantas histórias já ouvimos de crianças que têm armas em casa e atiram nos seus familiares sem querer, porque estavam apenas a brincar?

Este é, de facto, um tema que me preocupa. Claro que vou trabalhar o assunto e dialogar sobre isso com o Vasco. Quero que ele perceba que, na vida real, os tiros... matam mesmo :)

Mas acima de tudo... sou pelo bem. 

Não vejo qualquer maldade nesta brincadeira de miúdos de 2 anos.

Vejo sobretudo, a simplicidade, a inocência e a capacidade infinita de perdoar e fazer as pazes tão carateristica das crianças.

Zangou-se com o seu patrão? Chateou-se com a sua prima? Está amuada com o marido?

Então diga-lhe o que pensa. E depois? Depois... vá comer com ele um gelado. 

Pág. 3/3