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O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

Sou uma mulher no meio de três homens. Vértices de uma constelação de amor, eles são o meu triângulo perfeito.

Crescendo entre ecrãs

Crescendo entre ecrãs é o nome de um estudo realizado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social que concluiu que os pais utilizam cada vez mais os meios eletrónicos (tablets, computadores, TV e telemóvel) para entreter as crianças. Esses gadjets desempenham o papel de babysitters tecnológicas, ou seja, são usados para ocupar as crianças "enquanto os pais estão ocupados com outras tarefas" (notícia do JN)

 

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  A nossa luta nas últimas semanas: evitar que o V. veja televisão "em cima" do ecrã.

 

Cá em casa, (no início muito timidamente, mas agora em grande força),  também já se começam a usar as novas tecnologias.

 

Tenho que confessar que o tablet é uma ajuda preciosa no momento das refeições, e que a TV se tornou um recurso útil para adormecer o Vasco à noitinha (fica no carrinho a ver desenhos animados e adormece rapidamente).

 

Até o computador ele usa, de vez em quando, para se divertir com os jogos para bebés (podes ler sobre isso neste post). 

 

Tanto eu como o meu marido sabemos que, ao incentivarmos o uso das novas tecnologias, estamos a optar pela "saída mais fácil". Mas os dias de pai e mãe são cansativos e desgastantes e é difícil não cair na tentação de utilizar estes equipamentos tecnológicos:

 

A hora da refeição que era, desde há uns meses, um momento de alguma tensão, passou a ser uma atividade divertida para o Vasco desde que este percebeu que, juntamente com a comida, vai ter música e cantorias.

 

Antigamente, nem a babete queria colocar; agora é ele que pede para subir para a cadeirinha da papa. Tudo graças ao tablet...

 

Adormecer o V. também se tornou mais fácil. O nosso bebé nunca foi um menino que gostasse de colo, portanto, nunca o conseguimos adormecer desse modo. Deita-lo na caminha também só resulta em 10% das vezes ( é um suplício vê-lo a berrar "mama, mama" agarrado às grades).

 

Desde que começou a prestar atenção aos desenhos animados, a tarefa tornou-se simples: quando percebemos que está cheio de sono, pomos o V. no carrinho a ver um programa calminho e... plim!  Passado uns minutos (sem qualquer stress, ou experiência traumática) o nosso menino adormeceu. 

 

Não somos ingénuos. Sabemos que esta dependência poderá vir a ser prejudicial no futuro. Por isso, tentamos que no resto do dia, o V. não tenha contato com meios tecnológicos:

 

À tarde, quando ele chega do infantário, brincamos um bom bocado com a televisão desligada. Tento estimular o interesse dele pelos brinquedos, pelos livros e pelos jogos infantis. Procuro leva-lo ao parque, nos dias de sol, e fomento a interação dele com outras crianças.

 

Não quero criar um "viciado em tablets". Apenas assumo que, neste momento, eles ajudam (e muito) a nossa vida.

 

No nosso tempo, os nossos pais construiam avioezinhos de papel, batiam com os testos das panelas e faziam mímica para nos entreterem à hora das refeições. Os tempos mudaram, mas no fundo, o princípio acaba por ser quase o mesmo: todos os pais tentam arranjar formas para que as crianças comam.

 

Claro que o ideal seria que os nossos filhos adorassem sopa, comessem como "bois famintos" e experimentassem com prazer todo tipo de comida. Mas nem sempre é assim... ! Ou melhor, algumas crianças são naturalmente assim e outras não. Há ainda quem, como o Vasco, tenha dias bons e dias maus. 

 

Sabemos que o tablet , a televisão e o computador podem ser apelidados de recursos fáceis e acabam por constituir uma espécie de "batotice". 

 

Mas que essa batotice dá jeito quando chegamos a casa com mil coisas para fazer (preparar jantar, pôr a mesa, estender roupa, dar banho, etc)... lá isso dá!

 

Também há que reconhecer que, para os nossos filhos "nativos digitais", esses objetos não são vistos como fonte de vício. Para eles, os gadjets tecnológicos não passam de brinquedos apelativos.

