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O Triângulo Perfeito

Um blogue de pessoas imperfeitas. A viver num triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

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O legado dos professores

Na semana passada, estive num jantar-convívio com colegas de trabalho e a noite ficou gravada no meu arquivo das memórias felizes.

Não foi só a comida (que era ótima!) ou a boa disposição... Foi também a mensagem, lida no final da noite, por um dos meus colegas.

O texto não era dele. Mas o sentimento, sim. E cada palavra lida pelo meu colega em tom solene, reverberou no coração de todos nós. E era assim:

 

"O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.

O material que é trabalhado pelos professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva. O trabalho dos professores é a generosidade."

(José Luís Peixoto)

 

É isso. O trabalho dos professores é a generosidade. Adorei o texto (podes ler o resto aqui) e não podia concordar mais.

Não somos a classe mais adorada, mas sabemos que somos importantes. Somos os "guardiões da esperança" (mesmo autor).

 

Concordam?