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O Triângulo Perfeito

Um blogue de pessoas imperfeitas. A viver num triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

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Lisboa, a Foz... e o resto de nós

Pergola_Foz_(Porto).jpg

 

As conversas que temos uns cons os outros nos parques infantis podem ser bem-dispostas, triviais ou até mesmo a base para reflexão.

Numa tarde solarenga do mês de março, estava num desses espaços de brincadeira e acabei por entrar num diálogo que me fez matutar.

Um senhora e o seu neto, brincavam alegremente no parque. Como sempre acontece, dado que sou tagarela, não foi preciso muito para que começássemos a falar.

Partilhámos peripécias, recordações e, como é óbvio, falámos das gracinhas dos nossos pequenos (filho/neto). 

A dada altura, a senhora começou a falar dos seus muitos filhos. Ao que parece, "dois vivem em Lisboa, outro vive na Foz e os outros estão todos por cá". 

Como sou muito sensível às pequens variações de tom de voz, não pude deixar de sentir a diferença de entoação- na primeira parte da frase percebi orgulho insuflado, ao passo que a informação "os outros estão todos por cá", foi atirada para o ar com indiferença.

 

Portanto, pelo que percebi: 

 

  • Ser de Lisboa é motivo de orgulho (não interessa de que zona de Lisboa, nem de que bairro). Lisboa é como o Soares ou como o Panda. Lisboa é Fixe. 

 

  •  Tão fixe como ser de Lisboa, pelos vistos, é ser da Foz (do Porto). Confesso que achei piada ao modo como a senhora falou. Não disse que um dos filhos morava no Porto. Não! Ele morava na Foz. Como se a Foz fosse uma outra cidade, bem distante, e completamente distinta. 

 

  • Fora da capital e da zona in do Porto, moravam os outros filhotes. Mas ao contrário dos primeiros, estes não tiveram direito a uma precisa geolocalização.

 

 

Tanto quanto sei, podiam ser de Trás-os Montes, de uma aldeia do nosso concelho ou até mesmo... da cidade do Porto. Sim, da cidade do Porto! Alguns filhos até podiam morar na Avenida da Boavista. Mas não interessa... porque não eram da Foz. E a Foz foi o único sítio a merecer identificação.

 

Adorei conversar com aquela senhora e achei-a super simpática. E esta análise não pretende ser sarcástica... Falo apenas porque achei curiosa a forma como descreveu a morada dos filhos. 

 

A tarde ficou fria e decidi abandonar o parque com o meu pequeno V. Mas antes, ainda fiquei a saber que, no Dia do Pai, ia haver um almoço de família. Todos os filhos se iriam reunir na mesma mesa.

Imaginei "os de Lisboa" com os dedos molhados a afiambrar uma coxa de perú. Vi uma imagem do "filho da Foz" às voltas com a churrasqueira do jardim. Visualisei "os de cá" a pôr a mesa e atacar umas costoletas. Sorridentes e tagarelas, juntos em família. 

E pus-me a pensar: todos misturados com as suas esposas e crianças...seriam assim tão diferentes? Conseguiria eu, distingui-los?!

Penso que não.