 

Há qualquer coisa nesses objetos que cativa as crianças, que lhes prende a atenção. Quer os críticos queiram, quer não, na maioria das vezes os meios tecnológicos são, para os miúdos, fonte de prazer e felicidade. 

 

Não há como contrariar a evolução dos tempos e dos hábitos. Não podemos fazer finca pé, entrar numa redoma de teimosia e virar as costas ao desenvolvimento. Temos o dever de avançar juntamente com os nossos filhos, de acompanhar os avanços do seu tempo, mesmo não compreendendo (ou dominando) muitos desses avanços. Se eles perceberem que existe esse esforço da nossa parte, também ficarão felizes.

 

A investigação "Crescendo entre ecrãs"  concluiu que apesar de fornecerem esses meios tecnológicos às crianças, os pais preocupam-se verdadeiramente com os conteúdos visionados por eleas, tentando evitar que elas consumam programas violentos, de cariz sexual ou com linguagem inapropriada.

 

Não obstante, em cerca de 2/3 dos lares, as crianças usam o tablet "sem qualquer vigilância dos pais e em 63% dos casos, o tablet pertence-lhes" (notícia do JN).

 

Como mãe, não me parece boa política impedir que o meu filho utilize tablets ou pesquise na internet. O que eu vou tentar, acima de tudo e com todas as minhas forças, é ensina-lo a utilizar esses recursos com prudência e sentido de responsabilidade. Como? Essencialmente dialogando, dialogando, dialogando...

 

A Educação para os Média (um assunto do qual falarei mais profundamente em tempos próximos) deve começar desde tenra idade. E é isso que pretendo fazer. 

 

O mundo está sempre a mudar. E muda rapidamente, à margem do nosso apoio, das nossos hábitos e das nossas opiniões.

 

O tablet, o computador e o telemóvel, estão aqui para ficar. Não há como dizer isto de outro modo: fizeram sucesso. Ponto. E não vão ser substituídos tão cedo, a não ser... por outros gadjets, mais ou menos semelhantes.

 

Não vou negar ao meu filho o contato com os meios tecnológicos. O que vou tentar fazer é ensina-lo a tirar o melhor partido possível desses objetos. Sei que a tarefa que me espera é árdua, mas não tenciono desistir, 

Um filme que faz o coração tremer

Haverá maior dor do que a perda de um filho? E haverá forma de tornar essa dor um pouco mais suportável?

E se a morte, o amor e o tempo se juntassem para ajudar um homem a enfrentar o seu sofrimento?

Beleza Colateral é um filme de uma sensibilidade tremenda, com um elenco conhecido e uma interpretação fantástica (surpreendende, para mim) de Will Smith. Um argumento simples, mas com uma reviravolta surpreendente no final.

 

 

Como mãe, não posso deixar de dizer que este foi um filme muito, mas mesmo muito difícil de assistir, pois mexeu com sentimentos profundos e extremamente complexos como o amor incondicional e o medo da morte de um filho.

 

É impossível assistir à película sem imaginar que poderiamos ser nós a viver aquela situação. E essa possibilidade é... angustiante!

 

Never the less, se tivesse oportunidade de recuar no tempo, faria tudo na mesma, Voltaria a ver este filme.

Se se sentem capazes de gerir o turbilhão de emoções gerado pela película, vão assistir a "Beleza Colateral". Deixo apenas uma dica: convém irem preparados com alguns pacotes de Kleenex.

 

Educação musical para Bebés

Na quinta feira à tarde consegui ir buscar o Vasco um pouco mais cedo ao infantário. Aproveitámos o resto do dia para uma sessão de mega-mimos e brincadeira total.

 

Terminado o repertório de brinquedos, o Vasco foi divertir-se no piano:

 

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Parece um músico profissional, eh eh. Ele adora martelar (sim, martelar é o termo mas correto neste momento) nas teclas, abrir e fechar a tampa, subir e descer do banquinho vezes e vezes sem conta...

