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O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

A minha cria não sabe cantar

Sempre adorei ouvir as crianças a cantar. Sobretudo se forem muito pequeninas!

Acho imensa graça quando tentam reproduzir a letra das músicas, com o seu português "abebezado". 

Conheço vários miúdos da idade do V. (dois anos e alguns meses) que já cantam imenso.

Ora é a música dos patinhos, ora é a do "balão do João", ora é a do "atirei o pau ao gato"... mas o meu filho não está nem aí para isso.

 

A verdade é que ele fala muitissimo bem (mãe babada!), exprime-se com clareza, está sempre a tagarelar.

 

 

Mas...

... se lhe peço para cantar uma música, ele faz de conta que não ouviu, ou simplesmente recusa-se.

O máximo que já consegui até hoje foi que ele completasse as minhas frases.

E sempre com ar de quem me está a fazer um favor. Mais ou menos assim:

 

- O balão do....

- ... João. (continua a brincar com os carros e não olha para mim)

 

- Sobe, sobe, pelo...

- Ar! (diz isto já a ficar contrariado e com vontade me mandar pastar)

 

- Está feliz, o ...

- ... João? (não, Vasco... era o petiz, mas pronto... de facto vai dar ao mesmo)

 

- a cantaro....

- Lar!!  Vamos brincar com o carro mamã?

 

Ok vamos... vamos lá brincar pela trigésima vez às "oficinas", meu amor.

 

Estudei música no conservatório, tenho o piano estacionado no escritório à espera que uma das crias ganhe interesse pela arte.

Mas... algo me diz que o meu filhote nunca vai concorrer ao "achas que sabes cantar" :))

 

Nada contra: o que interessa é que seja feliz! É a sua carinha laroca de felicidade que mais me faz vibrar.

No meio dos seus carros, com o "tinoni" a apitar e as motas a fazer brrummm, brrummm, o som do riso dele é... a música perfeita para os meus ouvidos!

Sinceridade acima de tudo

Ontem no carro, perguntei ao Vasco como tinha corrido a aula de ginástica.

Disse-me que tinha corrido, saltado e que depois tinha ficado de "castigo".

- O Vasco ficou de castigo?! Porquê? (perguntei admirada, e sem saber se o castigo tinha sido real ou apenas uma invenção de uma criança de dois anos).

Resposta:

- Fiquei de castigo porque bati no P. 

- A sério?

- Sim, e depois fui para a sala. 

- Mas... Vasco... sabes que não deves bater nos meninos, não sabes?

- Mas eu queria MESMO mamã. Queria MUITO. Tinha muita vontadinha, sabes....?

Ok.

O P. que se cuide...

Sinto que esta não vai ser a primeira vez que o Vasco vai ficar de castigo. 

Se ao menos houvesse prémio pela sinceridade! :))

Novo parto, hospital diferente

No dia 11 de novembro de 2015, pelas 22:30 entrei no hospital para ter o meu primeiro filho.

Segundo  uma primeira análise, eu não tinha qualquer dilatação, e nem sequer existiam as ditas contracções. Apenas e só me tinham rebentado as águas.

Pediram para tirar a roupa, vestir uma bata branca e deitar numa cama. Foi-me  administrada uma substância por via intravenosa e disseram-me para aguardar deitada na maca.

Colocaram-me uma cinta para monitorizar os batimentos de mãe e bebé. E ali fiquei.

Algum tempo depois, o monitor indicou braquicardia fetal e fui imediatamente levada para o bloco operatório para uma cesariana de urgência.

Se a cesariana foi necessária? Penso que sim. Afinal de contas, havia "sofrimento fetal".

Mas será que o bebé teria entrado em sofrimento se o parto tivesse ocorrido de forma mais natural?

Passo a explicar. Sinto que foi tudo muito rápido, frio, e asséptico. 

Os estudos demonstram que a administração precoce de algumas substâncias para induzir o parto, aumenta as probabilidades de braquicardia. Sendo assim, porque não esperar um pouco, já que o processo ainda estava no início?

Sinto que não tive liberdade de movimentos pois mal cheguei disseram para deitar numa maca. Isto quando todos sabemos que caminhar ajuda à dilatação e ao desenvolvimento do parto.

Sinto que não foi dado o devido tempo para que as contrações começassem espontaneamente.

Sinto... enfim... sinto que era muito tarde, que todos estavam cansados... não consigo deixar de pensar (desculpem-me se estiver enganada) que ninguém quis "esperar" por mim. Ninguém quis dar hipótese para que o meu corpo começasse efetivamente o seu trabalho.

 

Apesar de estar feliz pelo nascimento do meu filho, ficaram no meu íntimo várias dúvidas sobre o processo e muita mágoa acumulada que acabou por condicionar o meu estado de espírito nas primeiras semanas pós-parto. Não tive uma depressão pós-parto, mas sofri imenso com o baby blues.

Por isso, prometi a mim mesma que iria pesquisar mais, e procurar as respostas que me faltavam. Passei meses e meses a ler e a consultar dados, estatísticas e teses de mestrado.

Até que engravidei pela segunda vez.

Já na posse de muita informação decidi que iria enverdar por outros caminhos.

Voltei novamente à pesquisa, às conversas com colegas, aos fóruns de mães e de grávidas...

Até que, finalmente, encontrei o local certo para mim. O local certo para ter o meu segundo parto.

Refiro-me ao Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim. Um local que reune consenso em termos de qualidade, e onde já se pratica há alguns anos aquilo que todas as muheres sonham- um parto humanizado.

Escolhido o hospital, fui ver com os meus próprios olhos a dinâmica do local.

