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O Triângulo Perfeito

Um blogue de pessoas imperfeitas. A viver num triângulo perfeito.

O Triângulo Perfeito

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Das rotinas

São um bem necessário? Sem dúvida. Mas até quando a rotina de uma criança deverá ser seguida à risca? Devemos aplicar a rotina sem qualquer exceção? Caso contrário, quando devemos ser flexíveis?

 

Desde que fui mãe que ando à volta desta questão. Porque é um assunto que realmente me preocupa. 

 

Dizem que as rotinas são essenciais para os bebés. Os avós dizem isso, os amigos com filhos dizem isso, os livros dizem isso e várias teses de investigação o demonstram. 

 

Nada contra. Concordo absolutamente com a teoria de que "as rotinas transmitem segurança e conforto à criança". Em minha casa, tento estabelecer alguns rituais e gosto que no infantário do meu filho façam o mesmo. 

 

Vou dar um exemplo simples:

 

Todas as manhãs, na altura de calçar os sapatos, eu sento o Vasco na mesma cadeira. Ele já "sabe" que essa é a cadeira destinada a calçar os sapatos. Essa rotina facilitou-me muito a vida e a ele também. Para já, esse é o único sítio onde o consigo calçar calmamente. Se mudar de cadeira, ele mexe-se, remexe-se, salta fora, vai-se embora... e nada de sapatos. 

 

Sei muito bem que as rotinas tornam o mundo da criança "mais previsível" e portanto, mais seguro, do ponto de vista delas. À falta de experiência, tenho lido muito e sei que as rotinas podem ajudar um bebé a adormecer mais facilmente. Sei que as rotinas me ajudam a vestir e a calçar o Vasco logo pela manhã e que o ajudam a ele a organizar o mundo.

 

O que me incomoda é ver alguns pais ou até mesmo infantários a passarem por cima dos interesses reais das crianças em nome da rotina. 

 

Incomoda-me ver casais nos restaurantes a quererem adormecer os seus filhotes à força, apenas com base no critério "está na hora de ele dormir".

 

Incomoda-me ver miúdos que estavam felizes, nitidamente animados e com "zero sono", a serem metidos à força dentro de um carrinho para tirarem um cochilo forçado.

 

Estou errada? Talvez esteja. Sou mãe de primeira viagem e, neste blogue, entre muitas coisas interessantes, também poderá sair asneira. Perdoem-me os erros. 

 

Desculpem-me se não tiver razão. Mas incomoda-me que ainda haja quem dê de mamar (ou dê leite suplemento) de quatro em quatro horas, ignorando os choros de fome de um bebé. Em nome de um horário e de uma rotina.  

 

Incomoda-me que, em alguns infantários, se a criança acordar e ainda for hora da sesta, continue a ser mantida às escuras na mesma sala que os outros e impedida de ir brincar. 

 

As rotinas são boas. Mas... o que estamos indiretamente a ensinar aos nossos filhos quando lhes aplicamos uma rotina fixa e estereotipada? Quando não damos margem para pequenas e pontuais alterações?

 

Eu digo-vos. Estamos a dizer-lhes que eles são iguais aos outros. Que têm que fazer o mesmo que os outros, dormir quando os outros, sentir como os outros. Estamos a dizer-lhes que, na vida deles, não vai haver espaço para a liberdade e para a improvisação.

 

A obrigarmos uma criança a viver dia após dia, numa rotina fixa e inalterável (atenção, que é só contra estas que eu sou contra) estavamos a diminuir a sua criatividade. 

 

Um dia, vamos querer que a criança dê ideias, sugestões, que crie, invente estratégias e improvise. E só vamos ter um "repetidor de informação". 

 

Os miúdos, tal como nós, aprendem pelo exemplo. Se nós não dermos margem para pequenas alterações na rotina (quando estas forem necessárias), um dia eles poderão vir a sofrer muito com as mudanças de planos. Quem sabe não se tornarão eles próprios pessoas rígidas e inflexíveis. 

 

É isso que queremos? Eu quero que o meu filho tenho um futuro risonho. Mas quero também que ele perceba que, por vezes, os planos podem mudar. Sem stress. Sem dramas...