 

Neste momento, para o Vasco o piano não é um instrumento musical: é mais um brinquedo para ele descobrir e experimentar. Mas sei que os sons do piano o cativam. Vejo-o fascinado com os graves e os agudos e bastante curioso em relação à função das teclas pretas. 

 

Ainda não o inscrevi em sessões de educação musical, mas estou a pensar nisso. Neste momento, vou estimulando o interesse dele pelos sons e ritmos, usando o piano e alguns objetos quotidianos que fazem parte da casa. 

 

Uma matraca que trouxe da República Dominicana, os testos das panelas ou um frasco com palitos que fazem barulho são alguns dos objetos que o vou deixando experimentar. 

 

Segundo vários estudos, quando a criança tem contato com a música, ela desenvolve mais facilmente a fala, dicção e coordenação motora. 

 

Numa edição datada de 2014, a revista Pais&Filhos referia que o aumento da concentração (foco), a criatividade e uma maior capacidade de memorização são algumas das competências desenvolvidas por crianças que têm um forte contato com a música. 

 

Por tudo isto, continuarei a deixar o Vasco "massacrar" o meu piano (embora me cause arrepios e dor no coração, a forma despreocupada com que ataca as teclas).

 

Para quem quiser inscrever-se em sessões de Música para Bebés, aqui ficam alguns links de escolas que estão, neste momento a promover esses cursos:

 

Oeiras- Escola de Música Improviso

Lisboa - Dance Spot Amoreiras e Piano & Companhia

Porto- Gymboree

Vila Nova de Famalicão: Arteduca

Um pouco por todo o país: Trupe Sons em Cena

 

Agora é só inscreverem-se e experimentar. Não será numa semana ou num mês que vão nascer Mozarts ou Beethovens, mas poderão ser criadas sementes para futuros talentos. Mesmo que não se vejam resultados imediatos destas sessões, riso e boas recordações são dois efeitos garantidos. E haverá melhor do que isso? 

Está complicado

O V. está com algumas dificuldades na adaptação à sala de 1 ano. Na segunda-feira correu bem, na terça-feira (segundo a auxiliar educativa) já esteve "mais aborrecido" e ontem, quando o fui buscar deparei-me com um cenário complicado:

O meu bebé chorava sem parar, esperneava para um lado, esperneava para o outro, não se conseguia manter quieto em nenhum colo e em nenhum carrinho. 

Os berros dele ouviam-se por todo o infantário e nem a minha presença o acalmou. Fiquei deveras assustada, nunca o tinha visto assim. Parecia "possuído".

Quando chegou a casa, nem sequer tentei dar o jantar pois o nervosismo dele era tanto que não parava de chorar. Bebeu leite e adormeceu quase de seguida. Concluí que devia estar cheio de sono. Segundo me disseram, ontem dormiu pouco no infantário. E de manhã tinha acordado cedo, por volta das seis da manhã por isso calculo que o nervosismo fosse resultado do cansaço acumulado.

Estou preocupada, espero que seja apenas uma fase de adaptação. Talvez a mudança de sala, de amiguinhos, de auxiliar, de hábitos de sono (deixou de dormir numa cama de grades no infantário e passou a dormir no saco-cama) esteja a ser uma dose demasiado forte para ele. 

Hoje, quando o deixei na creche, chorou e agarrou-se a mim desesperado. Fui trabalhar de coração partido.

Dizer que estou apreensiva é pouco. 

Da série: objetos que só conheci depois de ser mãe (parte 1)

A minha gravidez foi um abre-olhos.

 

Abriu-me os olhos (e a bolsa) para um série de objetos cuja existência ou função, eu desconhecia. Como por exemplo...

 

  • Soutian de amamentação: Sim!! Eu desconhecia por completo que existiam soutians próprios para amamentar. Aliás (santa ignorância!) só depois de ser mãe é que percebi porque é que alguns soutians tinham uma molinha para levantar a parte da frente. Passei anos a ver esses soutians nas lojas e a perguntar a mim própria se aquilo seria um fetiche de algumas mulheres ou se era uma questão de arejar os mamilos quando era verão e estava calor. Não sei... Nunca tive tias, primas ou amigas próximas com experiência na maternidade a quem perguntar e... sinceramente, também nunca me lembrei de o fazer. Via aqueles soutians nos cabides da C&H e pensava: que coisa estranha. Mas pronto. Nunca perdi tempo a pensar nisso. 