Quis tentar saber se todas as coisas boas que tinha ouvido e lido eram mesmo verdade.

Seria este um hospital amigo das mulheres?

Um local onde as vontades da mãe seriam respeitadas?

Seria este um local onde eu teria carinho, cuidados permanentes e uma atenção constante ao desenrolar do parto?

Fui confirmar.

Certo dia, meti-me a caminho com o meu marido e estacionamos em frente ao hospital.

Visto de fora, a fachada pouco prometia: um edifício velhinho a necessitar de obras de restauração urgentes!

Mas não desanimámos. 

Já tínhamos marcado pelo telefone a visita às instalações e logo que entrámos no bloco de obstetrícia fomos carinhosamente recebidos pela enfermeira Élia. 

A empatia foi imediata. E o nosso sentimento de segurança foi crescendo à medida que a enfermeira nos fazia o "tour" pelo bloco de partos e instalações. 

A primeira coisa que nos disse, depois de saber que vínhamos de um Hospital Privado, foi:

- Atenção, que isto aqui não é nenhum hotel! Mas podem ter a certeza que estão em boas mãos.

Respondemos que não estavamos interessados num "hotel". Só pretendíamos carinho e respeito.

- Então, fiquem descansados, pois vão encontrar tudo isso aqui.

Durante mais de uma hora, percorremos as cinco salas de parto (modernas e restauradas) onde é possível ser acompanhada por duas pessoas ( e não uma, como noutros hospitais), onde temos bolas de pilates, banco de parto, chuveiro, televisão, possibilidade de ouvir música escolhida por nós. Numa das salas, a "famosa" banheira escolhida por algumas mães para o parto na água. 

Gostei tanto, tanto, tanto!

E a parte de que gostei mais, foi saber que não só é permitido mas também fomentada a ideia de a grávida fazer um "plano de parto".

Sei que brevemente, terei uma reunião no hospital com a equipa de enfermagem, para decidirmos em conjunto o plano de parto. E isto é uma prática corrente neste hospital.

Saí de lá com o coração cheio e com todas as minhas dúvidas dissipadas. 

Sei que o meu parto poderá correr bem, mal ou mais ou menos, mas tenho a certeza de que vão fazer tudo para que este seja "o dia mais feliz". 

Aguardo com alguma ansiedade o dia da chegada do novo bebé. Mas estou cada vez mais confiante e segura da minha escolha.

Entretanto, começarão as aulas de preparação para o parto (algumas na piscina da Póvoa de Varzim - mais uma inovação do hospital).

Mal posso esperar! :)

A melhor prenda

O meu dia da Mulher? Foi ótimo... E não estou a ser irónica.

Como à quinta-feira a vovó Ló vai buscar o Vasco ao infantário, cheguei a casa e deitei-me. 

E depois? Depois... foi só isto. Deitei-me a descansar na cama.

Dormi das 17:30 às 19:00 e soube-me tãoooooo bem!

Nunca imaginei que dormir fosse uma dádiva tão preciosa.

Se há dois anos (antes de ser mãe) me "oferecessem" como prenda uma sesta, certamente ficaria para lá de aborrecida.

Mas desta vez não. Estou esfomeada de sono. 

Grávida de 5 meses, continuo a trabalhar, a levantar-me às sete (ou menos), a levar o miúdo ao infantário, a dar aulas, e a fazer as lides cá de casa. 

Por isso... Sim. 

Se me oferecerem a possibilidade de uma sesta... oferecem-me o mundo.

Obrigada Vovó Ló e Vô Pi, por esta dávida

(Ah, e já agora obrigada ao vértice masculino pelos bonbons rafaelo que tinha na minha cabeceira da cama, quando acordei...).

Digam-me que não sou a única...

Hoje cheguei a casa por volta das 18:30. 

 

Antes de conseguir fazer alguma coisa "útil" (tipo adiantar o jantar), passei quase uma hora a recolher os destroços do dia anterior.

 

Destroços? Passo a explicar:

 

Chego ao meu quarto e a cama está por fazer. No chão, um monte de roupa espalhada. Saímos à pressa e não deu tempo de organizar.

 

Faço a cama, ponho a roupa na máquina de lavar e dirijo-me ao quarto do V.

Aí... pior cenário...

 

Cama por fazer, dois biberões de leite vazios no chão, uma fralda (com xixi) em cima da cómoda (que seria para colocar imediatamente no lixo, mas entretanto foi esquecida), bonecos em cima do tapete, uma meia sem par debaixo da cama, duas chupetas atiradas para um canto...

 

Arrumo tudo e ponho o quarto a arejar.. Abro a janela para entrar um pouco de ar fresco.

 

Passo ao escritório. É roupa no chão, é o estendal dentro do quarto porque está a chover. Bonito cenário.

Roupa para passar a ferro num monte, que é "para não me esquecer".

 

Arrumo.

 

Vou para a sala. Como estou a ficar cansada atiro os brinquedos todos para a caixa grande (nos dias bons ficam organizados em diferentes caixas consoante o tipo de brinquedo).

Dobro o cobertor do sofá. Apanho um comando da TV que está escondido debaixo do sofá. Berro com as gatas por terem andado a arranhar os tapetes.

 

Cozinha.

 

Loiça lavada para tirar da máquina. Pirex para colocar lá dentro.

Restos do pequeno almoço. Migalhas. Aquários dos peixes a precisar de manutenção. Chão nem se fala.

 

Arrumo tudo. E nisto são quase 19:30 horas. Quando começo a fazer o jantar já só me apetece ir dormir. 

 

Por isso digam-me... sou eu a única que antes de começar a preparar o jantar, já passou mais de uma hora a limpar a confusão do dia anterior??

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