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O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

Um susto de jantar!

Há dois anos, no Halloween, comprei um fato de diabinho ao Vasco, mas ele era tão pequenino que adormeceu às sete da noite e nunca chegou a vestir o fato. 

No ano passado, repeti a façanha com outro fato de diabinho (será um fetiche pessoal?), mas o miúdo ainda era pequeno e só andou mascarado durante o dia. Na hora de ir perorrer as casas dos vizinhos para pedir doces... ele já estava a dormir.

Sinto que este é O ANO!

O Vasco já é suficientemente crescido para entender isto do Halloween (chego à conclusão que nos anos anteriores eu era a mais entusiasmada da família) por isso vamos festejar a rigor.

Temos máscara para os dois miúdos (este ano vão de esqueletos), temos decoration na casa, temos abóbora gigante que marido prometeu esvaziar para por lanterninha, temos ementa cheia de pesticos do mais creepy qye há.

Agora é só esperar por amanhã e receber bem os convidados. Estou ansiosa!! 

Os meninos à volta da fogueira

A eleição de Bolsonaro como presidente do Brasil acordou em mim a lembrança desta música que tanto ouvia na minha infância.

Com letra de Rui Monteiro, a canção teve vários interpretes, mas é a versão cantada por Paulo de Carvalho que eu mais adoro. 

 

"Com fios feitos de lágrimas passadas
Os meninos de Huambo fazem alegria
Constroem sonhos com os mais velhos de mãos dadas
E no céu descobrem estrelas de magia

Com os lábios de dizer nova poesia
Soletram as estrelas como letras
E vão juntando no céu como pedrinhas
Estrelas letras para fazer novas palavras"

Os meninos à volta da fogueira

Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade"

 

A música era sobre África, mas pode aplicar-se a todas as partes do mundo. Pode aplicar-se a todos os homens e a todos lugares onde a liberdade andou perdida e foi reconquistada a pulso. 

Regressando ao Brasil, percebo as razões que levaram 55% das pessoas a votar Bolsonaro. Sei que estão fartos da corrupção e dos escândalos que envolveram nos últimos anos os partidos de esquerda. Sei que estão ansiosos por uma mudança drástica num país que continua a ter umas das maiores taxas de pobreza e de violência do mundo.

Mas não sei, sinceramente, se Bolsonaro poderá dar aos brasileiros o que eles tanto merecem. Sejamos francos: a história ensina-nos que um presidente ligado à xenofobia e discriminação, não augura nada bom.

Neste caso, a ética do "mal menor" não deve ser usada. Bolsonaro não é o menor mal dentro da podridão da política brasileira. Poderá ser até o pior dos males. Só quem é cego não vê.

Custa-me que os brasileiros se entreguem, no auge do desespero, a uma espécie de carrasco que promete mudar tudo, em troca da anulação de direitos fundamentais da humanidade.

 

"Palavras sempre novas, sempre novas
Palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo"

 

Não sei os meninos deste novo Brasil terão direito a ser donos de estrelas. Temo que um dia acordem para perceber que já não são donos de nada. Que tudo lhes foi tirado. Até mesmo a voz.

No Brasil dos próximos anos haverá certamente "meninos à volta da fogueira": no braseiro onde se queimou a democracia, os que votaram Bolsanaro vão estar abraçados, amparando-se na dor.

O fumo da fogueira vai secar as lágrimas e ninguém vai saber que sofrem.

Com as mãos cheias de cinzas de um Brasil que se perdeu, os "meninos" vão maldizer o dia em que deixaram fugir a liberdade.

 

 

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