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 Fonte da imagem: http://villamariamodas.com.br/wp3/?product=shanty-sutia-de-amamentar-em-microfibra

 

  • Conchas de amamentação: WTF....Isto é um nível muito, muito acima dos soutians! Isto são objetos que se colocam em cima dos seios para... para... reter o leite que vai caindo. A sério? A sério. Quando investiguei na internet a função das conchas (e ainda faltavam alguns meses para o parto) só pensei: Cool! O leite vai cair? Tipo pipa de vinho a gotejar? Achei o máximo esta ideia. Depois, na realidade já não achei tanta piada assim. Mas adiante.

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Fonte: https://www.alobebe.com.br/loja/produtos/2725/5012909005647gde.jpg

 

  • Absorventes para seios: Mesma função que as conchas mas menos vistoso. Espécie de penso higiénico, mas para a parte de cima. Para absorver a tal "pipa de leite" que eu sonhava ter. Comprei caixas deles. Tanto que sobrou para a próxima gravidez. Estão guardados na minha gaveta das "coisas que só vou usar quando o V. deixar de ser filho único"

 

  • Cuecas descartáveis: Não cheguei a usar. Percebi qual era a função, sim senhor, mas não achei assim tão relevante. Continuei a usar as minhas e que bem me soube. Mas para não chegar à altura e sentir falta delas, como estavam na famosa "lista de maternidade" lá meti algumas descartáveis na mala. Mesmo que as quisesse usar também não conseguia... Descobri que eram pequenas quando as tentei enfiar por uma perna e ficaram a meio. Devo ter comprado um número abaixo. Engordei um pouco (muito) durante aqueles nove meses, e esqueci-me desse pormenor quando comprei as ditas. Na minha cabeça eu continuava linda e elegante. Se as cuecas não serviam... problema delas! 

 

  • Bomba de amamentação: Foi aqui que me começei a sentir um bovino completo. As conchas absorventes e o soutian eu até aguentava. Agora... uma máquina para tirar leite do peito como se faz às vaquinhas?! Com várias velocidades?  Para extrair manualmente ou para ligar à tomada? No way! Comecei a investigar sobre as várias marcas de bombas e só pensava; E se aquilo fizer curto-circuito e eu levar um choque nos seios? Pois... Mas comprei. Comprei e que jeito fez.

 

E hoje não digo mais nada. 

Das rotinas

São um bem necessário? Sem dúvida. Mas até quando a rotina de uma criança deverá ser seguida à risca? Devemos aplicar a rotina sem qualquer exceção? Caso contrário, quando devemos ser flexíveis?

 

Desde que fui mãe que ando à volta desta questão. Porque é um assunto que realmente me preocupa. 

 

Dizem que as rotinas são essenciais para os bebés. Os avós dizem isso, os amigos com filhos dizem isso, os livros dizem isso e várias teses de investigação o demonstram. 

 

Nada contra. Concordo absolutamente com a teoria de que "as rotinas transmitem segurança e conforto à criança". Em minha casa, tento estabelecer alguns rituais e gosto que no infantário do meu filho façam o mesmo. 

 

Vou dar um exemplo simples:

 

Todas as manhãs, na altura de calçar os sapatos, eu sento o Vasco na mesma cadeira. Ele já "sabe" que essa é a cadeira destinada a calçar os sapatos. Essa rotina facilitou-me muito a vida e a ele também. Para já, esse é o único sítio onde o consigo calçar calmamente. Se mudar de cadeira, ele mexe-se, remexe-se, salta fora, vai-se embora... e nada de sapatos. 

 

Sei muito bem que as rotinas tornam o mundo da criança "mais previsível" e portanto, mais seguro, do ponto de vista delas. À falta de experiência, tenho lido muito e sei que as rotinas podem ajudar um bebé a adormecer mais facilmente. Sei que as rotinas me ajudam a vestir e a calçar o Vasco logo pela manhã e que o ajudam a ele a organizar o mundo.

 

O que me incomoda é ver alguns pais ou até mesmo infantários a passarem por cima dos interesses reais das crianças em nome da rotina. 

 

Incomoda-me ver casais nos restaurantes a quererem adormecer os seus filhotes à força, apenas com base no critério "está na hora de ele dormir".

 

Incomoda-me ver miúdos que estavam felizes, nitidamente animados e com "zero sono", a serem metidos à força dentro de um carrinho para tirarem um cochilo forçado.

 

Estou errada? Talvez esteja. Sou mãe de primeira viagem e, neste blogue, entre muitas coisas interessantes, também poderá sair asneira. Perdoem-me os erros. 

 

Desculpem-me se não tiver razão. Mas incomoda-me que ainda haja quem dê de mamar (ou dê leite suplemento) de quatro em quatro horas, ignorando os choros de fome de um bebé. Em nome de um horário e de uma rotina.  

 

Incomoda-me que, em alguns infantários, se a criança acordar e ainda for hora da sesta, continue a ser mantida às escuras na mesma sala que os outros e impedida de ir brincar. 

 

As rotinas são boas. Mas... o que estamos indiretamente a ensinar aos nossos filhos quando lhes aplicamos uma rotina fixa e estereotipada? Quando não damos margem para pequenas e pontuais alterações?

 

Eu digo-vos. Estamos a dizer-lhes que eles são iguais aos outros. Que têm que fazer o mesmo que os outros, dormir quando os outros, sentir como os outros. Estamos a dizer-lhes que, na vida deles, não vai haver espaço para a liberdade e para a improvisação.

 

A obrigarmos uma criança a viver dia após dia, numa rotina fixa e inalterável (atenção, que é só contra estas que eu sou contra) estavamos a diminuir a sua criatividade. 

 

Um dia, vamos querer que a criança dê ideias, sugestões, que crie, invente estratégias e improvise. E só vamos ter um "repetidor de informação". 

 

Os miúdos, tal como nós, aprendem pelo exemplo. Se nós não dermos margem para pequenas alterações na rotina (quando estas forem necessárias), um dia eles poderão vir a sofrer muito com as mudanças de planos. Quem sabe não se tornarão eles próprios pessoas rígidas e inflexíveis. 

 

É isso que queremos? Eu quero que o meu filho tenho um futuro risonho. Mas quero também que ele perceba que, por vezes, os planos podem mudar. Sem stress. Sem dramas...

Bateu hoje uma saudade...

... e apeteceu-me recordar este dia.

 

O dia 1 da vida do meu filho. O "primeiro dia do resto da nossa vida"...

 

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Em casa... já estava tudo preparado: o berço com os lençois lavadinhos, o quarto aquecido, bonecos fofos à espera de serem agarrados por aquelas mãozinhas sapudas e... duas gatas felizes, ingénuas, sem saber que a sua vida também estava prestes a mudar.

 

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Nunca irei esquecer o dia em que levámos o nosso tesouro para casa. Que sensação extraordinária...

Aqui estou eu, toda contente, à saída do hospital

 

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 Que mal vestidinha que eu estava, kkkk. 

Mas o sorriso não engana. Estava meeeeeesmo feliz! 

 

 

Olhamos para o nosso bebé agora, com 14 meses, e ainda nos parece pequenino, frágil e indefeso.

Mas depois revemos estas fotos e percebemos ele que ele já foi ainda mais pequeno e mais frágil.

 

Tudo passa tão rápido! Quem me dera cristalizar os momentos felizes. Revivê-los uma e outra vez, sempre que me apetecesse. 

 

Mas não é possível. Restam-nos as memórias e as fotos.

Resta-nos a vontade de aproveitar ao máximo todas as etapas do crescimento do V. E nós vamos fazer por isso.

 

(de) Direta para o emprego

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Há uma razão muito forte para não ter escrito nada neste blogue ultimamente. É que ontem estava tão cansada que decidi trocar o computador pelos lençóis. 

 

Na terça-feira, o Vasco dormiu mal a noite toda. Acordou à uma da manhã, acordou às duas... E a partir de uma certa altura decidiu que não queria estar mais na cama.

 

Resultado: passei a noite toda em branco e acabei por ir trabalhar de "direta". Zero horas de sono. Zero...!

 

De manhã, ainda aguentei bem o impacto. Estava a dar aulas no laboratório, e a fazer experiências com os alunos. Como as atividades eram muito práticas, não davam a mínima margem para sono.

 

À tarde, o cansaço começou a dar sinal, acompanhado de uma enxaqueca tremenda. Se tivesse uma almofada comigo acho que ainda tirava um cochilo na sala dos professores, num dos intervalos.

 

Tomei um café duplo e decidi que não me ia deixar vencer pelo cansaço. Já tinha percebido, de manhã, que a única forma de vencer o sono era estar sempre em atividade, por isso tentei ser o mais enérgica possível nas aulas da tarde. 

 

Se calhar exagerei...

 

A professora hoje está com a pica toda! - comentou um aluno. 

Vê-se bem que gosta mais desta matéria! - disse outro, bastante animado.

 

Pronto. Parece que os alunos gostaram deste "novo eu". Apesar do cansaço, acho que consegui enviar vibrações positivas

 

No regresso à casa, vieram-me à memória aqueles versos do Fernando Pessoa (O poeta é um fingidor....) e mais uma vez concluí que essa teoria também se aplica ao ensino.

 

Sim. O professor também é um fingidor. 

Posso estar triste, cansada, ou doente, mas sempre que os alunos me vejam de boa cara e se sintam motivados. Nos dias em que estou mais em baixo de forma, vou buscar energia às entranhas. 

 

Quantas máscaras já usei?

 

Não interessa. Eles merecem. Não, não é um cliché. Acho mesmo que eles merecem ter o melhor de nós. 

 

À noite, depois do jantar, cedi finalmente ao João Pestana. E o Vasco, depois de uma semana inteira a dormir pouco, parece que também nos decidiu dar tréguas. Só acordou uma vez esta noite, yeiii!

 

A última vez que fui de direta para o trabalho tinha 21 anos e estava no final do meu ano de estágio (estágio integrado).

 

Tinha passado a noite num bar de karaoke, a celebrar o final do curso e mesmo assim cheguei ao trabalho fresquinha, como se nada fosse!

 

Era jovem, e não senti muito o impacto da noite mal dormida. No dia seguinte, se fosse preciso, já estava pronta para outra.

 

Hoje, com 37 anos, sinto que as noites em branco já deixam marcas. Cansado de dormir uma média de 5 horas por dia, o meu corpo está a ressentir-se e a pedir desesperadamente um pouco de descanso

 

Começo a pensar que devia ter tido filhos mais cedo. Será que já estou velhota para isto? :)

O sono de um bebé em três episódios

EPISÓDIO 1

 

O sono de um bebé é como um leão feroz.

 

Quando o domador de leões começa a achar que a fera está domesticada... o leão ruge, afia as garras e mostra que é o rei da selva. Ninguém manda no leão.

(...)  

 

Quando o V. nasceu pareceu-nos um bebé calmo e dorminhoco. Pelo menos, assim o julgávamos quando ainda estava no hospital. Contudo, no segundo dia após chegar a casa, chorou desalmadamente durante cinco horas seguidas.

 

Ainda hoje não sabemos o que lhe deu. Talvez fosse a fome, a mudança de ambiente, o frio, o calor... Não conseguimos perceber.

 

O que é certo é que demorou bastante tempo a adormecer.

 

Tentei de tudo para que ele ficasse mais confortável. Dei-lhe de mamar, dei-lhe (porque todos insistiam ser fome) leite de suplemento, aqueci a casa, esfriei a casa, embalei-o devagar, embalei-o depressa... nada. O pai, o avô, a avó vieram sucessivamente e, cada um a seu modo, tentaram dar-lhe conforto. Nada. Cada vez berrava mais.

 

Depois do almoço começaram a chegar primos e tios a nossa casa para ver o bebé. E eu ainda com ele no quarto a tentar que se acalmasse.

 

Às três da tarde, esgotada, cansada, desesperada, olhei-o nos olhos e fiz-lhe um ultimato. Pedi-lhe a ele e a todos os santinhos um pouco de paz. Enrolei-o num cobertor fofo (que ainda hoje é o seu preferido) e o V., como que por magia... adormeceu. 

 

Coloquei-o na alcofa com jeitinho e deixei que o meu marido o levasse para a sala, onde tios, primos e amigos queriam ver o novo membro da família.

 

Dizem que ele dormiu como um anjo durante o resto da tarde. Não vi.

Dizem que chegaram amigos a minha casa e que eu não fui à porta para os receber. Não me lembro.

 

No meu quarto, depois do V. adormecer, passei o resto da tarde da chorar. Tinha estado durante 5 horas a conter o choro, tentando ser forte. Mas assim que o meu bebé adormeceu, todo o nervosismo que tinha acumulado durante aquelas horas... libertou-se!! Foi como se uma torneira se abrisse e eu não conseguia mais fecha-la.

 

Foi nesse dia que eu senti, pela primeira vez, o desespero de uma mãe.

 

Senti-me mal por não ter recebido as meus convidados convenientemente, senti-me fraca por deixado para o meu marido essa tarefa. Mas naquele dia, eu chorei tantas lágrimas que dava para encher uma Piscina Olímpica.

 

De vez em quando ainda pensava: vou à sala falar com as pessoas. Eu tenho que ir lá. Mas mal via a minha cara vermelha e os meus olhos inchados ao espelho... desistia.

 

No meio do desespero só uma coisa me dava consolo: 

Eu tinha finalmente descoberto como fazer o meu filho dormir. Bastava enrola-lo num cobertor fofinho! 

Ou não.

EPISÓDIO 2

 

O sono de um bebé é como o totobola. 

Podemos achar que percebemos muito de futebol. Podemos acreditar que os resultados são previsíveis e que é possível colocar as cruzinhas no sítio certo. Podemos pensar que a vitória é certa.

Mas nunca ganhamos...

 

(...) 

 

Nas primeiras semanas de vida do Vasco, adotei religiosamente a estratégia de o enrolar bem apertadinho num cobertor fofo.

 

 

Depois do episódio das "5 horas de choro" acreditava ter descoberto a poção mágica que me ia livrar do suplício vivido por amigas minhas no que toca a adormecer bebés. 

 

A medida resultou bem, inicialmente, mas depois o V. deixou de querer dormir. Passava todo o dia acordado, muitas vezes chorando. Fazia sestas minúsculas e, por volta das 19 horas... adormecia de exaustão. 

 

O meu marido chegava a casa no fim do dia e encontrava, invariavelmente o V. a dormir.

 "Então, de que te queixas? Está a dormir como um anjo"- comentava.

E eu sem saber como lhe explicar que durante todo o dia o cenário tinha sido muuuiiiito diferente. 

 

Nos meses seguintes fui passando por várias estratégias que a seguir passo a enumerar (não as usei por esta ordem e às vezes usava mais do que uma ao mesmo tempo).

 

1- Suplementar sempre a mamada com fórmula (porque todos me chateavam dizendo que podia ser fome)

2- Embalar no carrinho/cock

3- Embalar ao colo

4- Deixar na caminha às escuras

5- Deixar na caminha em ambiente semi-escurecido

6- Deixar na caminha com luminosidade (!)

7- Levar para a caminha e falar com ele

8- Arranjar-lhe uma "naninha" de estimação. 

9- Deixa-lo chorar (sim, fiz isso uma vez, e senti-me a pior mãe do mundo)

10- Pô-lo a ouvir os "sons do útero", música clássica, Rádio Xl Romântica, Smooth FM, Antena 2...

 

A conclusão a que cheguei é que as estratégias umas vezes resultavam e outras não. E quando eu me estava já a afeiçoar a uma estratégia... ela deixava de resultar e tinha que mudar para a outra. 

 

Não consegui vencer o "jogo do sono". Aliás, creio que no jogo do sono nunca há vencedores. Temos por vezes a ilusão da vitória, mas é apenas isso. Uma ilusão. 

 

EPISÓDIO 3

 

O sono de um bebé é como os feriados.

Desejamos arduamente que cheguem, mas  depois não sabemos o que fazer com eles!

 

(...)

 

Tinham-me dito para a aproveitar bem os momentos em que o meu baby estava a dormir. Aproveitar para descansar, para fazer eu própria uma sesta.

 

Não sei porquê, mas nunca consegui cumprir com a recomendação. Talvez porque nunca fui pessoa de dormir de dia, sempre que o Vasco adormecia ( e começou a fazer sestas maiores com o tempo), em vez de me ir deitar... punha-me a lavar a loiça, a estender roupa, a cozinhar...

 

Conclusão: cheguei a um ponto em que já estava extremamente cansada. E tudo por culpa minha. 

 

Hoje em dia, ainda é mais engraçado. Como o Vasco está naquela fase giríssima em que faz imensas gracinhas, quando ele está a dormir... sentimos a falta dele!

 

Se o Vasco dormir uma hora, achamos pouco. Se dormir uma hora e meia, achamos bem. A partir de duas horas começamos a ficar ansiosos. 

 

Então... e ele não acorda?- diz um.

Já está a dormir há muito tempo...- diz outro.

Vai lá vê-lo. Vê se está a respirar bem- diz o primeiro.

 

Parecemos o burro do Shrek na versão "Já acordou? Já acordou?", em vez do célebre "Já chegámos? Já chegámos".

Tanto tempo à espera do soninho do Vasco. E depois, parecemos baratas tontas à espera que ele venha de novo para os nossos braços.

 

O sono de um bebé é algo de imprevisível, desafiante e complexo.

Mas mais complexos ainda somos nós, os pais. 

Não acham? :)

Percebes que a vida depois dos filhos nunca mais será a mesma quando...

...este é o aspeto final da tua sala depois de um fim de semana inteiro com um bebé dentro de casa:

 

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O que vale é que já estou em contagem decrescente para a arrumação deste caos...

 

Pelas minhas contas e, segundo os horários de sono do Vasco, faltará cerca de meia hora para a limpeza do cenário de guerra.

 

Satisfaço-me apenas com este pensamento: se a casa fosse assaltada neste momento, bastava apagar as luzes e esperar que os ladrões tropeçassem num dos muitos obstáculos da sala. 

 

Seria uma versão do "Sozinho em Casa", com os assaltantes a ferir os pés e as mãos em legos, cubos, bonecos que chiam (muito assustador) e toda uma série de objetos perigosos para quem vai desprevenido. Aposto que os ladrões fugiam logo. 

 

Venho de uma família de maníacos e obcecados pelas limpezas. Por isso, esta desarrumação faz-me cá uma confusão mental! Saudades da minha casa arrumadinha!

 

 

Agora, por mais que arrume, sinto que só consigo tocar na "ponta do véu". Está sempre tudo a meio caminho entre o semi-limpo e a desordem total. 

 

Por vezes a vontade que dá é simplesmente não arrumar nada. Afinal de contas, amanhã vai estar igual outra vez. Vasquinho vamos ter que começar a impor regras por estes lados...

 

Estou cansada. Não sei se vou arrumar tudo. Acho que vou só procurar os comandos da TV e abrir caminho até ao sofá. Vou descansar. . 

 

Mas...

 

... antes vou só à cozinha bucar ajax porque o comando tem manchas de sopa.

... e vou arrumar o carrinho que tapa a vista para a TV.

... e meter os brinquedos no cesto para as gatas não fazerem barulho de noite a brincar com eles.

... se calhar é melhor puxar a cadeira da papa para trás que me mete confusão não ver para a porta. 

 

E depois vou. A sério que depois vou estender-me no sofá. 

Depois. 

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